Textos com assunto: crédito

Crédito e recessão na economia do Rio Grande do Sul

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Edição: Ano 25 nº 08 – 2016

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Desde o ano passado, o Banco Central tem disponibilizado dados trimestrais regionalizados do Sistema de Informações de Crédito (SCR), de forma retroativa a junho de 2014, contendo várias informações por modalidade de crédito.

Uma das aplicações é observar as relações do crédito com o processo recessivo nacional. Como o volume de crédito responde ao comportamento das atividades econômicas, do mercado de trabalho, dos preços e de decisões de política econômica, seu desempenho é resultado da interação dessas outras variáveis econômicas. A mesma análise pode ser aplicada aos estados, guardadas as devidas precauções, como os maiores vazamentos em uma economia subnacional.

Neste trabalho, o saldo das modalidades de crédito no Rio Grande do Sul foi reagregado, similarmente aos componentes da despesa do Produto Interno Bruto (PIB), e deflacionado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), com vistas a se ter uma noção aproximada de poder de compra real da variação de seus saldos. Como gastos das pessoas físicas, foram reunidas as modalidades de empréstimo que financiariam parte do consumo das famílias. Como capital de giro das pessoas jurídicas, os financiamentos que seriam utilizados para financiar estoques e folha de pagamento em momentos de descasamento do fluxo de receitas e despesas das firmas. Sob a rubrica agropecuária, juntaram-se os créditos rurais e agroindustriais, tanto das pessoas físicas quanto das pessoas jurídicas, devido a características específicas da atividade, como o fato de o maior volume das operações ser das pessoas físicas. Como investimento das pessoas jurídicas, estão as modalidades que financiam capital fixo de pessoas jurídicas (obras e equipamentos), tanto públicas como privadas. Por fim, a conta habitacional refere-se aos saldos do crédito imobiliário para as famílias.

Com exceção do habitacional, todos os saldos diminuíram em termos reais, entre dezembro de 2014 e março de 2016. Entretanto, o capital de giro começou a cair, e o gasto corrente ficou quase estável durante o segundo semestre de 2014. A agropecuária caiu de dezembro de 2014 para março de 2015 e, desde então, vem-se mantendo estável. O investimento ficou estável no primeiro semestre de 2015, mas, no segundo, passou a cair acentuadamente. O habitacional desacelerou seu crescimento em 2014, tendo uma oscilação que aparenta ser normal no primeiro trimestre de 2016.

A queda no capital de giro das empresas reflete o fato de que a desaceleração da indústria de transformação e a da construção iniciaram já no primeiro trimestre de 2014 e continuaram em queda durante todo o período. O comportamento dos empréstimos para pessoas físicas pode ser associado à queda da massa de rendimentos reais, que já foi observada desde 2014, mas que se aprofunda com o aumento dos preços da energia elétrica e dos combustíveis, à desvalorização cambial e ao aumento do desemprego. Em 2015, a agropecuária teve condições mais estáveis e um excelente desempenho, o que pode explicar um volume de empréstimos reais menor devido à maior capitalização do setor. No caso do investimento, a parcela privada reagiu à deterioração das expectativas de crescimento e ao encarecimento das fontes de financiamento. Já o investimento do setor público respondeu à eliminação das margens de endividamento derivada de problemas fiscais. O habitacional reduziu menos devido à característica de ter amortizações pequenas quando comparadas ao valor total do crédito, o que torna os ajustes no estoque mais lentos. De qualquer forma, deixou de impulsionar novas edificações, ficando mais restrito à transferência de unidades já construídas.

Com a elevação da taxa básica de juros pelo Banco Central a partir de janeiro de 2015, junto com o aumento da inadimplência, as taxas de juros de todas as modalidades de crédito, com recursos tanto livres como direcionados, foram elevadas. A elevação foi maior para as pessoas físicas, o que implica uma redução maior no poder de compra real do crédito. A desalavancagem das empresas, voluntariamente ou não, resulta da necessidade de ajustar o capital ao nível de produção. O que os dados indicam é que, sem a retomada da atividade e dos rendimentos reais, o crédito não voltará a subir. Assim, uma possível redução das taxas de juros poderia auxiliar em um processo de retomada da atividade econômica, mas não seria suficiente para revertê-la, dadas as características da recessão.

Estoque das operações de crédito no Rio Grande do Sul — jun./14-mar./16

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Reflexos do ajuste monetário sobre a dívida das famílias brasileiras

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Edição: Ano 24 nº 08 – 2015

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O ajuste que está sendo colocado em prática no País repercute, de diversas formas, no cotidiano dos brasileiros. A preocupação com os reflexos das medidas restritivas promovidas pelo Banco Central do Brasil (Bacen) e pelos bancos públicos deve-se aos efeitos previsíveis sobre o comportamento das demais instituições financeiras, que, por sua vez, incidirão diretamente no orçamento familiar, tanto via emprego e renda quanto via custo das dívidas. Nesse ínterim, apresentam-se o endividamento e o comprometimento da renda das famílias no País, a fim de se perceber a repercussão de algumas das medidas recentes.

