Textos com assunto: câmbio

Juros, câmbio, investimento e exportações no Brasil entre 2011 e 2014

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Edição: Ano 24 nº 06 - 2015

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O investimento e as exportações são variáveis centrais para o crescimento econômico a longo prazo. O investimento é necessário para o aumento da capacidade produtiva da economia, ao passo que as exportações são decisivas para relaxar a restrição externa ao crescimento. No debate brasileiro, com muita frequência argumenta-se que essas duas variáveis não assumem uma dinâmica satisfatória em virtude de dois preços macroeconômicos estarem “fora do lugar”: a taxa de juros muito alta inibiria os investimentos privados, e a taxa de câmbio muito valorizada faria o mesmo com as exportações.

De uma maneira geral, a política econômica praticada no primeiro mandato da Presidente Dilma Rousseff parece ter assumido esse diagnóstico. No segundo semestre de 2011, o Banco Central deu início a um ciclo de redução da taxa básica de juros que levou a meta da Selic ao nível nominal de 7,25% ao ano, no fim de 2012. O movimento reduziu a taxa overnight a níveis reais (critério ex-post) abaixo de 1% ao ano, no primeiro semestre de 2013. Houve também redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), implicando taxas de juros reais virtualmente nulas nas operações de crédito para investimento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O esforço de redução dos spreads dos bancos públicos e privados reduziu também significativamente as taxas reais de juros cobradas no crédito geral a pessoas jurídicas. Essas ações, em conjunto com as desonerações tributárias, parecem ter sido efetivas para reduzir o custo do investimento.

Em meio ao ambiente de estabilidade tanto da taxa de juros norte-americana quanto da avaliação de risco-país medida pelo índice Emerging Markets Bond Index Plus (EMBI+), a redução da taxa Selic diminuiu o diferencial de juros em cerca de cinco pontos percentuais em um intervalo de apenas nove meses, permanecendo nesse nível por cerca de um ano. Em conjunto com outras ações, o movimento sugere que o Banco Central estivesse buscando desvalorizar a taxa de câmbio, ou ao menos deter o processo de apreciação que caracterizou os dois mandatos do Presidente Lula. De fato, a desvalorização da taxa de câmbio nominal acumulou praticamente 60% ao longo dos 48 meses do primeiro mandato da Presidente Dilma Rousseff. Em termos reais, a desvalorização foi pouco superior a 30% no mesmo período.

De modo geral, houve, portanto, redução do custo do investimento e desvalorização da taxa de câmbio. Esse movimento de preços relativos no sentido desejado por muitos economistas não resultou, entretanto, em alteração da dinâmica das quantidades de exportações e de investimento. De acordo com os índices divulgados pela FEE, o volume exportado pelo Brasil em 2014 foi cerca de 13% menor do que o exportado em 2010. A taxa de investimento, medida como a razão entre a formação bruta de capital fixo e o PIB a preços constantes de 1995, não mostrou tendência de aumento, oscilando em torno do patamar de 22% ao longo do período 2011-14. Isso sugere que a dinâmica das exportações e do investimento dependa muito mais de outras variáveis de quantidades (como o crescimento da renda mundial no caso das exportações e o crescimento do PIB doméstico no caso do investimento) do que de alterações de preços relativos.

 

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Efeitos da taxa nominal de câmbio sobre o passivo externo líquido do Brasil

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Edição: Ano 23 nº 07 – 2014

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Ao longo dos 30 meses entre julho de 2011 e dezembro de 2013, a economia brasileira acumulou um déficit em transações correntes de cerca de US$ 162 bilhões, financiado por um ingresso líquido de capitais externos da ordem de US$ 187 bilhões. Em princípio, a absorção de fluxos de capitais externos é um fator que implica aumento do estoque de passivo externo da economia receptora. No caso do Brasil, houve, entretanto, uma redução de 26,7% no passivo externo líquido, ao longo desse mesmo período. Como se pode explicar esse aparente paradoxo de absorver um volume considerável de capitais do exterior e, ao mesmo tempo, reduzir o passivo externo líquido?

A resposta para essa questão passa pela composição desse passivo externo, no que diz respeito à unidade monetária em que se encontra denominado. Uma característica importante da acumulação de passivo externo do Brasil ao longo dos anos 2000 foi uma expressiva participação de passivo denominado em moeda doméstica. O valor em dólares desse tipo de passivo altera-se com as variações da taxa nominal de câmbio: uma valorização cambial aumenta o seu valor em dólares, enquanto uma desvalorização cambial o reduz.

