Textos com assunto: balança comercial

O déficit comercial da saúde

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Edição: Ano 25 nº 12 – 2016

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A produção industrial de bens vinculados à saúde está quase toda inserida em quatro grupos da Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE 2.0), sendo eles os que tratam da fabricação de (a) produtos farmoquímicos; (b) produtos farmacêuticos; (c) aparelhos eletromédicos e eletroterapêuticos e equipamentos de irradiação; e (d) instrumentos e materiais para uso médico e odontológico e de artigos ópticos. O gráfico mostra a balança comercial brasileira desses grupos de produtos entre 2007 e 2015, período para o qual foi possível obter dados comparáveis entre si. A classificação da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) foi traduzida para a da CNAE através do Sistema de Exportações FEE (SisExp), e os dados foram obtidos através do Sistema Alice, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Esses dados revelam um elevado déficit comercial: com valores atualizados pelos preços de 2015, o saldo negativo em produtos da saúde passa de cerca de US$ 5 bilhões em 2007 para algo em torno de US$ 10 bilhões em 2013, havendo um leve arrefecimento nos anos subsequentes, para, aproximadamente, US$ 9 bilhões. Em 2016, até outubro, o déficit já era de US$ 7 bilhões, o que indica um patamar anual próximo ao dos anos anteriores.

Embora o déficit comercial na saúde seja estrutural, ele aumentou muito nos anos 2000, especialmente entre 2003 e 2013. A origem desse crescimento, no entanto, remonta aos anos 90, com a criação e/ou regulamentação de diversos órgãos e/ou atividades, objetivando a universalização da saúde básica. Como exemplo, tem-se o surgimento do Sistema Único de Saúde (SUS, regulamentado em 1990), do programa Agentes Comunitários da Saúde (1991), do programa Saúde da Família (1994), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (1999) e da Política Nacional de Medicamentos Genéricos (1999). Esse processo teve continuidade na década seguinte com a estruturação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (2000), do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (2003) e do programa Farmácia Popular (2004).

Paralelamente a isso, no decorrer dos anos 2000, verificou-se um razoável crescimento da economia brasileira e, o mais importante, um expressivo aumento na renda da população mais pobre. Na área da saúde, isso resultou, dentre outras consequências, no número de beneficiários dos planos de saúde suplementar: eram 30 milhões no inicio de 2000 e atualmente são cerca de 49 milhões. Ademais, também nesse período, acelerou-se a mudança do perfil demográfico da população: os brasileiros maiores de 60 anos passam de 14 para 25 milhões de pessoas entre 2000 e 2016.

Então, a conjugação de pelo menos três fatores (a expansão dos serviços, o crescimento da renda e a mudança do perfil demográfico) alavancou a demanda por produtos da indústria farmacêutica e da indústria de equipamentos para a saúde. Como a oferta interna não conseguiu responder adequadamente, o resultado foi o aumento das importações e, por conseguinte, do déficit.

A principal dificuldade para o êxito de uma substituição de importações no Brasil decorre da existência de barreiras à entrada, tanto na indústria farmacêutica quanto na de equipamentos de saúde. São relativamente poucas as empresas que dominam a produção desses bens em escala mundial. Os elevados gastos exigidos em P&D para a permanente inovação tecnológica, necessária à competitividade nessas atividades, dificultam o ingresso de novas empresas nesses mercados, mas têm acontecido exceções nesse processo.

Um exemplo é o crescimento do mercado de genéricos, cujas empresas, aproveitando-se do vencimento da validade das patentes, podem colocar esses medicamentos no mercado a preços bem inferiores aos dos produtos de referência. Criada em 1999, a política de medicamentos genéricos permitiu que, em 2015, esses produtos já respondessem por 30% das vendas em unidades — e por 24% em valor — no mercado farmacêutico do País. Outro exemplo vem de políticas de descentralização da produção realizada por algumas empresas transnacionais. Num movimento que começou a ganhar força a partir do final da década passada, empresas de equipamentos para diagnóstico por imagem começaram a montar esses aparelhos no Brasil, utilizando cada vez mais componentes aqui produzidos. O objetivo delas é aproveitar a dimensão do mercado brasileiro de saúde, atualmente o sexto maior do mundo.