O endividamento das famílias é medido por meio da relação entre o saldo da dívida e a renda acumulada anualmente. Tal indicador cresceu ao longo da última década, em grande parte, devido à parcela imobiliária. O endividamento passou de 20,3% em 2005 para 46,3% em maio de 2015, sendo que, dos 26 p.p. de aumento, cerca de 19 p.p. se devem à parcela habitacional da dívida. Além disso, não fosse esse segmento, o endividamento das famílias estaria caindo desde o fim de 2011. Nesse sentido, algumas medidas restritivas atualmente praticadas pelos bancos públicos, como a diminuição da parcela financiável do imóvel e o aumento dos juros, tendem a arrefecer o crescimento do crédito habitacional e conter o segmento, que se mantinha expandindo a taxas elevadas.

É inegável a importância do crédito como um dos principais estímulos ao crescimento econômico durante a última década. Entretanto o perfil da dívida contraída pelas famílias exige atenção dos formuladores de política econômica, bem como das próprias instituições financeiras, a fim de que se perceba o impacto negativo que um aumento dos juros pode causar. O comprometimento da renda das famílias é um indicador, divulgado pelo Bacen, que calcula a parcela da renda mensal das famílias destinada ao pagamento de juros e à amortização das dívidas. Apresenta-se uma estimativa da decomposição desse indicador em seus variados segmentos.

Em maio deste ano, as famílias brasileiras comprometeram 20,7% da sua renda com o pagamento de dívidas. Apesar de o crédito imobiliário representar quase 42% do saldo da dívida das pessoas físicas, ele compromete somente 2,4% da renda mensal. O prazo médio de aproximadamente 30 anos, aliado às taxas de juros menores, explica essa situação.

Nos últimos anos, o segmento de crédito para aquisição e arrendamento de veículos tem reduzido sua importância e, atualmente, compromete 3,7% da renda. O crédito não consignado mantém-se estável, gerando encargos que representam 2,9% da renda.
O crédito consignado corresponde a 23,6% do saldo da dívida e, desde sua regulamentação, em 2004, é destaque no crédito pessoal. A facilidade de contratação e o baixo risco para os bancos, aliados a menores taxas de juros, fazem com que o segmento comprometa 4,0% da renda mensal. A recente ampliação do limite para sua utilização é importante, visto que se constitui em uma alternativa mais acessível para a quitação de dívidas mais caras.

O maior peso sobre o orçamento das famílias está concentrado no crédito rotativo, composto por cheque especial e cartão de crédito. Tal segmento compromete 6,1% da renda. Os altos juros e o prazo demasiadamente curto são fatores que causam essa condição. As taxas de juros cobradas na utilização do pagamento mínimo da fatura de cartão de crédito estão em aproximadamente 13,8% ao mês, o que significa que, após 12 meses, uma dívida seria quase quintuplicada. No cheque especial, a taxa média é de 10,8%.
Tal perfil da dívida reforça o impacto do aumento da taxa básica sobre o orçamento das famílias, pois o maior peso da dívida se encontra no crédito rotativo, justamente a parcela mais sensível às flutuações dos juros. Se fossem adicionados os movimentos pró-cíclicos do spread bancário, a situação ficaria ainda mais preocupante para os consumidores endividados. A utilização dos instrumentos de empréstimo pré-aprovados, como cartão de crédito e cheque especial, pode-se tornar ainda mais frequente, caso seja considerada outra tendência atual: a contenção da massa salarial derivada da redução do emprego e da esperada dificuldade de reposição inflacionária nos salários.

Em suma, o perfil da dívida das famílias reforça a exposição a duas variáveis importantes no atual processo de ajuste: a taxa de juros e o emprego. Dessa forma, apesar de outros estudos não indicarem um risco sistêmico para as instituições financeiras, aponta-se um impacto importante sobre o orçamento familiar.

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A expansão do crédito às famílias e a estrutura financeira no Brasil

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Edição: Ano 24 nº 01 - 2015

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A expansão do crédito a partir de 2004 foi um dos principais canais que permitiram o crescimento do consumo das famílias, o que, por sua vez, ajudou a fomentar o investimento nos anos seguintes. O processo foi acompanhado por contínua ampliação da massa salarial, mas não evitou o maior endividamento das famílias, que, após partir de um nível baixo internacionalmente, ainda se mantém moderado como proporção do Produto Interno Bruto (PIB). Tal nível de endividamento, por sua vez, resulta em um fluxo de pagamentos em juros e amortização, comprometendo uma parcela da renda familiar.

