Textos com assunto: envelhecimento da população

Envelhecimento da PEA demanda políticas públicas

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Edição: Ano 21 nº 07 - 2012

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O envelhecimento populacional é hoje um fenômeno universal, característico tanto dos países desenvolvidos quanto, de modo crescente, dos não desenvolvidos. Esse processo vem manifestando-se de forma rápida, porém distinta, entre os países ricos e pobres. Nos países desenvolvidos, esse processo deu-se de forma gradual, ao longo de mais de um século, acompanhado de um progresso socioeconômico favorável e da consequente melhoria das condições de vida da população, que contou com um amplo sistema de proteção social. Ao contrário, nos países em desenvolvimento, o processo de envelhecimento vem ocorrendo rapidamente — num ambiente socioeconômico pouco favorável à expansão de um sistema de proteção social para todos os grupos etários —, não atingindo o conjunto da população.

No Brasil, o envelhecimento da população vem acontecendo intensamente nos últimos anos, em consequência da dinâmica demográfica, a qual afetou profundamente a composição etária da População Economicamente Ativa (PEA), aumentando a proporção de pessoas adultas com 40 anos ou mais. Tal segmento, em período recente, passou a representar a parcela mais importante do conjunto de trabalhadores, interpondo novos desafios às políticas públicas e sociais. No entanto, o País ainda apresenta condições demográficas favoráveis, manifestas no chamado “bônus demográfico”, as quais indicam aumento da População em Idade Ativa (PIA) e, consequentemente, daquela que constitui a força de trabalho.

No caso da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA) mostram que, em 2011, os adultos com 40 anos ou mais compunham 42,1% da PEA, estando 12,0 pontos percentuais acima da parcela registrada em 1993. Com isso, esse segmento, a partir do ano de 2003, passou a representar o grupo majoritário na PEA, ultrapassando a proporção observada entre os indivíduos adultos mais jovens, com idade entre 25 e 39 anos, os quais, tradicionalmente, detinham a maior parcela na PEA. Os contingentes mais jovens, o de 10 a 24 anos e o de 25 a 39 anos, apresentam quedas de 7,5 e de 4,5 pontos percentuais, respectivamente, no mesmo período. Considerando-se, ainda, a estimativa da população com 40 anos ou mais, tal evolução representa um incremento de 101,4% (436 mil pessoas a mais), totalizando 866 mil indivíduos em 2011.

Nesse contexto, a capacitação da força de trabalho torna-se um requisito essencial na conquista do equilíbrio social, econômico e intergeracional. A (re)qualificação profissional e a valorização do indivíduo no sentido mais amplo, através de uma educação permanente e continuada, devem constituir prioridade das políticas voltadas à força de trabalho madura, com o objetivo de uma maior absorção dessa mão de obra e de obtenção de melhores possibilidades e condições de trabalho, como o direito à integração laboral e social.

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Censo Demográfico confirma envelhecimento da população

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Edição: Ano 20 nº 06 - 2011

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De acordo com os dados da Sinopse do Censo Demográfico 2010, o processo de envelhecimento continua na população gaúcha. Nesse processo, destaca-se a mudança na estrutura etária, o que acarreta uma ampliação do peso relativo da população acima de determinada idade, considerada como definidora do início da velhice. De fato, a comparação entre as pirâmides etárias do Rio Grande do Sul, nos anos de 1970 e 2010, indica que há uma participação menor de crianças e jovens e uma proporção crescente de adultos e idosos. Essa mudança na estrutura etária é decorrência, principalmente, da queda da fecundidade, que iniciou em torno dos anos 70. Em uma escala menor, o aumento da expectativa de vida também afeta o grau de envelhecimento. A pirâmide etária, que, notadamente, tem a sua base estreitada e sua parte superior ampliada no período considerado, está, consequentemente, perdendo a forma tradicional de pirâmide e assumindo um formato mais retangular.

No período 1970-2010, a população do RS de 60 anos e mais aumentou em mais de um milhão de pessoas, passando de 384.502 para 1.459.597, sendo a participação relativa de 5,5% e 13,6%, respectivamente, nos dois períodos. O RS possui o maior percentual de pessoas de 65 anos ou mais (9,3%) entre os estados brasileiros. Esse percentual aumentou bastante nas últimas décadas, pois era de apenas 3,7% em 1970, representando, atualmente, um total de 994.613 pessoas. O número de pessoas que ultrapassou o octogésimo aniversário também é significativo: 201.901 pessoas, quase 2% da população gaúcha, sendo que o número de mulheres é praticamente o dobro do número de homens nessa faixa etária: há 50,5 homens para cada 100 mulheres. Em relação aos 1.039 gaúchos com idade de 100 anos ou mais, cerca de 75,0% são mulheres. Entretanto o maior desequilíbrio entre os sexos, com a predominância do número de mulheres, começa a partir da faixa etária de 25 a 29 anos, devido, principalmente, às mortes por causas violentas que ocorrem entre os homens jovens. Antes dessa faixa etária, há um leve domínio de pessoas do sexo masculino, atingindo o valor máximo de 104 homens para cada 100 mulheres na faixa etária de 5 a 9 anos.

Outro indicador que, tradicionalmente, demonstra o envelhecimento populacional é a razão de dependência dos idosos, que relaciona a população idosa (60 anos e mais) e aquela potencialmente ativa (de 15 a 59 anos). Em 1970, havia, no Estado, 10,5 idosos para cada 100 pessoas potencialmente ativas, aumentando para 20,8 em 2010. Por outro lado, a razão de dependência dos jovens (população menor de 15 anos) caiu de 70,8 em 1970 para 31,8 pessoas menores de 15 anos para cada 100 potencialmente ativas em 2010. O Estado ainda está aproveitando o chamado bônus demográfico, fenômeno caracterizado pelo fato de a força de trabalho ser muito maior que a população dependente. Esse momento favorável não deve se estender por muitas décadas mais.

Censo Demográfico confirma envelhecimento

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Envelhecimento populacional do Rio Grande do Sul

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Edição: Ano 11 nº 09 - 2002

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À medida que os dados do Censo Demográfico de 2000 realizado pelo IBGE vão sendo publicados, tendências demográficasobservadas nas décadas anteriores vão sendo confirmadas. Em primeiro lugar, tem-se a queda nas taxas de fecundidade das mulheres brasileiras, havendo uma convergência nos níveis de fecundidade regionais. As tabulações avançadas do Censo revelam que o número médio de filhos por mulher no Brasil, entre 1970 e 2000, caiu cerca de 60%, passando de 5,8 para 2,3. As únicas regiões que estão acima da média brasileira são a Norte e a Nordeste. Com a queda da fecundidade, aliada ao aumento da expectativa de vida ao nascer, tem-se como conseqüência o envelhecimento populacional.

No Rio Grande do Sul, o percentual de pessoas com 65 anos e mais em relação à população total dobrou nos últimos 30 anos: passou de 3,7% em 1970 para 7,2% em 2000. Projeções populacionais realizadas pela FEE indicam que o número de idosos em 2015 ultrapassará a cifra de um milhão de pessoas, representando 9,5% da população total. Segundo dados do Relatório do Desenvolvimento Humano da ONU de 2002, o percentual de idosos nos países com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio era de 5,9% em 2000 e estimado em 7,5% para 2015. Já para os países com IDH elevado, esses percentuais são de 13,9% em 2000 e de 17,3% em 2015.

O crescimento relativo do número de idosos em relação à população total aponta a necessidade de intervenção pública para dotar a sociedade de infra-estrutura adequada para atender a esse contingente populacional.

Envelhecimento populacional do Rio Grande do Sul

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