É possível imaginar uma ampliação da participação dos medicamentos genéricos na matriz brasileira de produtos farmacêuticos, uma vez que, em alguns países desenvolvidos como Alemanha, Reino Unido e EUA — onde essa prática existe há mais tempo —, a presença dos genéricos é, no mínimo, o dobro da aqui verificada. Além disso, existe também a possibilidade das empresas transnacionais, particularmente as de equipamentos da saúde, utilizarem o Brasil como plataforma de exportação para outros países da América do Sul.

Por fim, uma menção ao papel do Estado: atualmente, 151 milhões de brasileiros são atendidos exclusivamente pelo SUS, o que torna esse programa o maior serviço universal, público e gratuito de saúde do mundo. Para sustentar serviços como esse, as compras governamentais representaram, em 2015, cerca da metade dos gastos totais com saúde no País. Existem ainda alguns programas para incentivar a produção local, como a Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), do Ministério da Saúde. Portanto, o volume e o direcionamento dos gastos públicos na saúde também influenciam no saldo de sua balança comercial.

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Como citar:

GARCIA, Álvaro Antônio Louzada. O déficit comercial da saúde Carta de Conjuntura FEE. Porto Alegre, disponível em: <http://carta.fee.tche.br/article/o-deficit-comercial-da-saude/>. Acesso em: 21 de outubro de 2017.

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A “melhora” da balança comercial brasileira em 2015

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Edição: Ano 24 nº 11 – 2015

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A balança comercial brasileira, nos primeiros nove meses de 2015, apresentou uma aparente melhora. O saldo comercial no acumulado até setembro ficou positivo em US$ 10,2 bilhões, enquanto, no mesmo período do ano anterior, o resultado foi um déficit de US$ 741 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

No entanto, esse resultado está longe de ser motivo de comemoração, haja vista sua simultaneidade com a redução da corrente de comércio em quase 20%. Isso porque as vendas externas se retraíram em 16,78%, mas as compras externas caíram ainda mais, 23,01%, o que explica o superávit alcançado.

Pode-se observar que a redução sincrônica no valor de exportações e importações vem ocorrendo desde a segunda metade do ano de 2014, conforme o gráfico abaixo. Esse movimento de declínio coincide com o início da fase de queda no preço das commodities, com a desvalorização do real em relação ao dólar e com um período de retração da economia brasileira. Por hipótese, esses fatores, em menor ou maior intensidade, podem explicar esse resultado.

Em uma tentativa de hierarquizar a importância desses diferentes fatores, convém analisar separadamente os diversos itens da pauta de exportações e importações e verificar sua contribuição (participação de cada produto na pauta multiplicada pela sua variação) para a queda de importações e exportações.

Conforme dados do MDIC, a contribuição de cada um dos diferentes grupos de produtos na variação negativa de 16,78% das exportações de janeiro a setembro de 2015, em relação ao ano anterior, descreve-se como: matérias-primas não comestíveis, exceto combustíveis (-6,84 p.p.); produtos alimentícios e animais vivos (-2,72 p.p.); combustíveis e lubrificantes, minerais e produtos conexos (-2,36 p.p.); máquinas e material de transporte (-1,73 p.p.); produtos químicos e produtos conexos (-0,77 p.p.); artigos manufaturados (-0,45 p.p.); artigos manufaturados diversos (-0,19 p.p.); e bebidas e fumo (-0,15 p.p.).

Esses dados evidenciam que: (a) a desvalorização cambial não foi suficiente para estimular exportações de manufaturados, até o momento; (b) os grupos de produtos com contribuição superior a 2 p.p. tiveram retração do valor de suas exportações devido, principalmente, à performance negativa dos preços de commodities (pois em volume não houve retração para esses grupos de produtos).