O gráfico mostra dois indicadores relativos a uma série de países selecionados: endividamento, medido pelo total da dívida das famílias em relação ao PIB; e comprometimento da renda, percentual da renda corrente das famílias destinado ao pagamento do serviço da dívida (juros e amortização). Nota-se que, no Brasil, o endividamento é menor do que nos países desenvolvidos, bem como na média dos demais. Contudo o comprometimento da renda é superior, principalmente quando relativizado pelo tamanho da dívida, o que incita a se questionarem as causas e consequências de tal perfil.

No País, o endividamento encontra-se em 21% do PIB. Se medido em relação à renda das famílias acumulada em 12 meses, esse número chegou a 46% em outubro de 2014. Já o serviço da dívida consome 22% da renda mensal das famílias. O endividamento é modesto, quando comparado ao que prevalece em outros países. Contudo, ao se analisarem outros atributos, percebe-se que há uma diferença qualitativa no endividamento, representada por duas características do endividamento familiar brasileiro: (a) a parcela do serviço da dívida comprometida com o pagamento de juros, desconsiderando-se a amortização, é excessivamente maior; e (b) o prazo médio da dívida demasiadamente curto eleva o comprometimento da renda corrente.

A concentração do endividamento em linhas de curto prazo, como cheque especial e cartão de crédito, eleva o peso dos juros no serviço da dívida. Além disso, a predominante utilização de taxas de juros pós-fixadas nessas linhas aumenta o impacto de variações na taxa básica e no spread bancário sobre o comprometimento da renda.

Nesse sentido, um eventual novo ciclo de expansão do consumo, baseado no crédito, assim como a sua sustentabilidade, passaria, necessariamente, pela revisão dos termos nos quais esse endividamento ocorre.

A experiência recente do Banco Central do Brasil (BCB) e dos bancos públicos demonstra que não será fácil mudar esses padrões. Dois momentos revelam a rigidez da estrutura sobre a qual se assenta o Sistema Financeiro Nacional: (a) a tentativa do BCB de reduzir a taxa básica de juros foi abandonada e revertida assim que a inflação se aproximou do topo da meta; e (b) a tentativa de reduzir o spread bancário utilizando os bancos públicos encontrou forte resistência nos bancos privados, que acabaram por assumir uma perda no market share, em vez de reduzir suas margens.

A alteração dessa estrutura resulta difícil, devido ao seu enraizamento no comportamento tanto das instituições financeiras quanto das famílias. Se a tentativa não surtiu efeitos duradouros, pode-se indicar que não é no futuro próximo que ocorrerá alguma mudança. É difícil projetar-se qualquer alteração, tendo em vista a perspectiva de manutenção da taxa básica em níveis altos e a já anunciada gradual diminuição dos empréstimos oriundos nos bancos públicos. Ao que tudo indica, as instituições financeiras continuarão buscando a rentabilidade com baixa exposição ao risco de crédito. De outro lado, a expansão do crédito deve seguir o passo lento da expansão da renda. A exceção constitui-se no crédito imobiliário, cujo comportamento tem-se mostrado diferente dos demais, devido tanto às políticas específicas para habitação quanto às características particulares de prazos longos e de juros baixos, o que dilui o serviço da dívida e torna menor o impacto sobre o comprometimento da renda.

Em suma, a expansão do crédito ocorrida a partir de 2004 foi um fenômeno único, que possibilitou o ingresso de diversas famílias no sistema financeiro. A partir desse momento, qualquer expansão tende a ser lenta e gradual, a fim de manter a sustentabilidade tanto das famílias quanto das instituições financeiras. Além disso, para que a expansão do crédito se reverta em maior atividade econômica, e não apenas na transferência de renda das famílias para as instituições financeiras, na forma de juros e encargos, uma mudança sustentada nas condições e na qualidade dos empréstimos tomados torna-se cada vez mais necessária.

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Em busca de um alívio no crédito

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Edição: Ano 23 nº 09 – 2014

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Em 25 de julho de 2014, o Banco Central do Brasil (Bacen) adotou medidas de incentivo ao crédito, com o objetivo de estimular a economia. O foco das medidas anunciadas foi lidar com o excesso de liquidez retido dentro do próprio balanço da autoridade monetária, sob a forma de depósitos compulsórios, o que tem inibido, segundo o Bacen, o melhor funcionamento do mercado de crédito. Na realidade, a autoridade monetária (Bacen), através do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), criado em 2011, diagnosticou que, no momento, não falta liquidez no sistema bancário, pois o volume de depósitos compulsórios subiu R$ 50 bilhões nos últimos 12 meses, chegando a R$ 405 bilhões. Mas há problemas na distribuição dessa liquidez. Ela está concentrada no Bacen e não chega a todos os potenciais segmentos demandadores de crédito. Um exemplo são as instituições financeiras de pequeno e médio portes, muitas das quais atuam em nichos como crédito consignado e crédito a empresas. Em vista disso, a expansão do crédito voltado ao consumo tornou-se moderada, com retração em algumas importantes linhas (caso de financiamento de veículos), ou teve crescimento abaixo da taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB).

