Textos na área temática: Exportações

Recuperação das exportações gaúchas de derivados de petróleo

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Edição: Ano 23 nº 04 – 2014

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Em 2013, as exportações de derivados de petróleo do RS registraram um crescimento de US$ 234,7 milhões, alcançando um valor quase três vezes superior ao exportado no ano anterior. Depois do setor de plataformas de petróleo, o setor de derivados de petróleo foi o que teve o maior aumento do valor exportado. Esse desempenho deve-se, basicamente, ao aumento no valor exportado de gasolina, que aumentou US$ 128 milhões, e de óleo diesel, que aumentou US$ 80 milhões.

O principal destino das exportações do setor de derivados do petróleo foi o Paraguai, que, em 2013, comprou do Estado US$ 157 milhões em óleo diesel, 91% a mais do que em 2012. O segundo destino foi a Argentina, que registrou um aumento de US$ 37 milhões nas compras de gasolina e de US$ 5,6 milhões nas de óleo diesel. Os Estados Unidos, que não apareciam como um destino importante para as vendas do setor em 2012, registraram um crescimento de US$ 50 milhões em 2013, tornando-se o terceiro principal destino.

Apesar do bom desempenho em 2013, as exportações do setor já haviam alcançado valores maiores em anos anteriores. Em 2009, por exemplo, as exportações de derivados do petróleo somaram US$ 658,8 milhões. Desde então, as exportações do setor vinham apresentando queda (ver gráfico). De 2009 a 2012, houve uma redução de US$ 539 milhões no valor exportado, sendo que a maior queda foi na exportação de óleo diesel para a Argentina, que recuou US$ 134 milhões no período. O Uruguai aparecia como terceiro principal destino em 2009, com a compra de US$ 123 milhões em óleo diesel, mas, nos últimos anos, não houve registro de exportação do produto para o País.

Esses resultados refletem, em grande medida, as variações na produção de derivados do petróleo na principal refinaria do Estado, a Refinaria Alberto Pasqualini. Em 2009, o volume produzido de óleo diesel foi de 5 milhões de metros cúbicos. Já em 2012, esse volume foi 12,2% menor. Em 2013, houve um aumento de 21,8% no volume de óleo diesel produzido na refinaria, tomando-se como referência a produção de 2012. Boa parte desse aumento na produção foi destinada ao mercado externo, já que o consumo interno do produto no Estado cresceu 6,7% entre 2012 e 2013, conforme dados da ANP.

Recuperação das exportações gaúchas de derivados de petróleo

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A crise cambial argentina e suas repercussões no Brasil

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Edição: Ano 23 nº 03 – 2014

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As turbulências que atualmente afetam os mercados de alguns países emergentes apontam condições menos favoráveis para os mesmos, em decorrência da redução dos estímulos monetários do Banco Central norte-americano, do crescimento mais lento da economia chinesa e dos preços das commodities em declínio. No entanto, a crise cambial argentina — cujo ápice ocorreu nos dias 23 e 24 de janeiro, elevando a relação peso/dólar de 6,54 em 02.01.2014 para 8,02 em 24.01.2014 — constitui um caso particular, provocado quase exclusivamente pela falta de confiança dos argentinos na política econômica em vigor. Poucos são os investidores internacionais que detêm títulos argentinos nas suas carteiras, pois o default de 2001 nunca foi totalmente solucionado, e uma parte dos credores não aceitou as condições oferecidas, bloqueando o acesso do País ao crédito internacional.

Entre 2003 e 2007, a Argentina — graças a condições internas favoráveis e a um longo ciclo de preços das commodities em ascensão — manteve altas taxas de crescimento com base em dois pilares: equilíbrio fiscal e equilíbrio externo. No entanto, sob os efeitos da crise internacional, do déficit energético — que precisou ser coberto com importações — e das disputas entre pecuaristas e Governo pelos impostos sobre as exportações, o País passou a ter déficits nas áreas fiscal e externa.