Sendo assim, a redução do passivo externo líquido da economia brasileira desde meados de 2011 pode ser atribuída a um processo de redução do valor em dólares dos passivos externos denominados em moeda doméstica, associado à persistente desvalorização cambial observada no período. Mesmo que, conforme observado, a economia brasileira tenha continuado a absorver capitais externos, o efeito da desvalorização cambial de cerca de 50% em termos acumulados mais do que compensou o efeito daqueles fluxos, implicando, assim, redução do estoque de passivo externo.

As informações disponibilizadas pelo Banco Central do Brasil sobre a Posição Internacional de Investimentos permitem analisar quais dos componentes do passivo externo líquido estão mais sujeitos a esses fatores patrimoniais associados às variações da taxa nominal de câmbio. Essa análise desagregada revela que os componentes afetados pela variação cambial são: (a) participação no capital; (b) investimentos em ações; e, em menor intensidade também, (c) títulos de renda fixa. Por sua vez, os componentes não afetados pela variação cambial são: (d) empréstimos intercompanhia; (e) derivativos; e (f) outros investimentos. Ainda que não se possa afirmar com certeza que os passivos dentro de cada uma dessas rubricas sejam homogêneos, podem-se agregar os componentes (a), (b) e (c), de modo a obter uma estimativa do valor em dólares do passivo externo denominado implicitamente em moeda doméstica (DR$). O agregado formado pelos componentes (d), (e), (f), por sua vez, representa uma estimativa para o estoque de passivo externo denominado e valorado em dólares (DUS$).

O Gráfico mostra a evolução da razão entre esses dois estoques desde dezembro de 2001. Percebe-se que a proporção entre passivos denominados em moeda doméstica e em estrangeira cresceu rápida e intensamente a partir de 2005. Esse movimento se deu não só em função da absorção de grandes fluxos de capital externo, mas também pela valorização cambial do período. No trimestre imediatamente anterior à eclosão da crise financeira internacional, o estoque de passivos em moeda doméstica era aproximadamente oito vezes maior do que o estoque de passivo em moeda estrangeira. Esse fator, junto com o elevado volume de reservas internacionais acumuladas, foi fundamental para que a economia brasileira pudesse transpor o período mais crítico da crise internacional sem grandes percalços. Apesar de ter gerado graves dificuldades financeiras para algumas empresas domésticas envolvidas em atividades especulativas, a desvalorização cambial de quase 50%, ocorrida no segundo semestre de 2008, não exerceu efeito desestabilizador. Pelo contrário, dada a elevada participação de passivo denominado em moeda doméstica, o valor em dólares do passivo externo líquido caiu cerca de US$ 350 bilhões nesse intervalo de apenas seis meses.

Com respeito ao período recente, observa-se que a proporção entre passivos em moeda doméstica e em externa já é muito menor e que, portanto, o efeito estabilizador diante de desvalorizações mais bruscas da taxa de câmbio já não seria tão intenso. Isso não significa, entretanto, que a posição externa da economia brasileira seja frágil, uma vez que os problemas de liquidez externa costumam ocorrer quando a proporção entre a dívida externa de curto prazo (um dos componentes do passivo denominado em dólar) e as reservas internacionais é elevada. Considerando a posição de dezembro de 2013, as reservas internacionais são cerca de 10 vezes maiores do que aquele estoque de dívida, caracterizando uma posição bastante robusta sob o ponto de vista da liquidez.

Tratando-se, entretanto, de uma economia periférica em um cenário de volatilidade dos fluxos de capitais, todo cuidado sempre será pouco. É preciso avançar para além de uma demanda genérica por controles de capitais, sendo necessário identificar mais claramente que tipo específico de estrutura patrimonial pode garantir uma posição mais robusta diante das turbulências dos mercados financeiros internacionais. A experiência dos últimos anos demonstrou que a acumulação de passivo externo em moeda doméstica, associada a um estoque considerável de reservas internacionais, permitiu ao Brasil passar de forma relativamente tranquila por um período bastante complicado no cenário internacional.

Razão entre o estoque de passivos em reais e o estoque de passivos em dólares (DR$/DUS$) no Brasil — dez./01-dez./13

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Por que a taxa de juros básica da economia brasileira (Selic) é alta?