Do lado da demanda por crédito, houve uma mudança de perfil, com maior procura por financiamentos imobiliários e menor procura por financiamentos de bens de consumo duráveis, como carros e eletrodomésticos.

Na realidade, os estímulos dados ao crédito devem aumentar sobretudo a disponibilidade de recursos financeiros para os bancos públicos, principais agentes da política anticíclica do Governo Federal nos últimos anos. Também as instituições financeiras de médio e pequeno portes devem estar entre as maiores beneficiadas, pois as medidas trazem a possibilidade de fontes mais baratas e abundantes de liquidez, o que reduz o custo da instituição para emprestar.

Ainda com relação ao mercado de crédito, alguns números mostram o seu atual estado, como, por exemplo, as operações de crédito do sistema financeiro, incluindo recursos livres e direcionados, que totalizaram R$ 2.804 bilhões em maio, crescendo 2,6% no trimestre findo em maio e 12,7% em 12 meses (variações respectivas de 3,1% e 14,6% nos mesmos períodos até fevereiro). A relação crédito/PIB atingiu 56,1% em maio (55,7% em fevereiro e 54,5% em maio de 2013).

As carteiras dos bancos públicos e das instituições privadas nacionais e estrangeiras cresceram, na ordem, 3,8%, 0,8% e 2,5% no trimestre, representando, respectivamente, 52,4%, 32,5% e 15,1% do estoque de crédito do sistema financeiro em maio de 2014 (49,4%, 34,9% e 15,7%, nessa ordem, em maio de 2013). O aumento da representatividade da carteira dos bancos públicos refletiu, em parte, o dinamismo das modalidades crédito rural e crédito imobiliário.

O saldo do crédito com recursos livres totalizou R$ 1.513 bilhões em maio (54% do crédito total, ante 57,5% em maio de 2013), elevando-se 1,4% no trimestre até maio e 5,7% em 12 meses. O estoque de operações com recursos direcionados alcançou R$ 1.291 bilhões em maio, elevando-se 4,2% em relação a fevereiro e 22,3% em 12 meses. A evolução decorreu de aumentos tanto nas carteiras das pessoas jurídicas como nas das pessoas físicas. No caso das últimas, isso ocorreu com expansões acentuadas nas modalidades financiamentos imobiliários e financiamentos rurais. No segmento de pessoas jurídicas, o saldo dos financiamentos com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) — 72,1% da carteira — cresceu. As concessões do BNDES ao setor produtivo — que não incluem os desembolsos do BNDES Participações S/A (BNDESpar) — totalizaram R$ 35,6 bilhões no trimestre encerrado em maio (variações de 32,6% no trimestre até maio e 2,1% em 12 meses). Assim, verifica-se que a taxa de variação do total do crédito embute crescimentos bem discrepantes entre os segmentos livre e direcionado. Enquanto o primeiro aumentou 5,7% em 12 meses, o que já se configura como uma queda real, uma vez que a inflação, no mesmo período, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 6,4%, o direcionado cresceu 22,3% em 12 meses até maio.

É importante destacar que o mercado de crédito voltado ao consumo, após anos em forte expansão, ainda que arrefecida com a introdução de medidas macroprudenciais, em finais de 2010, passou por uma moderação. Nos últimos trimestres, observaram-se, de um lado, redução de exposição por parte de bancos e, de outro, desalavancagem das famílias. No agregado, portanto, infere-se que os riscos no segmento de crédito ao consumo vêm sendo mitigados. Em outra dimensão, a autoridade monetária considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.

Concluindo, deve ser registrado que o estímulo das medidas sobre o crédito tende a ser limitado. A questão é que as ações tomadas pelo Bacen não conseguem mudar uma das principais travas atuais do crédito: a falta de demanda. Também deve ser enfatizado que as medidas devem ter impacto um tanto limitado no crescimento do crédito, uma vez que a recente desaceleração dos empréstimos é causada especialmente pela percepção mais aguda de risco de crédito dos bancos, dados a visível desaceleração da economia e os riscos crescentes de desemprego.

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O crédito e o papel dos bancos públicos

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Edição: Ano 22 nº 11 - 2013

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Desde o ano de 2004, há uma forte expansão do crédito no País. Assim como aparece como um dos determinantes para o ciclo de crescimento na última década, a expansão é também levantada como um dos fatores para o esgotamento desse processo. Tal esgotamento adviria da fragilização resultante tanto da excessiva parcela de crédito sobre o PIB, manifestada também no endividamento das famílias, quanto do peso das instituições públicas no total do Sistema Financeiro Nacional. A fim de compreender a recente evolução do crédito, cabe resgatarem-se alguns pontos.