Em lugar de fazer ajustes menores quando ainda era possível, o Governo optou por medidas populistas para reduzir pressões inflacionárias, tais como fixar a taxa de câmbio, adotar controles de preços e de capitais e subsidiar a energia, criando distorções insustentáveis. Ao fixar a taxa de câmbio e mascarar a taxa de inflação real, as importações e as despesas com turismo no exterior aumentaram, ao passo que o País perdeu competitividade. Essas mudanças contínuas nas regras do jogo exacerbaram as desconfianças e desestimularam novos investimentos, contribuindo para a fuga de capitais. Assim, por falta de alternativas, a entrada de dólares ficou dependente da exportação do agronegócio. Com a fuga de capitais, as reservas internacionais, que, em dezembro de 2010, atingiram U$S 52,1 bilhões, caíram para U$S 30,6 bilhões em dezembro de 2013 e, no início de fevereiro de 2014, estavam em U$S 27,8 bilhões, tendo uma redução de 53,3% no total do período.

Dadas as dificuldades para a obtenção de financiamento externo, as autoridades optaram por financiar o déficit fiscal via emissão monetária, sem reduzir os subsídios ao transporte e à energia. A emissão de moeda gerou um excesso de oferta de pesos, que reforçou a demanda por dólares, principalmente no mercado paralelo. A distância entre o dólar oficial e o paralelo (que chegou a ficar em torno de 70% antes da desvalorização) reflete o grau de desconfiança da população em relação à moeda local.

A continuar assim, o modelo econômico do Governo Kirchner tem seus dias contados. A desvalorização cambial por si só não será suficiente para reverter a crise e conter a inflação. A queda do PIB argentino parece ser inevitável em 2014. Mesmo assim, o Governo resiste em tomar medidas amargas, pretende conter a saída de reservas e até controlar o ingresso das divisas oriundas das exportações do agronegócio. Uma das medidas aventadas para sair da crise é o aumento da taxa de juros, para tornar atraentes as aplicações em moeda local. Apesar de uma elevação dos juros de curto prazo de, aproximadamente, sete pontos percentuais imediatamente após a maxidesvalorização, as taxas de juros reais continuam negativas, desestimulando a reversão das posições em dólar.

As restrições às importações já são uma constante, mas agora foram redobradas, e as barreiras às compras no exterior e ao turismo continuam em vigor. As empresas argentinas foram solicitadas a buscar financiamento externo para pagar suas obrigações no exterior ou adiar o pagamento aos fornecedores. Essa medida certamente afetará os exportadores brasileiros. É de se esperar uma redução das exportações para aquele país, principalmente no setor automotivo e um aumento das importações dessa origem. Do total de automóveis, tratores e suas partes e acessórios exportados pelo Brasil em 2013, 63,9% foram destinados à Argentina e, do total das exportações brasileiras para aquele país, 45,9% pertenciam a esse grupo de produtos.

Por outra parte, as empresas brasileiras com investimentos na Argentina deverão sofrer com a crise e terão seus lucros reduzidos. Já no campo dos acordos comerciais internacionais, o protecionismo do país vizinho pode interferir, mais uma vez, no andamento das negociações para um acordo de liberalização econômica e comercial entre Mercosul e União Europeia.

Em síntese, dadas as dificuldades que o Brasil atualmente enfrenta para obter saldos comerciais que contribuam para reduzir o déficit na conta de Transações Correntes do Balanço de Pagamentos, a redução das exportações para a Argentina reforça essas dificuldades, justamente com o terceiro mais importante parceiro comercial e, ainda, um bom comprador de produtos industrializados.

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A participação da América do Sul nas exportações gaúchas

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Edição: Ano 23 nº 02 – 2014

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A participação das exportações para a América do Sul no total das exportações gaúchas aumentou consideravelmente entre 1989 e 2013, período para o qual existem dados desagregados disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), tendo passado de 7,3% no primeiro ano da série para 23,0% no último. O gráfico mostra o comportamento dessa região e de duas outras sub-regiões: a do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a dos demais países da América do Sul. Os dados brutos referentes ao Mercosul não incluem a Venezuela, uma vez que essa nação passou a fazer parte desse bloco econômico como membro pleno apenas em meados de 2012. Dessa forma, as informações sobre o Mercosul utilizadas para a montagem do gráfico registram o comércio do RS com a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. Por outro lado, por não se tratarem, de fato, de exportações gaúchas, também foram
excluídos dos cálculos os valores referentes às vendas de energia elétrica para a Argentina em 2009 e de plataformas marítimas para os EUA em 2008 e para o Panamá e a Holanda em 2013.