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Edição: Ano 20 nº 09 - 2011

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A taxa de juros básica do Brasil é uma das mais altas do mundo (12,5% ao ano) e, se descontada a inflação, a maior de todas. A razão mais forte de um patamar tão elevado é a persistência no uso do sistema de metas de inflação, sem atentar para as causas que a elevam, como os mecanismos de propagação dos juros e o uso de compulsórios.

Os canais de transmissão da política monetária, que propagam o impacto da taxa Selic, estão obstruídos. Do lado dos ativos dos agentes, como parte da dívida é pós-fixada, a cada aumento da taxa, há um efeito-renda positivo, em vez de negativo, no consumo dos agentes. Entretanto é no lado do passivo, no canal dos financiamentos, que o efeito da alta de juros é fraco.

O mercado de crédito, no Brasil, tem três segmentos. Um é o tabelado, que inclui os recursos do BNDES, o crédito rural, parte do habitacional e quase todo o consignado. Esse segmento não é afetado pela taxa básica do Governo. Outra parte é o concedido no cartão de crédito, sobre o qual não recai compulsório que iniba a sua expansão. Nesse segmento, os juros cobrados são altíssimos e quase não sofrem influência da política monetária. O terceiro segmento é o restante do crédito, que, devido, por exemplo, aos compulsórios, tem abafado a difusão de alterações de juros nos preços.

Tornar o mercado de crédito mais competitivo é pré-requisito para uma transmissão de política monetária mais eficiente no controle da inflação. Isso demanda fazer com que todas as operações tenham taxas ajustadas ao risco conhecidas por instituição e por tipo de operação, bem como que os financiamentos direcionados e tabelados variem como uma proporção da Selic, e não com uma taxa fixa.

Já o uso dos recolhimentos compulsórios foi eliminado em quase todo o mundo. Sua elevação tira liquidez do mercado interno, fazendo, por um lado, com que bancos pequenos e médios reduzam suas operações e induzam seus tomadores de financiamentos ao mercado de cartões de crédito e, por outro, motivando grandes instituições a captarem recursos no exterior para atender à demanda de empréstimos no país. É uma medida que diminui a concorrência no mercado, agrava o problema de valorização da moeda do país e tem um efeito pífio na inflação.

Finalmente, a maior falha do atual modelo é que a taxa a ser anunciada ao final de cada reunião do Copom tem pequena importância numa perspectiva de longo prazo. A autoridade monetária não determina a taxa de juros de equilíbrio, apenas fixa a Selic num patamar considerado consistente com a meta de inflação. Dessa forma, o modelo desconsidera que a inflação é resultado não apenas da eficiência dos mecanismos de transmissão, mas também da dinâmica fiscal, do quadro institucional e das demais condições estruturais da economia

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O impacto da taxa de câmbio real efetiva nas exportações do RS

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Edição: Ano 19 nº 12 - 2010

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As exportações brasileiras, entre janeiro e setembro de 2010, cresceram 11,8% em volume em relação ao mesmo período de 2009. Por outro lado, as exportações do Rio Grande do Sul caíram 4% em volume durante igual período. Essa diferença indica que as exportações brasileiras estão em um ritmo superior às do RS durante o ano de 2010. Durante o período 2003-10 a perda de competitividade causada pelo aumento dos custos das exportações foi similar entre o Brasil e o RS, visto que a taxa de inflação brasileira foi muito semelhante à gaúcha. Além disso, a taxa de câmbio nominal é igual para ambas as unidades analisadas, mas a estrutura dos parceiros comerciais é diferente. A participação da Argentina nas exportações gaúchas é 30,3% maior do que nas exportações brasileiras, bem como a participação da Rússia é 35% maior nas exportações do RS do que nas do Brasil. Entre 2003 e 2010, o real valorizou-se, respectivamente, 55% e 41,6% em relação ao peso argentino e o rublo russo, indicando que as moedas dos países para os quais o RS exporta proporcionalmente mais do que o Brasil desvalorizaram mais do que o dólar, perante o qual o real se valorizou em 39,2%. Existe, assim, a possibilidade de a taxa de câmbio estar afetando as exportações gaúchas com maior intensidade do que as exportações brasileiras.

Para calcular-se a taxa de câmbio real efetiva (TCRE) para o RS, é necessário ponderar a taxa de câmbio nominal pelo diferencial de inflação entre o país de destino das exportações e o RS. Além disso, deve-se incluir a participação de cada país de destino nas exportações gaúchas. Assim, chega-se a uma taxa de câmbio para o RS que leva em consideração a variação nos custos de produção e o peso de um país nas exportações gaúchas. O mesmo é feito para o Brasil, que possui uma taxa de inflação muito semelhante à do RS, mas os países de destino das exportações possuem pesos diferentes, gerando, então, uma discrepância entre ambas as taxas. Essa diferença pode explicar o ritmo de crescimento das exportações gaúchas inferior ao ritmo nacional, devido à possível perda de competitividade das exportações gaúchas acima da média nacional.