De 2004 a 2008, a economia brasileira cresceu, em média, 4,8%. Nesse mesmo período, o crédito total como proporção do PIB passou de 25,7% para 40,7%. É válido salientar que as instituições privadas lideraram esse movimento durante o período que antecedeu a crise, correspondendo a uma parcela de 64% do total do crédito ao fim de 2008, sendo os restantes 36% de origem pública.

No período seguinte, de 2009 a 2013, a expansão do crédito foi sustentada pelos bancos públicos, principalmente Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A ação conjunta dessas instituições foi responsável por sustentar o crédito no País e evitar um aprofundamento da crise decorrente de uma retração dos empréstimos por parte dos bancos privados. Como consequência, desde 2008, a participação das instituições públicas no total do crédito elevou-se a 50,7%, garantindo a continuidade do aumento da relação crédito/PIB, que passou para 55,5% em 2013.

Quando se questiona o esgotamento da expansão do crédito com relação ao PIB, deve-se ter em conta que a elevação desse índice desde 2004 segue, na verdade, um processo de normalização. Segundo dados do Banco Mundial, em 2012, o País apresentou índice inferior aos países desenvolvidos — que, em sua maioria, apresentam relação superior a 100% — além de China (134%) e Chile (73%). Por outro lado, o nível atual do Brasil é superior aos da Índia (51%), Rússia (48%) e México (28%).

É necessário dizer que essa expansão do crédito foi um dos determinantes do comportamento econômico pós-crise, pois sustentou o crescimento da demanda ao longo do período, por meio tanto do consumo das famílias como do incentivo à construção civil. Essas atividades foram fundamentais para conter o reflexo da recessão que se manifesta em nível internacional, onde o setor bancário demonstrou ser o principal canal de transmissão. Dessa forma, pode-se dizer que a elevação da participação do crédito no PIB foi fundamental para a economia e que manifesta o desenvolvimento sólido do sistema financeiro nacional. Quanto à sustentabilidade dessa expansão até o momento, os níveis de inadimplência nos últimos 12 meses mantêm-se estáveis ou decrescentes.

Já quando se questiona a elevada participação das instituições públicas no crédito, deve-se ressaltar que foi devido especificamente à expansão desse segmento que se conteve um maior impacto da crise sobre a economia. Acrescente-se ainda que a carteira dos bancos públicos é composta majoritariamente de empréstimos com perfil de baixo risco (habitacional e pessoa jurídica). Além disso, a presença de instituições públicas no Sistema Financeiro Nacional tem sido fundamental para permitir uma redução do custo de empréstimo para o tomador final. A utilização dos bancos públicos como ferramenta para iniciar a redução nas taxas de juros representa a necessidade de corrigir o diferencial que o custo de crédito no Brasil apresenta quando comparado internacionalmente.

Dessa forma, salienta-se a importância da expansão do crédito ao longo do período, e, dentro disso, a relevância dos bancos públicos, não só para sustentar a oferta de crédito após a crise, mas também na tentativa de adequar as taxas de juros a níveis condizentes com as praticadas internacionalmente. A expansão até o momento elevou o nível de endividamento, mas não prejudicou a qualidade geral dos empréstimos. Da mesma forma, os índices de capitalização dos bancos públicos mantêm-se acima dos requeridos. Contudo a magnitude da expansão creditícia apresentada desde 2004 dificilmente poderá ser repetida, devendo o setor financeiro, gradualmente, ajustar seu comportamento ao restante da economia, sem abdicar da utilização das ferramentas disponíveis para cumprir as exigências que o desenvolvimento econômico requer.

O crédito e o papel dos bancos públicos

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O comportamento do crédito em 2012

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Edição: Ano 22 nº 05 - 2013

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O estoque total de crédito do sistema financeiro em 2012, computadas as operações com recursos livres e direcionados, alcançou, segundo o Banco Central, R$ 2.360 bilhões em dezembro e acumulou crescimento de 16,2% no ano, comparativamente a 19% em 2011 e 20,6% em 2010. Com isso, a relação crédito/PIB atingiu 53,5%, ante 49,0% e 45,2%, nos respectivos finais de anos anteriores

O menor ritmo de expansão do crédito em 2012, a despeito da trajetória declinante das taxas de juros e dos spreads bancários e da estabilização dos índices de inadimplência, mostrou-se consistente com o arrefecimento do nível de atividade econômica e seus impactos sobre as expectativas de empresários e consumidores. Nesse contexto, a evolução do saldo de crédito foi sustentada, principalmente, pelo desempenho das operações com recursos direcionados, que tiveram uma trajetória expansionista, alcançando R$ 874 bilhões em dezembro, representando um incremento de 20,5% em 12 meses. Para esse resultado, contribuíram as expansões respectivas de 23,6%, 37,6% e 12,4% nas carteiras de crédito rural, habitacional e nos financiamentos do BNDES.