Por sua vez, o resultado negativo das importações teve as seguintes contribuições: máquinas e material de transporte (-7,53 p.p.); combustíveis e lubrificantes, minerais e produtos conexos (-6,40 p.p.); produtos químicos e produtos conexos (-2,99 p.p.); artigos manufaturados (-2,14 p.p.); artigos manufaturados diversos (-0,90 p.p.); produtos alimentícios e animais vivos (-0,86 p.p.); matérias-primas não comestíveis, exceto combustíveis (-0,33 p.p); óleos, gorduras e ceras de origem animal e vegetal (-0,07 p.p); e bebidas e fumo (-0,03 p.p.).

Diante disso, é possível verificar que a principal contribuição para a queda das importações veio do setor de máquinas e material de transporte. Nesse caso, teoricamente, tanto a desvalorização cambial quanto a recessão interna poderiam explicar esse resultado.

Todavia entre esses dois fatores — câmbio ou recessão —, o efeito da estagnação econômica parece ser mais relevante para a queda das importações no atual estágio recessivo da economia brasileira. Isso porque, nessa conjuntura, é difícil imaginar aumento do investimento e, consequentemente, das compras externas de máquinas e equipamentos, mesmo se o câmbio estivesse mais valorizado, a menos que estivesse ocorrendo uma reestruturação significativa do parque industrial. Um exemplo disso é a economia brasileira nos anos 90, na qual o efeito da taxa de câmbio parece ter sido mais decisivo na variação das importações.

Por sua vez, o setor de combustíveis e lubrificantes, minerais e produtos conexos também está em destaque em termos de variação negativa no valor das compras externas. Nesse caso, constata-se redução em volume (-8,07%), mas o efeito-preço (-40,81%) se sobressai, diante da conjuntura de forte queda no preço internacional do petróleo.

Em suma, duas considerações emergem a partir desse estudo. Em primeiro lugar, a retração das importações evidencia a inexistência de políticas econômicas para sustentar um crescimento econômico mais robusto.

Essa ausência, por sua vez, é consequência da falta de autonomia do País, tanto no plano interno — resultado da instabilidade política — quanto no plano externo, a qual se concretiza na submissão às exigências das agências de classificação de risco quanto à adoção de políticas de austeridade.

Em segundo lugar, reflete a dependência das exportações brasileiras em relação aos cíclicos e voláteis preços internacionais de commodities, além do baixo dinamismo dos produtos manufaturados brasileiros no comércio internacional.

Assim, diante disso, pode-se concluir que esse superávit comercial não pode ser considerado algo positivo para a economia brasileira. Na verdade, ele é o reflexo das suas próprias fragilidades.

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Os preços das commodities e a balança comercial brasileira em 2013

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Edição: Ano 22 nº 07 - 2013

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Os preços das commodities, com exceção dos cereais, têm apresentado tendência de queda em 2013. De dezembro de 2012 a maio de 2013, o índice geral de commodities do FMI recuou 2,0%, assim como o índice de petróleo, enquanto o de metais caiu 8,5%. O índice de alimentos apresentou elevação de 2,0% no mesmo período e alta de 7,6% em maio deste ano, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. Apesar disso, o índice de alimentos está 4,9% abaixo do pico atingido em abril de 2011 e 1,7% aquém do valor máximo de 2012, atingido no mês de agosto.

Em maio de 2013, em relação ao mesmo mês do ano passado, as quedas foram de 3,3% no índice geral, de 8,8% no índice de metais e de 4,7% no índice de petróleo. Os produtos em destaque, por seu comportamento negativo, são: o arroz, o açúcar, o café e o minério de ferro, com quedas de 9,9%, 15,1%, 14,4% e 9% respectivamente. Já os produtos com alta no período são: a soja, o trigo e o milho, com elevações de 4,1%, 20,7% e 9,9%, nessa ordem.