As diferenças na pauta e nos pesos dos países de destino das exportações impactaram a TCRE, com uma valorização de 4,97% em relação à TCRE calculada para o Brasil. Devido à grande diferença no crescimento das exportações brasileiras e gaúchas, em princípio, o diferencial existente explica apenas parcialmente o ritmo inferior das exportações gaúchas. Logo, outros motivos podem ser relevantes para elucidar tal questão, como a safra de fumo gaúcha em 2010, inferior à de anos anteriores, que afeta tanto as exportações da agricultura como as da indústria de beneficiamento do fumo. Outro fator que contribui é a forte demanda por produtos da indústria extrativa brasileira, que representa 22% das exportações do Brasil. No entanto, essa representa menos de 1% das exportações do RS e exporta produtos que não são beneficiados pelo crescimento da demanda internacional.

O impacto da taxa de câmbio real efetiva nas

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O Mac Câmbio e o real

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Edição: Ano 19 nº 11 - 2010

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São tantas as determinações da taxa de câmbio que é difícil não se perder nas particularidades e nas complexidades imanentes: (a) às transações comerciais internacionais, reguladas por vantagens relativas (em oposição às absolutas, que regulam as trocas internas); (b) aos movimentos de globalização produtiva e à disputa entre os blocos transnacionais e nacionais de capital; e (c) aos movimentos especulativos do capital financeiro em busca do maior ganho líquido (juro mais apreciação cambial) de curto prazo. Nesse emaranhado, poucos economistas aventuram-se a identificar “a” taxa de câmbio de equilíbrio.

Como os homens práticos precisam de referências, a The Economist criou uma medida simples de alinhamento cambial: o Mac Câmbio. O sanduíche Big-Mac do Mac Donald’s tem todas as características de uma cesta ideal: é exatamente igual em todos os países, utiliza insumos da agropecuária, dos Serviços Industriais de Utilidade Pública, da indústria e dos serviços; mas é um não tradeable, de forma que seu preço não é uniforme no mercado mundial. Assim, se comparamos seu preço em dólar nos EUA com seu preço em dólar (pelo câmbio oficial) nos demais países, temos uma noção do grau de (dis)paridade do poder de compra das moedas. E o Mac Câmbio revela o que é óbvio para todos os que viajam ao exterior: enquanto o real disputa o título da moeda mais valorizada do mundo, o yuan é a mais desvalorizada! Com as taxas de juros mais altas do mundo, o Brasil é o campeão do ingresso especulativo de capitais. Para os técnicos do Bacen, trata-se de política anti-inflacionária. O que eles não explicam é porque o Brasil só consegue controlar a inflação com juros usurários. Talvez encontremos a resposta identificando quem ganha com a ortodoxia monetária em curso.

O Mac Câmbio e o real

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O saldo cambial brasileiro em 2009

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Edição: Ano 19 nº 02 - 2010

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Diferentemente dos anos anteriores, quando o superávit comercial garantiu o saldo cambial total, em 2009 os principais responsáveis pela entrada de recursos no País foram as operações financeiras, as quais abrangem as operações com capitais (investimento direto, em Bolsa, renda fixa e empréstimos em moeda) e serviços (turismo, pagamento de juros e remessa de lucros).

No primeiro semestre do ano passado, ainda sob o efeito da fuga de capitais que assolou a economia brasileira no último trimestre de 2008, o saldo das operações financeiras foi negativo em mais de US$ 10 bilhões, enquanto o movimento do câmbio comercial aproximou-se dos US$ 13 bilhões positivos. A virada ocorreu no terceiro trimestre, quando o resultado comercial registrou um déficit de quase US$ 5 bilhões, e o superávit financeiro ultrapassou os US$ 10 bilhões.

Na tabela, é possível observar que, em 2009, houve um encolhimento em todas as contas do mercado de câmbio em relação a 2008. Pelo lado comercial, tanto as exportações quanto as importações e, pelo lado financeiro, tanto as compras quanto as vendas de dólares registraram queda, fruto da recessão mundial. Se os contratos cambiais de importação diminuíram, como resultado da menor atividade econômica e da redução nos financiamentos externos, os contratos cambiais de exporta ção caíram não só pelos mesmos motivos, mas também pelo fato de muitas empresas terem deixado parte dos dólares dessas operações fora do País para custear despesas com importação de insumos e pelo próprio preço do dólar, que voltou a cair em 2009, em relação às principais moedas, especialmente o euro e o iene.