Diante do crescimento dos recursos direcionados, a representatividade dos bancos públicos manteve-se em elevação, atingindo 47,6% do total das operações do sistema financeiro, ante 43,5% em dezembro de 2011. Em contrapartida, as instituições privadas nacionais e estrangeiras tiveram suas participações relativas correspondentes reduzidas em 3,1 p.p. e 1,0 p.p., situandose em 36,1% e 16,3% respectivamente.

Os créditos com recursos livres corresponderam a 63% da carteira total do sistema financeiro, comparativamente a 64,3% em 2011, mostrando um avanço de 13,9% no ano. Os financiamentos para pessoas jurídicas registraram saldo de R$ 762 bilhões, o que representou um acréscimo de 16,5% em 12 meses, resultante da variação respectiva de 16% nas carteiras com recursos domésticos, e aumento de 18,2% nas operações financiadas com recursos externos. Os empréstimos a pessoas físicas somaram R$ 724 bilhões, assinalando expansão de 11,2% no ano.

Enfim, é possível afirmar que o crédito em 2012 apresentou uma trajetória de expansão, embora a um ritmo mais moderado do que nos últimos anos. Quatro aspectos chamam atenção na evolução recente do crédito: o crescimento mais acelerado das concessões por parte dos bancos públicos, em comparação com os privados; a expansão mais forte no crédito direcionado, em especial para habitação, comparativamente ao crédito com recursos livres; a redução das taxas médias de juros para empréstimo tanto para pessoa jurídica quanto para pessoa física, que se deve não apenas à redução da taxa básica – do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) -, mas também à queda dos spreads; e o aumento do comprometimento de renda das famílias.

A perspectiva para 2013 é de que os bancos públicos continuarão liderando a expansão do crédito, e o crescimento do estoque total de crédito do SFN se situará em torno de 14%, abaixo, portanto, de 2012.

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O crédito em 2011

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Edição: Ano 21 nº 03 - 2012

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O comportamento altista dos índices de preços em 2010, aliado à perspectiva de que, tanto pelo lado da demanda quanto pelo lado da oferta, não havia sinais claros de uma desaceleração no curto prazo, fez com que o Banco Central (Bacen) desse início, em dezembro desse ano, à adoção de uma série de medidas, com o intuito de controlar a inflação em 2011 e de trazê-la novamente para uma trajetória mais compatível com o centro da meta (4,5%).

Para atender a esse cenário, o Governo passou a se preocupar com a expansão do mercado de crédito e com seu efeito sobre os preços dos ativos financeiros e, possivelmente, dos bens e dos serviços. Assim, o Bacen anunciou, em dezembro de 2010, medidas de restrição ao crédito, incluindo aumento nas alíquotas de compulsório sobre depósitos a prazo, de 15% para 20%, no adicional de compulsório para depósitos a prazo e à vista, de 8% para 12%, e no fator de ponderação de risco nas operações de crédito para pessoa física, com prazo superior a 24 meses, de 100% para 150%.

Em um primeiro momento, essas medidas foram associadas ao objetivo de assegurar a estabilidade das finanças, isto é, de tornar as taxas de crescimento do crédito mais compatíveis com o equilíbrio de longo prazo da economia. Por essa razão, foram naturalmente denominadas medidas de caráter macroprudencial. Sendo o crédito um canal de transmissão reconhecidamente importante para a inflação, era natural que uma expansão mais moderada de suas taxas de crescimento fosse considerada positiva, no sentido de conter eventuais pressões inflacionárias. O aumento ocorrido, nos últimos anos, na participação do crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) ampliou ainda mais a importância da influência desse canal sobre o comportamento da inflação.

Ainda dentro do objetivo de reforçar a redução do crescimento do total do crédito na economia, o Bacen iniciou, em 2011, um ciclo de elevação da taxa de juros Selic, a qual passou de 11,25% ao ano em janeiro para 12,50% ao ano em agosto. Além disso, anunciou medidas como o aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para a entrada de capitais de curto prazo e de operações de financiamento de pessoa física superiores a 360 dias. No primeiro caso, a tentativa era reduzir a captação de linhas de crédito no exterior pelos bancos, cuja atratividade aumentou após a elevação do compulsório. No segundo caso, o objetivo era atingir mais diretamente a demanda do crédito pelos consumidores.

A resultante de todas essas medidas tomadas foi que o mercado de crédito continuou em expansão em 2011, embora com um crescimento mais moderado. O saldo total do crédito bancário, computadas as operações com recursos livres e direcionados, atingiu R$ 1.984 bilhões em novembro de 2011, expandindo-se 18,2% em 12 meses, e contribuindo para que a relação empréstimos totais/PIB chegasse a 48,2% nesse ano, ante 44,9% em novembro de 2010.