Dada a sensibilidade das contas externas brasileiras com relação ao comportamento desses preços, justifica-se a análise desse impacto. O déficit comercial acumulado de janeiro a abril de 2013 alcançou US$ 6.151 milhões, enquanto, no mesmo período de 2012, houve um superávit de US$ 3.299 milhões. Em 2013, no acumulado até abril, as exportações somaram US$ 71.468 milhões, uma redução de 4,3% em relação ao mesmo período do anterior; e as importações, US$ 77.619 milhões, uma elevação de 8,79%. Já no primeiro semestre de 2013, o déficit comercial é de US$ 3.000 milhões, resultado das exportações acumuladas de US$ 114.500 milhões e importações de US$ 117.500 milhões. O déficit do semestre é inferior ao do quadrimestre, uma vez que, em maio e junho, foram alcançados superávits de US$ 759 milhões e de US$ 2.394 milhões respectivamente. Ou seja, o pior resultado ocorreu no primeiro quadrimestre, sendo janeiro o pior mês, com déficit comercial de US$ 4.040 milhões.

Nos primeiros quatro meses de 2013, as exportações de produtos básicos caíram 4,8% em relação a igual período de 2012, enquanto as de produtos semimanufaturados ficaram estáveis. Já os artigos manufaturados tiveram resultado semelhante ao primeiro grupo. No que concerne aos preços das exportações, os preços de produtos básicos apresentaram elevação de 2,8%, ou seja, o movimento de retração de alguns preços das commodities ainda não se refletiu de forma consistente no comportamento dessa classe de produtos. Já os preços dos semimanufaturados tiveram queda de 9,6%, e os dos manufaturados caíram 3,7%. O índice de quantum apresentou queda de 7,1% para o primeiro grupo, elevação de 11,1% para o segundo e retração de 1,3% para o último. Ao analisarem-se as exportações através das categorias de uso, o destaque negativo é a performance das vendas externas de combustíveis. Apesar da queda de 9,1% nos preços, a variação no quantum foi superior: -43,0%.

Sob a ótica das importações, destacam-se as compras externas de bens de consumo não duráveis, com elevação no valor das exportações de 12,5%, e as compras de combustíveis, com alta de 21,2% no quantum, arrefecida pela redução nos preços de 3,1%. Examinando-se somente a conta de combustíveis, o déficit é de US$ 9.665 milhões, superior ao déficit da balança comercial. Se estivesse em equilíbrio, o resultado comercial seria um superávit de US$ 3.514 milhões, superior ao resultado do primeiro quadrimestre de 2012.

Portanto, a queda nas vendas externas de combustíveis, somada ao aumento nas importações desse produto, explica a maior parcela do desempenho da balança comercial nos primeiros quatro meses de 2013. Algumas análises atribuem esse resultado ao crescimento no consumo de combustíveis no País, ou seja, parte da produção antes destinada ao exterior foi deslocada para suprir a demanda interna. Outro fator é a redução planejada da produção na Petrobras, devido à necessidade de atividades de manutenção em campos de exploração. É preciso lembrar a inclusão nas contas externas de 2013 de parte das importações realizadas em 2012 por causa de alterações na forma de registro na Receita Federal.

Em suma, a performance, em quantidade, tanto das importações quanto das exportações de combustíveis, parece ter tido o maior efeito no saldo negativo da balança comercial no primeiro quadrimestre de 2013. Apesar de a maior parte do desempenho da balança comercial brasileira ser atribuída a acontecimentos pontuais, a esperada perda de fôlego dos preços commodities ainda não afetou, de forma significativa, as contas externas. Por esse motivo, é preciso estar em alerta para a possibilidade de essa tendência de enfraquecimento nos preços de commodities continuar e, em algum momento, sensibilizar o valor das exportações. Nesse cenário, há a possibilidade de redução não somente no preço das exportações de produtos básicos, mas também de redução do quantum das vendas externas de manufaturados. Isto porque importantes países compradores desses produtos são predominantemente exportadores de commodities, principalmente os parceiros comerciais latino-americanos, os quais têm sua capacidade para importar influenciada pelo seu desempenho exportador.