Com a boa resposta da economia brasileira à crise internacional, dentro do clima de incertezas globais e poucas perspectivas de 2009, o capital estrangeiro buscou alternativas no País. A expectativa de melhor desempenho da atividade econ ômica local estimulou os estrangeiros a aqui fazerem investimentos diretos e a comprarem ações em Bolsa.

A partir de 2010, porém, o superavit no fluxo cambial deve diminuir. O País tenderá a registrar saldos comerciais cada vez menores, por causa do aumento das importações, fruto do maior crescimento econômico, mas o financeiro também será mais fraco, até porque a Bolsa se valorizou bastante, e outros mercados podem se mostrar mais atrativos que o Brasil. Muitos acreditam que a Bovespa já subiu muito e que, portanto, valeria a pena pensar em outras alternativas. Com as economias dos países desenvolvidos se recuperando, a tendência é de as taxas de juros subirem por lá, deslocando parte do capital que hoje migra para países emergentes como o Brasil.

A carta na manga do Brasil é que, atualmente, o País passou a depender menos dos empréstimos e a contar mais com investimentos diretos e em carteira. Além disso, o Bacen tem reservas suficientes (mais de US$ 240 bilhões) para bancar eventuais fugas de capital e as consequentes oscilações na taxa de câmbio, o que garante uma certa estabilidade no mercado cambial, inexistente há alguns anos.

O saldo cambial brasileiro em 2009

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O câmbio em 2009

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Edição: Ano 18 nº 06 - 2009

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Desde abril, a taxa de câmbio vem caindo, fruto da melhora no afluxo de dólares; no câmbio comercial, devido à venda antecipada de dólares pelos exportadores, temerosos de maior valorização do real; no financeiro, pela volta das aplicações de curto prazo, inclusive as de carry trade (aplicadores tomam empréstimos em países com baixas taxas de juros e os aplicam naqueles com taxas mais altas). No Brasil, o aplicador beneficia-se, além da taxa de juros, também da variação cambial negativa.

Por outro lado, a entrada de investimento externo direto (IED) está menor. Com um perfil menos volátil e de menor dependência de fatores conjunturais, o IED resulta de decisões de mais longo prazo, e só agora o efeito contágio da crise o está atingindo. Com a diminuição do IED e a retomada das operações de carry trade, o ingresso de dólares no País, pelolado financeiro, apresenta maior risco de volatilidade, o que pode aumentar as incertezas sobre a taxa de câmbio no futuro, com seus efeitos estendendo-se para o setor produtivo.

Além do menor IED, fato que contribui para segurar a desvalorização do dólar, o Bacen também tem atuado visando diminuir a queda da taxa de câmbio, pois voltou a comprar dólares nos mercados à vista (spot) e futuro, além de ter retomado os leilões de swap cambial reverso, um derivativo no qual o Bacen paga a variação da Selic e recebe a variação cambial.

Desse modo, pode-se esperar que a taxa de câmbio nominal se estabeleça em níveis mais baixos do que os registrados no final de 2008, embora os dias de real muito sobrevalorizado pareçam já fazer parte do passado.

O câmbio em 2009

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A exigência provocada pela desvalorização cambial

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Edição: Ano 17 nº 12 - 2008

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Nos cinco anos transcorridos desde 2004, a economia brasileira experimentou seu melhor período dos últimos quase 30 anos, caracterizado pela aceleração do crescimento e pela boa evolução das mais importantes variáveis macroeconômicas. A pedra fundamental desse quadro foi o processo de ajuste externo da economia e, no núcleo desse ajuste, a espetacular melhora do desempenho da balança comercial. Cabe apontarem-se os seguintes aspectos vinculados ao ajuste externo: o forte crescimento das exportações, que permitiu o acelerado aumento das importações, sem maiores prejuízos para os saldos comerciais anuais até 2007; a eliminação da dívida externa líquida; e a conta financeira do balanço de pagamentos, que passou a registrar vultosas entradas de investimentos externos desde 2006. Essas circunstâncias sustentaram, de meados de 2004 a agosto de 2008, uma tendência de valorização cambial.