A criação do Mercosul em 1991 deu um impulso considerável ao comércio com os países do bloco: a representatividade desse agregado nas vendas externas do RS saiu de 4,0% em 1990 para 19,7% em 1998, o maior valor de toda a série. Daí em diante, iniciou-se uma trajetória de queda até 2002, quando a participação atingiu apenas 6,4%. A tendência de alta foi retomada em 2003 e manteve-se até 2008, quando a representatividade desse bloco alcançou 15,0% do total exportado pelo Estado. Depois disso, ocorreram uma ligeira queda em 2009, uma recuperação expressiva em 2010 e, nos três últimos anos, uma participação média em torno de 15,0%.

Em relação às demais nações da América do Sul, observa-se uma tendência mais homogênea na participação das exportações gaúchas e em percentuais bem mais modestos: em 1989, esse grupo de países absorvia 3,0% das vendas ao exterior do RS, sendo que, no último ano da série, adquiriu 7,8% do total. O melhor desempenho desse agregado de
países aconteceu em 2012, quando comprou 9,7% da produção do Estado comercializada no exterior.

As oscilações da representatividade do Mercosul nas exportações gaúchas foram fortemente influenciadas pelas compras da Argentina, que, ao longo da série, alcançaram, em média, 63% do total desse bloco. Assim, por exemplo, as crises econômicas no país vizinho, nos anos de 1999, 2001 e, principalmente, 2002, puxaram para baixo a participação do Mercosul.

Deve ser ressaltado que, em se tratando de uma averiguação sobre o peso relativo de determinados mercados sobre o total das exportações do Estado, o comportamento de outros mercados também impacta decisivamente o resultado obtido. Assim, ao longo de todos esses anos, também influenciaram fortemente nas participações relativas as performances dos mercados norte-americano, europeu e, cada vez mais, a evolução do mercado chinês.

De maneira geral, os produtos exportados pelo RS tanto para o Mercosul quanto para os demais países da América do Sul constituem-se de derivados de petróleo (polímeros e hidrocarbonetos), daqueles oriundos da indústria metalmecânica (tratores, outras máquinas agrícolas, carrocerias, reboques e semirreboques), além de calçados, móveis e carnes (de aves e suína). Como boa parte desses produtos é comercializada em vários países da América do Sul, existe a
possibilidade de substituição de mercados dentro da própria região. Foi o que aconteceu, por exemplo, com as vendas de
tratores em 2010 e 2011. Nesse período, as exportações desse produto, do RS para a América do Sul, passaram de
US$ 186 milhões para US$ 191 milhões, ou seja, tiveram uma variação relativamente pequena. No entanto, em 2011,
comparativamente a 2010, as vendas de tratores para a Argentina caíram US$ 53 milhões, ao passo que subiram
US$ 27 milhões para a Venezuela, US$ 13 milhões para o Paraguai e US$ 8 milhões para a Bolívia, além de aumentos
menos expressivos para o Peru, a Colômbia e o Uruguai.

Apesar do crescimento da participação dos mercados analisados nas exportações gaúchas entre 1989 e 2013, a tendência, a curto e médio prazos pelo menos, é de estagnação, senão de queda de representatividade. Por um lado, porque, além de a Argentina não dar sinais de afrouxamento na política recente de contenção/substituição de importações — ainda mais agora, com o aprofundamento de sua crise cambial —, os demais países não participantes do Mercosul têm procurado firmar outros acordos comerciais, como o da Aliança Para o Pacífico, criado em 2012, que reúne Chile, Colômbia, México e Peru. Por outro lado, porque a continuidade do crescimento da China e da África Subsahariana, somada à recuperação dos EUA e, no médio prazo, também à da União Europeia, deve impulsionar as exportações gaúchas para além da América do Sul.