Os preços das commodities e a balança comercial brasileira em 2013

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A exigência provocada pela desvalorização cambial

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Edição: Ano 17 nº 12 - 2008

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Nos cinco anos transcorridos desde 2004, a economia brasileira experimentou seu melhor período dos últimos quase 30 anos, caracterizado pela aceleração do crescimento e pela boa evolução das mais importantes variáveis macroeconômicas. A pedra fundamental desse quadro foi o processo de ajuste externo da economia e, no núcleo desse ajuste, a espetacular melhora do desempenho da balança comercial. Cabe apontarem-se os seguintes aspectos vinculados ao ajuste externo: o forte crescimento das exportações, que permitiu o acelerado aumento das importações, sem maiores prejuízos para os saldos comerciais anuais até 2007; a eliminação da dívida externa líquida; e a conta financeira do balanço de pagamentos, que passou a registrar vultosas entradas de investimentos externos desde 2006. Essas circunstâncias sustentaram, de meados de 2004 a agosto de 2008, uma tendência de valorização cambial.

Observando os índices da taxa real anual de câmbio (gráfico), constata-se, em 2007, relativamente a 2004, valorização acumulada do real frente ao dólar de 29,1%; de agosto de 2007 a agosto de 2008, a valorização foi de 17,8%. A valorização cambial e o aumento das importações constituíram um importante fator de contenção das taxas de inflação, o que contribuiu, de forma crucial, para certo afrouxamento da política monetária e para a elevação das taxas de crescimento da economia. A crise internacional, ao desencadear grande desvalorização cambial, quebrou a solidariedade (ao menos de curto prazo) entre a evolução da taxa de câmbio e o crescimento da economia. Pelo mesmo motivo, olhando para além da duração do paroxismo da crise, coloca-se a necessidade de ampliação da responsabilidade da política fiscal para assegurar a possibilidade de taxas de juros mais baixas, visando favorecer o crescimento do produto nacional.

A exigência provocada pela desvalorização cambial

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A rápida queda do saldo da balança comercial brasileira

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Edição: Ano 17 nº 06 - 2008

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Do lançamento do Plano Real a 2001, o desempenho da balança comercial brasileira foi precário. Por isso, mantiveram-se excessivos os déficits em transações correntes e as necessidades de financiamentos externos da economia. Como conseqüência, o País experimentou instabilidade e crises cambiais repetidas, o que foi decisivo para manter baixa a taxa média de crescimento da economia. A partir do segundo semestre de 2001, as exportações passaram a crescer mais rapidamente do que as importações. A balança comercial galgou superávits elevados e crescentes; a conta de transações correntes passou a ser superavitária. Dissipou-se o obstáculo externo para acelerar o crescimento. A melhora das contas externas, ao lado da vultosa entrada de capitais externos (em grande parte, atraídos pelas altas taxas de juros), causou uma tendência de valorização cambial, que, cada vez mais, tem estimulado as importações e onerado as exportações. A partir de 2006, o crescimento das importações acelerou-se mais e mais (ver tabela) e suplantou larga e persistentemente o das exportações. O saldo comercial tem caído com velocidade crescente. Em 2007, caiu 13,8% frente a 2006. A soma dos 12 meses encerrados em maio último apresentou queda de 32,4% frente a igual período anterior. Esses fatos levantam a pergunta: o câmbio flutuante induzirá um equilíbrio das contas externas propício ao crescimento, ou se está assistindo ao prenúncio de problemas já experimentados no passado?

A rápida queda do saldo da balança comercial brasileira

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A balança comercial do RS em 2005

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Edição: Ano 15 nº 02 - 2006

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O saldo comercial do RS, em 2005, alcançou US$ 3,761 bilhões. Diferentemente do Brasil, cujas vendas externas se elevaram 22,63%, as exportações gaúchas cresceram apenas 5,82%; e, enquanto as importações do Estado aumentaram 26,49%, as do País ampliaram-se 17,06%.