Observando os índices da taxa real anual de câmbio (gráfico), constata-se, em 2007, relativamente a 2004, valorização acumulada do real frente ao dólar de 29,1%; de agosto de 2007 a agosto de 2008, a valorização foi de 17,8%. A valorização cambial e o aumento das importações constituíram um importante fator de contenção das taxas de inflação, o que contribuiu, de forma crucial, para certo afrouxamento da política monetária e para a elevação das taxas de crescimento da economia. A crise internacional, ao desencadear grande desvalorização cambial, quebrou a solidariedade (ao menos de curto prazo) entre a evolução da taxa de câmbio e o crescimento da economia. Pelo mesmo motivo, olhando para além da duração do paroxismo da crise, coloca-se a necessidade de ampliação da responsabilidade da política fiscal para assegurar a possibilidade de taxas de juros mais baixas, visando favorecer o crescimento do produto nacional.

A exigência provocada pela desvalorização cambial

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A rápida queda do saldo da balança comercial brasileira

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Edição: Ano 17 nº 06 - 2008

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Do lançamento do Plano Real a 2001, o desempenho da balança comercial brasileira foi precário. Por isso, mantiveram-se excessivos os déficits em transações correntes e as necessidades de financiamentos externos da economia. Como conseqüência, o País experimentou instabilidade e crises cambiais repetidas, o que foi decisivo para manter baixa a taxa média de crescimento da economia. A partir do segundo semestre de 2001, as exportações passaram a crescer mais rapidamente do que as importações. A balança comercial galgou superávits elevados e crescentes; a conta de transações correntes passou a ser superavitária. Dissipou-se o obstáculo externo para acelerar o crescimento. A melhora das contas externas, ao lado da vultosa entrada de capitais externos (em grande parte, atraídos pelas altas taxas de juros), causou uma tendência de valorização cambial, que, cada vez mais, tem estimulado as importações e onerado as exportações. A partir de 2006, o crescimento das importações acelerou-se mais e mais (ver tabela) e suplantou larga e persistentemente o das exportações. O saldo comercial tem caído com velocidade crescente. Em 2007, caiu 13,8% frente a 2006. A soma dos 12 meses encerrados em maio último apresentou queda de 32,4% frente a igual período anterior. Esses fatos levantam a pergunta: o câmbio flutuante induzirá um equilíbrio das contas externas propício ao crescimento, ou se está assistindo ao prenúncio de problemas já experimentados no passado?

A rápida queda do saldo da balança comercial brasileira

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A redução na cobertura cambial

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Edição: Ano 15 nº 09 - 2006

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O pacote cambial que flexibilizou a obrigatoriedade de conversão para o real das receitas de exportação deve ser abordado levando-se em conta não apenas os interesses da classe exportadora, mas também a questão da vulnerabilidade externa do País. Assim, é preciso destacar que a entrada de recursos das exportações de bens e serviços para o País é a única forma de se obterem divisas, sem a implicação de compromissos posteriores, como pagamento de amortizações, remessa de juros, de lucros, de dividendos, etc. E, caso haja algum revés no câmbio, a permissão para os exportadores manterem parte de seus dólares no exterior agravará ainda mais a situação.

Se houver escassez de moeda estrangeira devido a uma crise no balanço de pagamentos, o Banco Central perderá seu mais importante aliado, seu maior fornecedor de divisas, nos últimos anos, para enfrentar ataques ou corridas contra o real, como pode ser visto na tabela. Os exportadores, em uma situação dessas, estando protegidos, enquanto o resto do País estará em default, não irão querer correr riscos, colocando seus dólares à disposição, para a nação contrapor-se à fuga de capitais, a não ser que sejam obrigados.

Atualmente, esse risco parece não existir, devido à grande liquidez internacional e aos altos juros aqui praticados, e a flexibilização na cobertura cambial até agora não afetou a cotação da moeda norte-americana no Brasil. Mas, até quando vai perdurar essa fase? Mesmo com a possibilidade de, em caso de crise, o Conselho Monetário Nacional poder alterar a medida, a qualquer momento reduzindo ou até mesmo eliminado a permissão de manter os dólares no exterior, isso poderá criar dificuldades futuras, principalmente na forma de pressão, exercida pelos exportadores, contra a anulação da medida.

Movimento de câmbio no Brasil — 2000-1º sem./06

FONTE: Banco Central do Brasil.
(1) Exclui operações interbancárias e operações externas do Banco Central. (2) Movimentações relacionadas com transferências internacionais em reais, no País, de domiciliados no exterior.

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