Textos com assunto: crédito bancário

Redução do spread bancário: sim, mas por quanto tempo?

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Edição: Ano 23 nº 06 – 2014

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O mês de setembro de 2011 marcou o início de um ciclo de redução da taxa básica de juros por parte do Banco Central
(Bacen). Naquele momento, a instituição percebeu sinais de que a crise internacional não seria superada rapidamente,
e os impactos sobre a economia brasileira poderiam ser amenizados com a redução da taxa de juros. Tal processo levou a Selic a 7,25% a.a. em outubro de 2012, trazendo a taxa de juros real ao menor nível da história. No entanto, o Bacen
não foi capaz de sustentar a redução. As pressões inflacionária e política convergiram para o início de um ciclo de aumento em abril de 2013, encerrado apenas no último mês.

Nesse ínterim, o ciclo de redução da Selic foi acompanhado por um movimento de redução do spread bancário. É válido relembrar que tal dinâmica foi iniciada pelas instituições públicas de crédito em março de 2012. Após o ciclo de aumento da Selic, questiona-se: até que ponto a redução do spread pode ser considerada uma conquista mais duradoura?

Tendo como base os níveis de agosto de 2011, o gráfico mostra que, enquanto a taxa básica de juros esteve 12% menor que a de antes do início do ciclo de redução, o spread médio foi 17% menor. Ou seja, as taxas de juros cobradas no mercado ainda não teriam repassado todo o aumento da Selic, mantendo o spread menor.

Contudo é interessante diferenciar o spread conforme o tipo de empréstimo. Nesse caso, percebe-se que o spread médio do crédito com recursos direcionados manteve um patamar 28% inferior ao nível de agosto de 2011. Por outro lado, o derivado de recursos livres apresentou maior resistência à queda e recompôs-se rapidamente, resultando em um nível 8% menor do que aquele ao início do período.

Considerando-se o maior peso das instituições públicas no crédito direcionado, fica evidente que a redução do spread médio ainda depende da ação governamental para manter-se. A Selic cedeu. Resta saber por quanto tempo os bancos públicos irão sustentar esses níveis de spread.

 

Redução do spread bancário sim, mas por quanto tempo

 

Bruno Paim
Economista, Pesquisador da FEE

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O crédito no Brasil: pós-crise

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Edição: Ano 19 nº 02 - 2010

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A crise financeira global de 2008 afetou significativamente o mercado de crédito no Brasil. As condições de oferta foram rapidamente comprometidas, a partir da restrição de acesso a linhas de financiamento externas, da redução da liquidez no mercado interbancário doméstico e do acirramento da aversão ao risco na concessão de novos recursos pelas instituições financeiras. Ao mesmo tempo, a demanda por crédito foi condicionada pela evolução desfavorável das expectativas relativas a emprego, renda e produção, com impactos nas decisões de consumo e de investimento.

O crédito no Brasil pós-crise

Nesse cenário, a expansão do volume de crédito passou a registrar expressivo arrefecimento, relativamente à evolução observada até meados de 2008. Os empréstimos totais, conforme observado na tabela, apresentaram expansão de 15,3% em 12 meses, até outubro de 2009, ante elevações respectivas de 26,4% e de 34,4% em intervalos equivalentes de 2007 e de 2008.

No decorrer do acirramento da crise, os bancos públicos desempenharam importante papel como agentes anticíclicos, sustentando ou ampliando a oferta de recursos no mercado de crédito. Como resultado, a participação relativa dessas instituições no total das operações de crédito do sistema financeiro nacional elevou-se de 34,2% em setembro de 2008 para 40,7% em outubro de 2009. Já as relativas às instituições privadas nacionais e aos bancos estrangeiros recuaram de 44,% e 21,4% para 40,8% e 18,5% respectivamente.

Ao longo do segundo semestre de 2009, com o retorno dos bancos privados ao mercado, o volume de crédito iniciou a sua recuperação, e a expectativa para o ano de 2010 é de que a sua expansão continue de forma intensa.

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A expansão do crédito em 2007

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Edição: Ano 17 nº 04 - 2008

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O crédito bancário cresceu 27,3% em 2007, ou seja, uma expansão maior do que em 2006, quando aumentou 20,7%. A soma dos empréstimos (recursos livres mais direcionados) chegou a, aproximadamente, R$ 935 bilhões em dezembro desse ano, isto é, 34,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, percentual muito próximo ao recorde registrado em 1995, no boom do crédito do Plano Real, quando chegou a 35,1% do PIB.

Em 2007, o segmento do crédito que mais avançou foi o de pessoas jurídicas, com um crescimento de 30,3%, bem acima dos 17,4% observados no ano anterior. As operações de pessoas físicas aumentaram 25,5% em 2007, numa ligeira aceleração em relação aos 23,6% ocorridos em 2006. Os empréstimos para empresas lideraram o mercado de crédito, pois, com a queda nas taxas de juros, os financiamentos bancários se tornaram mais competitivos frente às outras alternativas disponíveis, tais como captações internacionais e operações do BNDES.

Para 2008, as perspectivas são de um mercado de crédito menos aquecido, em função de fatores como a crise internacional, a expectativa de alta da taxa Selic (principalmente no segundo semestre deste ano) e o aumento das alíquotas do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os empréstimos bancários. Também neste ano, segundo a pesquisa de expectativas da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), deverá ocorrer uma inversão na composição do crédito, em relação a 2007, uma vez que o seu resultado aponta um aumento do crédito para pessoas físicas de 25,7% e do para pessoas jurídicas de 19,5%.

A expansão do crédito em 2007

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