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O efeito-preço e o papel das commodities na retração das exportações dos principais estados brasileiros em 2015

Por: e

Edição: Ano 25 nº 02 – 2016

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Segundo dados do Sistema de Exportações FEE (SixExp), as vendas externas brasileiras de bens alcançaram US$ 191,134 bilhões em 2015, um recuo de 15,1% no valor exportado em relação ao ano anterior, recuo este influenciado pela expressiva redução dos preços (15,8%), dado que houve um pequeno incremento em volume (0,8%). Nesse particular, em 2015, mesmo com a quantidade recorde embarcada ao exterior (637,6 milhões de toneladas), as receitas recuaram a um patamar menor que o de 2008 (US$ 197,942 bilhões). Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) sugerem que se a quantidade exportada em 2015 fosse vendida ao preço médio de 2014, haveria receitas extras de cerca de US$ 37 bilhões. Assim, o fundamental responsável pelo recuo das receitas auferidas em dólar das exportações brasileiras foi a forte queda nos preços médios dos produtos exportados pelo País.

Um relevante fator que contribui na explicação desse recuo consiste no profundo e generalizado arrefecimento dos preços internacionais das commodities iniciado no segundo semestre de 2014, uma vez que a pauta exportadora do País é bastante concentrada nesse tipo de produto (o valor exportado de commodities representou 58,2% da pauta brasileira em 2014 e 54,9% em 2015, mesmo com crescimento do volume embarcado ao exterior).

Analisando esses números sob um recorte regional, todos os principais estados exportadores registraram crescimento em volume, mas recuos em preços, resultando em retração em valor. Excetuando-se São Paulo, dos sete principais estados exportadores (54,7% das exportações brasileiras em 2015), podemos dividi-los em dois grupos com base na magnitude de seus recuos em valor, isto é, um com as maiores retrações e outro com os menores recuos. Conforme pode ser observado na tabela, emerge o contraste da estrutura de suas pautas exportadoras: enquanto os estados do primeiro grupo, composto por Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pará e Espírito Santo, exibem forte presença de produtos relativos à indústria extrativa (mais especificamente minério de ferro e/ou petróleo), os do segundo grupo (Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso) apresentam grande peso de produtos da agropecuária, notadamente soja em grão.

Dentre esses estados, os do segundo grupo, mesmo registrando recuo no valor exportado, ganharam participação nas exportações nacionais em relação a 2014, em detrimento dos do primeiro grupo. Isso se deve ao fato, no mesmo período de comparação, de os preços internacionais de commodities como o minério de ferro (-43,0%) e o petróleo (-47,2%) terem apresentado recuos bem maiores que o da soja (-24,1%).

Portanto, estados exportadores de minério de ferro e/ou petróleo perderam participação nas exportações nacionais, enquanto ocorreu o contrário nos estados exportadores de soja. Em outras palavras, a magnitude da retração do valor exportado advém de impactos em intensidades distintas do efeito-preço nas economias regionais. De qualquer forma, a queda generalizada nos preços de commodities afetou de maneira decisiva a receita auferida em dólar das exportações de praticamente todos os estados brasileiros.

Mesmo com o crescimento em volume das commodities na pauta de todos os estados analisados, suas participações no valor exportado reduziram-se significativamente de 2014 para 2015: o minério perdeu 14 p.p. no PA, 12 p.p. em MG e 8 p.p. no ES, enquanto o petróleo diminui em 5 p.p. no RJ e 4 p.p. no ES. Já em relação à soja, houve recuo apenas no MT (-6 p.p.), enquanto registrou-se aumento na pauta do RS (2 p.p.) e estabilidade no PR. Mesmo com perdas de participação nas exportações desses estados em função da redução de seus preços, as commodities continuaram representando mais da metade das pautas estaduais em 2015: 50% no PA, 54% no RS, 60% no PR, 65% em MG, 66% no RJ e 96% no MT.

Um agravante dessa situação é ressaltado quando se investiga o destino das exportações dessas commodities e se encontra a China como principal comprador de todos os estados analisados (em quantidade: 14% do minério do ES, 32% do petróleo do RJ, 51% do minério do PA, 62% do minério de MG, 64% da soja do MT, 86% da soja do PR e 89% da soja do RS). Novos sinais de desaceleração da China (em função da mudança de um modelo econômico com ênfase nos investimentos na indústria e em infraestrutura para outro, focado no consumo interno e nos serviços) vêm provocando mais volatilidade e um viés negativo nas cotações de commodities, configurando-se como um aspecto de preocupação para o futuro de parcela expressiva das exportações brasileiras, sobretudo para aqueles estados produtores de petróleo e minério de ferro (mais sensíveis a essa mudança no modelo chinês pelo perfil do consumo final desses produtos).

Nesse contexto, acende-se, ainda mais, o alerta ao problema de uma pauta exportadora estruturalmente pouco diversificada, seja em termos de produtos, seja em termos de destinos.

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