A participação da América do Sul nas exportações gaúchas

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Exportações de automóveis para Argentina

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Edição: Ano 23 nº 01 – 2014

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As exportações do Rio Grande do Sul para a Argentina, em 2013, vem apresentando recuperação, principalmente pelo crescimento nos embarques de automóveis. O valor exportado pelo setor cresceu US$ 259 milhões no acumulado entre janeiro e novembro, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O Estado foi o que teve o melhor desempenho nesse ano, um aumento de 163,9%, enquanto a média nacional cresceu 55,7% no mesmo período. Com isso, o RS aumentou a sua participação no valor das vendas brasileiras de veículos para a Argentina, passando de 7,8% em 2012 para 11,4% em 2013.

Entretanto, a notícia de que a Argentina pretende, em 2014, diminuir as importações de automóveis, inclusive as do Brasil, poderá impactar bastante as exportações brasileiras e gaúchas, tendo em vista que ela é o principal parceiro tanto do Brasil quanto do RS no setor. As exportações de veículos leves do Estado (que são produzidos pela GM) são destinadas quase totalmente ao mercado argentino, que absorve 95% dos automóveis que o Estado exporta. Na média do Brasil, esse valor é de 87%.

Essa medida, se confirmada, também pode trazer impactos na produção do setor, já que a participação das exportações para o País foi de 15,3% no total das unidades vendidas no Brasil, entre janeiro e novembro de 2013. No Estado, essa participação foi de 15,7%.

A Argentina já vem adotando outras barreiras ao comércio externo brasileiro, mesmo que muitas delas de maneira não oficial. Desde o início de 2012, alguns setores da indústria vêm enfrentando dificuldades para entrar com os seus produtos na Argentina. Essas medidas costumam ser adotadas em momentos em que o país vizinho passa por mais dificuldades econômicas, a fim de proteger sua produção nacional.

Exportações de automóveis para Argentina

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Exportações gaúchas de calçados para a Argentina em debate

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Edição: Ano 22 nº 12 – 2013

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A Argentina é um importante destino do calçado gaúcho, tendo seguidamente ocupado o segundo e o terceiro lugar no ranking de principais mercados de exportação. Nos primeiros 10 meses de 2013, esse país foi o terceiro destino das vendas externas de calçados do RS, absorvendo 8,72% do valor e 17,52% do volume exportado. Quando comparadas com as de 2011, contudo, as exportações de 1,54 milhão de pares, no valor de US$ 26,90 milhões, mostram um desempenho muito fraco, com variações percentuais negativas beirando os 50% em ambas as variáveis.

Nos últimos anos, o comércio bilateral com a Argentina tem sido marcado por entraves decorrentes de uma postura protecionista adotada pelo país vizinho. Em 2013, após alguns meses de um fluxo de vendas relativamente normalizado, repete-se uma sequência de negativas ou atrasos nas liberações das autorizações para as importações. O resultado dessas ações é o acúmulo de dezenas de milhares de pares de calçados retidos nas fronteiras, reproduzindo o cenário de anos anteriores. Em outubro, um mês sazonalmente de exportações elevadas, por conta do dia das mães na Argentina e da proximidade das festas de final de ano, as vendas externas gaúchas de calçados para esse país restringiram-se a cerca de 10% do que foi exportado no mesmo mês em 2011 e 2012, em valor e número de pares. Ressalte-se que as medidas protecionistas vêm sendo vistas como excessivas e discriminatórias pelo setor calçadista brasileiro e gaúcho, pois, além de afetarem a entrada do produto nacional, não inibem a entrada do produto chinês no mercado argentino.

Recente pesquisa efetuada pela Abicalçados apontou que parcela expressiva de exportadores já deixou de vender para a Argentina, em virtude da imprevisibilidade desse mercado. Para os fabricantes do RS, a perda total ou parcial do mercado argentino pode ser mais um incentivo para a manutenção da estratégia de diversificação de mercados e dos esforços de agregação de valor ao produto. Destacam-se investimentos em diferenciação de produtos, estilo e design, que têm permitido recompor a sua rentabilidade. Os calçadistas do RS têm conquistado expressivo aumento do preço médio de exportação como resultado da estratégia de fabricação de produtos de maior valor agregado e da segmentação de produtos de moda, que abriram novos nichos de mercado e ampliaram as faixas de preços mesmo nos mercados já tradicionais. O preço médio das vendas externas de calçados para a Argentina ainda se situa abaixo do preço médio de exportação total de calçados gaúchos, que foi de US$ 25,00 o par em 2012.