O aumento das exportações gaúchas deveu-se ao desempenho dos produtos manufaturados, que aumentaram 16,05%
em relação a 2004, já que os básicos e os semimanufaturados registraram redução nas vendas de 8,02% e 1,81% respectivamente, devido, principalmente, à forte diminuição nas exportações de soja em grão e de óleo de soja em bruto, afetadas pela estiagem e pela queda nos preços externos.

O fumo foi o mais importante produto básico exportado pelo Estado no ano de 2005 e beneficiou-se do aumento tanto nos preços quanto na quantidade. No caso dos semimanufaturados, destacaram-se os couros e a celulose, ambos  com variação positiva. Quanto aos produtos manufaturados, a liderança continuou com os calçados, que, apesar do recuo nas  quantidades embarcadas, tiveram um aumento nos preços capaz de compensar a perda no volume. Os tratores –  — segundo lugar no ranking dos manufaturados exportados pelo RS -— tiveram aumento tanto na quantidade quanto nos preços.

Em relação às importações, o forte crescimento nas compras de produtos básicos deveu-se à elevação no preço do petróleo, enquanto o acréscimo na entrada de manufaturados pode ser explicado, em parte, pela aquisição de automóveis e microprocessadores. Dentre os semimanufaturados, destacaram-se as compras de cloreto de potássio e uréia, apesar de ambos terem registrado queda na quantidade.

A balança comercial do RS em 2005

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Balança comercial RS-Mercosul

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Edição: Ano 14 nº 10 - 2005

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Diferentemente do Brasil, cujo saldo comercial com o Mercosul foi positivo, o RS apresentou déficit no comércio com o bloco, de janeiro a agosto de 2005, em decorrência do comércio com a Argentina, pois, com o Uruguai e o Paraguai, a balança comercial foi favorável ao Estado.

Apesar do saldo negativo com a Argentina, o RS tem enfrentado algumas dificuldades com o protecionismo do país vizinho, especialmente em relação às exportações de calçados, com a imposição de cotas e a recente exigência de licença para a importação dos mesmos. Por outro lado, a Argentina tem sido um importante mercado para as vendas externas de plásticos e máquinas agrícolas pelo RS. Vale destacar ainda o aumento nas importações oriundas do Paraguai, em decorrência do aumento nas compras de trigo, milho, soja e couros.

Até agosto, as principais mercadorias exportadas pelo Estado para o Mercosul foram: plásticos; máquinas agrícolas e suas partes, especialmente tratores e colheitadeiras; óleo diesel; produtos químicos; adubos ou fertilizantes; calçados; produtos de ferro ou aço; pneus; e carnes suína e bovina.

Dentre as mercadorias importadas pelo RS com origem no Mercosul, nos primeiros oito meses de 2005, destacaram-se: combustíveis; veículos automotivos e suas partes; trigo; produtos químicos orgânicos; e couro bovino.

Balança comercial RS-Mercosul

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A balança comercial do RS no primeiro semestre de 2005

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Edição: Ano 14 nº 08 - 2005

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No primeiro semestre de 2005, a balança comercial do RS registrou um saldo positivo menor do que o do mesmo período de 2004, devido tanto ao fraco desempenho de suas exportações como ao forte crescimento de suas importações. Enquanto as exportações brasileiras cresceram 23,95% no período, as vendas do Estado ao exterior aumentaram apenas 5,81%. Já as importações gaúchas registraram um incremento de 30,49% contra uma elevação de 20,16% nas compras externas do País. Em conseqüência, ao passo que o saldo comercial do Brasil aumentou 31,09% no primeiro semestre deste ano, no RS, ele se retraiu em 21,09%, quando comparado ao dos primeiros seis meses de 2004. Mesmo assim, o RS ainda se manteve como o terceiro estado exportador do País, atrás de São Paulo e de Minas Gerais.