Constataram-se, também, principalmente, como resultado das medidas macroprudenciais, a redução no ritmo de concessões de crédito, a diminuição de prazos de financiamento e o aumento das taxas de aplicação. Ainda, influenciaram negativamente a demanda por crédito, a diminuição no ritmo de crescimento da economia e o recrudescimento da crise internacional.

Em relação às concessões de crédito, uma análise da média diária mostrou que o impacto das medidas macroprudenciais começou a aparecer em abril e maio de 2011, com a desaceleração das concessões de crédito à pessoa jurídica, e, a partir de agosto do mesmo ano, fizeram-se sentir também nas operações realizadas pelas pessoas físicas. Em relação a estas últimas, o destaque ficou por conta da queda nos financiamentos para aquisição de veículos, que, no período de agosto a novembro, apresentaram redução na comparação com os mesmos meses de 2010.

Os financiamentos bancários apresentaram crescimento mais acentuado nas operações referenciadas em recursos direcionados, que totalizaram R$ 709 bilhões em novembro, aumentando 22,8% em 12 meses, com ênfase à expansão de 44,0% nas operações de crédito habitacional. Só os financiamentos do BNDES, computadas as operações diretas e os repasses a instituições financeiras, atingiram R$ 408,7 bilhões, elevando-se 15,7% em 12 meses. O saldo das operações de crédito rural, impulsionado pela demanda para custeio e investimentos agrícolas para a safra 2011/2012, atingiu R$ 102,7 bilhões, aumentando 21,2% em 12 meses.

O saldo das operações com recursos livres totalizou R$ 1.275 bilhões em novembro de 2011, ampliando-se 15,8% em 12 meses e passando a representar 64,3% da carteira do sistema financeiro ante 64,9% em agosto do mesmo ano. Os empréstimos a pessoas físicas somaram R$ 644 bilhões, aumentando 17,2% no mesmo período de 12 meses. Nesse segmento, a greve bancária em outubro afetou, sobretudo, as contratações de crédito pessoal e consignado, ao mesmo tempo em que contribuiu para a intensificação da demanda por crédito rotativo. As operações contratadas no segmento de pessoas jurídicas somaram R$ 631,4 bilhões em novembro, representando um aumento de 15,8%. Nessa modalidade, o arrefecimento da demanda por crédito acompanhou a moderação da atividade econômica.

Para 2012, o estímulo ao consumo decorrente do desmonte de parte das medidas macroprudenciais, da redução da taxa básica de juro e do alívio fiscal dado a alguns produtos poderá esbarrar na deterioração do cenário externo, o que limitaria a eficácia da atuação do Governo no sistema de crédito brasileiro.

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A melhora dos indicadores de crédito no Brasil e no RS, em 2010

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Edição: Ano 20 nº 02 - 2011

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Entre janeiro e outubro de 2010, a taxa de inadimplência das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) no Rio Grande do Sul (RS) caiu de 3,35% para 2,56%. Tal fato foi influenciado principalmente pela taxa de inadimplência das operações direcionadas às pessoas jurídicas, que diminuiu de 2,66% para 1,9%, uma queda de 28,5%. Também houve uma queda na inadimplência das pessoas físicas, de 4,06% em janeiro para 3,45% em outubro. Além disso, o saldo das operações de crédito do SFN no RS aumentou 16,2%, saindo de R$ 86,54 bilhões em janeiro para R$ 100,63 bilhões em outubro de 2010, sendo que o crédito para as pessoas tanto físicas quanto jurídicas aumentou em torno de 16%. Isso indica que a expansão do crédito foi impulsionada tanto pelo crescimento dos empréstimos com a finalidade de aumentar o potencial de consumo das pessoas, quanto pelo crescimento dos empréstimos para aumentar a capacidade de investimento das empresas.

Considerando o Brasil, o estoque das operações de crédito chegou a R$ 1,645 trilhão em outubro de 2010, um crescimento de 15,4% em relação a janeiro do mesmo ano. O tipo de operação de crédito que mais contribuiu para esse aumento foi o habitacional, crescendo 37% entre janeiro e outubro de 2010, chegando a R$ 129,11 bilhões. Também houve uma melhora na taxa de inadimplência total brasileira, de 4,2% para 3,4%. A principal causa da redução da taxa de inadimplência e do aumento do crédito foi o crescimento da massa salarial, de 10,1% no Brasil e de 9,5% no RS.

A melhora dos indicadores de crédito no Brasil e no RS, em 2010

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O Brasil e a crise de crédito global

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Edição: Ano 16 nº 09 - 2007

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A partir de meados de julho, tornou-se evidente um fato desde há muito anunciado: a nova crise financeira global teria sua origem na expansão exacerbada do mercado imobiliário norte-americano. Créditos que alimentaram o consumo do País foram realizados pelas famílias por conta de hipotecas em condições favoráveis, efetivadas a partir de inovações financeiras que permitiam facilidades iniciais nos pagamentos das prestações e possibilitavam o posterior refinanciamento dos imóveis, supostamente a partir de uma elevação em seus preços.