A estiagem no verão passado e a valorização cambial têm sido apontadas como as principais causas da pequena taxa de crescimento das vendas estaduais ao exterior. Os produtos básicos e os semimanufaturados, compostos, em grande parte, por bens agrícolas, tiveram retração de vendas no semestre, e apenas os manufaturados apresentaram crescimento em suas exportações. Mesmo assim, as receitas com os calçados de couro natural (principal produto da pauta exportadora gaúcha) elevaram-se apenas 4,7% no período, impulsionadas pelo aumento do preço médio, já que as quantidades embarcadas diminuíram. Os calçados foram afetados pela valorização cambial, tendo em vista a pouca utilização de componentes importados, o que atenuaria, em parte, a questão do câmbio. Ressaltam-se o aumento de 29,2% nas exportações de bens de capital pelo Estado e a queda de 7,7% nas vendas de bens intermediários, esta afetada pela redução de 83,8% nas exportações de alimentos e bebidas destinados à indústria.

Os principais produtos exportados pelo RS nos primeiros seis meses de 2005 foram: calçados de couro; fumo; carne de frango; tratores e suas peças; farelo de soja; carne suína; polietileno; carrocerias para ônibus; óleo de soja; colheitadeiras; e benzeno. E os principais destinos das exportações gaúchas foram: Estados Unidos, Argentina, Alemanha, Chile, Reino Unido, China, Rússia, México e Itália. Vale destacar-se que a China, mesmo fazendo parte da lista dos maiores mercados para os produtos gaúchos, apresentou uma redução de mais de 60% nas suas compras do RS, visto que o principal produto para lá exportado pelo Estado é a soja, cujas vendas se retraíram sobremaneira neste ano. Em contrapartida, as vendas do RS para o Chile, a Rússia e o México tiveram um Teresinha Bello (FEE/CEES) forte incremento. Para o Chile, os principais produtos exportados foram polietileno; carrocerias; reboques; tratores; e carne bovina. Para a Rússia, o RS vendeu carnes de suíno e de frango, fumo, calçados de couro e colheitadeiras. E, para o
México, o Estado exportou carrocerias; tratores e suas partes; calçados de couro; aparelhos de ar condicionado e suas partes; e fumo.

Já as importações gaúchas se originaram principalmente da Argentina, da Nigéria, da Argélia, dos Estados Unidos, da Alemanha, da Itália, da China e do Uruguai. Os principais produtos importados pelo Estado continuaram sendo combustíveis e lubrificantes, mas o aumento nessas despesas deveu-se exclusivamente à elevação nos preços, já que o volume diminuiu. Por outro lado, diferentemente do Brasil, cujas importações de bens de capital se elevaram 23,1%, as compras externas de bens de capital pelo Estado cresceram 89,6%, favorecidas principalmente pelo baixo preço do dólar e pela perspectiva de crescimento da economia gaúcha para 2005, embora esta não se tenha concretizado. Como existe uma certa defasagem entre a encomenda e a entrega da mercadoria e, para bens de capital, esse espaço de tempo, em geral, é um pouco maior, muitas encomendas foram realizadas meses atrás, quando se esperava uma taxa de crescimento razoável para o PIB gaúcho neste ano. Também contribuiu para o aumento das importações de bens de capital pelo RS a entrada em funcionamento do centro de distribuição da Toyota, com importações de veículos para carga.

A balança comercial do RS no primeiro semestre de 2005

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Comércio assimétrico com a Argentina

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Edição: Ano 13 nº 09 - 2004

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Uma análise do comércio Brasil-Argentina e RS-Argentina de 2000 a 2003 mostra que o saldo comercial com esse país foi sempre deficitário (gráfico). Em 1999, a alteração do regime cambial no Brasil aumentou a competitividade dos produtos brasileiros nos mercados externos e deu início às restrições comerciais impostas pela Argentina. Apesar de esse país, em fins de 2001, ter abolido o regime de conversibilidade com o dólar e desvalorizado sua moeda nos meses subseqüentes, essa situação foi acompanhada de uma grande crise interna. E, não obstante a forte recuperação da paridade cambial entre os dois países, o ano de 2002 apresentou a menor corrente de comércio bilateral. A partir de 2003, porém, os fluxos comerciais recuperaram-se, principalmente nas exportações brasileiras para a Argentina, a qual apresentou crescimento generalizado das importações. Enquanto o Brasil aumentou sua participação na pauta importadora da Argentina, esta perdeu representatividade nas importações brasileiras. Essa situação levou a Argentina a questionar os benefícios do processo de integração, aumentando as tensões no comércio, com a adoção de medidas protecionistas unilaterais.

Analisando-se a balança comercial com a Argentina de jan.-jul./04 em relação aos sete primeiros meses de 2003, observa- se que as exportações brasileiras e gaúchas para a Argentina cresceram, respectivamente, 80% e 67%, enquanto as importações oriundas desse país evoluíram apenas 12% para o Brasil e 15% para o Estado. Por decorrência, verificaram-se um saldo superavitário para o Brasil, ao contrário do que vinha ocorrendo, e um menor saldo deficitário para o RS.

Essa situação, parcialmente explicada pelas diferenças de estrutura do comércio bilateral e pelos respectivos tamanhos das economias, gerou grandes insatisfações e retaliações por parte dos argentinos e aprofundou as disputas comerciais entre as duas maiores economias do Mercosul. Várias medidas de caráter unilateral foram anunciadas — algumas já adotadas pela Argentina — para dificultar o acesso de alguns produtos brasileiros, como a adoção de cotas e licenças de importação, dentre outras.

Para os argentinos, essas medidas estão de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), tendo em vista a necessidade de proteger a indústria local, com capacidade ociosa, do elevado crescimento das importações, as quais estariam impedindo sua recuperação e comprometendo a geração de emprego. Tais medidas atingiram, em especial, os produtos eletrodomésticos — geladeiras, fogões, máquinas de lavar e televisores —, havendo uma ameaça sobre os calçados. Já os representantes do setor eletroeletrônico brasileiro afirmam que as restrições argentinas não se justificam e infringem as regras do Mercosul. A despeito das diferenças de opiniões, o Brasil não manifestou interesse em discutir a situação na OMC. Isto porque, em processos de integração, existem alguns custos que devem ser assimiláveis pelos maiores sócios, sem que isso represente abdicar da reciprocidade. No caso, se o Brasil quiser manter a hegemonia no Mercosul, talvez precise sustentar uma balança comercial deficitária com a Argentina, para favorecer os ajustes necessários a serem realizados nessa economia, já que, para o Brasil, o Mercosul representa, sobretudo, uma questão estratégica de geopolítica, além da inserção no mercado internacional.

Comércio assimétrico com a Argentina

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A balança comercial do RS no primeiro trimestre de 2004

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Edição: Ano 13 nº 05 - 2004

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Analisando a balança comercial do RS, constata-se que as exportações de produtos básicos se elevaram 110,6% em relação ao primeiro trimestre de 2003, e sua participação nas vendas do Estado passou para 31,7% contra os 21,8% registrados em jan.-mar./03. Além do trigo, sobressaem-se, dentre os básicos, a soja (grão e farelo), o fumo e a carne de frango. Pelo lado das importações, o maior destaque, dentre os produtos básicos, foi o óleo bruto de petróleo, responsável por, aproximadamente, 30% do total importado pelo Estado.

Os manufaturados representaram 55,0% das exportações e 59,7% das importações em jan.-mar./04. Os produtos manufaturados mais exportados pelos gaúchos no período foram: calçados, máquinas agrícolas, material de transporte e móveis. Dentre os importados, destacaram-se peças para tratores, microprocessadores e motores diesel.

Os principais semimanufaturados exportados pelo RS nos primeiros três meses de 2004 foram: óleo de soja em bruto e pasta química de madeira. Dentre os importados, tiveram relevância naftas e produtos para as fábricas de adubos e fertilizantes,como uréia, potássio e amônia.

A balança comercial do RS no primeiro trimestre de 2004

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