As corretoras de hipotecas vendiam esses créditos aos bancos, que securitizavam essas dívidas e, posteriormente, repassavam esses títulos para bancos de investimento, que os consolidavam em um novo título — chamado Collateralized Debt Obligation (CDO) —, o qual era apontado como sem risco pelas principais agências de notação. Esse ciclo de elevação nos preços dos imóveis transbordou para aplicações de maior risco, impulsionando novamente o mercado acionário. Os CDOs — e outros títulos derivados da expansão creditícia — foram revendidos aos fundos de investimento, localizados tanto nos EUA quanto na Europa, na Ásia e na Oceania. Assim, o caráter global da crise transparece em sua dimensão geográfica, interligando diversos mercados. Ao mesmo tempo, uma inesperada relação entre os mercados de crédito de longo e de curto prazo, com a dificuldade de venda de commercial papers, devido à sua relação com aplicações em derivativos de crédito, a possibilidade de reversão das tomadas de empréstimos em yen para aplicações ao redor do mundo e a seqüência de falências em corretoras de hipotecas e fundos especulativos têm aumentado as incertezas sobre a solvência do mercado mundial de crédito e a manutenção do crescimento da economia norte-americana. A ameaça concreta de extensão da crise exigiu a intervenção dos principais bancos centrais do mundo, os mesmos que há pouco negavam qualquer possibilidade maior de crise generalizada de crédito.

A economia brasileira sempre foi tida como estando a salvo de qualquer possibilidade de crise, dado seu recente sucesso, sobretudo em seu equilíbrio externo, o qual se consubstancia na acumulação de reservas superiores a US$ 160 bilhões. Entretanto basta analisar a movimentação ocorrida, em julho, nos índices do Risco-País (medido pelo índice Emerging Markets Bond Index Plus-Brazil (EMBI+), calculado pelo Banco JP Morgan Chase) e na cotação do dólar norte- -americano para verificar-se que o Brasil, embora não seja protagonista da atual crise global de crédito, não está imune aos seus efeitos. Deve-se lembrar que uma recessão global diminui a demanda e o preço das commodities, que, até o momento, garantiram os expressivos saldos comerciais brasileiros após 2003, ao mesmo tempo em que o contágio financeiro global certamente inverterá — como já se teve amostra recentemente — o fluxo de capitais.

Caso esse cenário ruim se confirme, a desvalorização do real acarretará a volta da ameaça inflacionária e a conseqüente interrupção na queda dos juros domésticos, com reflexos negativos para o crescimento econômico brasileiro. Resta esperar que o Governo não permita, sob nenhuma hipótese, uma queda expressiva nas reservas em dólar do País, reduzindo o grau de abertura financeira e a interligação contagiosa com os países originariamente expostos à crise ao primeiro sinal de uma saída mais brusca de divisas. Caso contrário, apenas restará torcer para que a intervenção dos bancos centrais tenha sucesso.

O Brasil e a crise de crédito global

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O crédito no Brasil, em 2006

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Edição: Ano 16 nº 02 - 2007

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O estoque total das operações de crédito do sistema financeiro brasileiro registrou crescimento de 17,9% até novembro de 2006, atingindo R$ 715,8 bilhões. Em conseqüência, a relação dos empréstimos totais com o PIB situou-se em 33,7%, em novembro, ante 31,0% em janeiro desse ano, e 30,6% em novembro de 2005.

Essa evolução esteve associada, fundamentalmente, à expansão dos financiamentos contratados com recursos livres (participação relativa de 68,2% no total de crédito concedido pelo sistema financeiro), que cresceram 21,0% no período, enquanto os recursos direcionados (créditos com taxas de juros administradas) aumentaram 11,8%. No âmbito dos recursos livres, houve a predominância dos empréstimos destinados às pessoas físicas, em decorrência da expansão na contratação da modalidade de crédito pessoal (25,6%) e dos financiamentos para aquisição de veículos (23,8%). Ao mesmo tempo, refletindo o menor ritmo de crescimento da economia em 2006, mas também o desenvolvimento do mercado de capitais no financiamento das empresas, a taxa de crescimento do crédito a pessoas jurídicas reduziu-se, em relação a 2005, de 17,2% para 14,4%, afetando especialmente as modalidades que mais utilizam recebíveis comerciais como garantia, como, por exemplo, desconto de duplicatas.

De um modo geral, o cenário mais favorável ao crédito tem razões macroeconômicas, como o controle da inflação, além de refletir os resultados da agenda de reforma microeconômica, como a criação do crédito consignado.

O crédito no Brasil, em 2006

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