Exportações gaúchas de calçados para a Argentina em debate

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O destino das exportações gaúchas

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Edição: Ano 12 nº 08 - 2003

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Entre janeiro e junho de 2003, as exportações do Rio Grande do Sul aumentaram 32,6% em relação ao primeiro semestre de 2002. Destacaram-se as vendas para a China, com crescimento de quase 270%, passando sua participação no total exportado pelo Estado de 2,5% para 6,9%. De igual forma, também a Argentina incrementou fortemente suas compras de produtos gaúchos no período, registrando um acréscimo de 215% e aumentando sua participação de 2,7% para 6,5%. Entretanto a pauta de exportações do RS para esses dois países difere. Enquanto os chineses compram principalmente produtos básicos e semimanufaturados, os argentinos adquirem produtos industrializados. O mesmo ocorre com os Estados Unidos, principal mercado para as vendas externas do Estado e responsável por 25,8% do total exportado pelo Estado no período. Contudo, nos primeiros seis meses deste ano, as exportações gaúchas para esse país tiveram um desempenho mais modesto em comparação com os outros dois parceiros, com um acréscimo de apenas 5,1%.

A Argentina, depois da derrocada de sua economia e da forte queda em suas importações, em 2003 vem apresentando um quadro de recuperação que se reflete no aumento de suas compras externas, especialmente de produtos ligados à produção, como bens intermediários e de capital. No caso da China, além do seu crescimento econômico, as exportações de soja para esse país elevaram-se substancialmente este ano, visto que, no primeiro semestre de 2002, o Estado exportou pouca soja em grão. Além disso, os preços dos produtos do complexo soja também registraram alta nos primeiros seis meses de 2003.

O destino das exportações gaúchas

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O crescimento das exportações para a África

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Edição: Ano 22 nº 11 - 2013

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A África tem 54 países e cerca de 1,1 bilhão de habitantes. É a região com a maior concentração de pobreza do mundo, com 47,5% da população vivendo com menos de US$ 1,25 por dia. No entanto, entre 2000 e 2012, a economia africana cresceu anualmente a uma taxa superior à média mundial — 5,04% contra 3,64% — e, atualmente, é considerada a nova fronteira de expansão do capitalismo. Conforme o FMI, na próxima década, dos 10 países com maior crescimento econômico, sete serão africanos. Outro exemplo do potencial dessa economia foi ressaltado recentemente em um estudo do Banco Mundial: existem, na África Subsaariana, cerca de 202 milhões de hectares de terras aráveis, mas incultas, o que representa cerca de 50% do total de terras nessas condições existentes no mundo.

Desde o final do século passado, mas de forma mais incisiva a partir de meados da década atual — com o aprofundamento de sua estratégia geopolítica de privilegiar o alinhamento Sul-Sul —, o Brasil buscou incrementar o relacionamento com a África. Essa tarefa foi facilitada pelas afinidades históricas, culturais e mesmo geográficas — de clima e solo — que ligam o País a diversas nações africanas. Entre 2002 e 2012, o número de embaixadas brasileiras localizadas naquela região subiu de 17 para 37, e o de embaixadas africanas no País, de 16 para 33.

O desenvolvimento comercial entre o Brasil e a África caminhou pari passu ao seu relacionamento diplomático. As compras africanas, que representavam 2,44% do total das exportações brasileiras em 2000, passaram a representar 5,03% em 2012. Já sobre o total das exportações gaúchas, a participação africana elevou-se de 2,54% para 7,62% entre os dois anos considerados. Ademais, as exportações oriundas do Brasil e do RS evoluíram num ritmo superior ao das compras africanas no resto do mundo, de modo que o País e o Estado ganharam fatias daquele mercado.

A carência alimentar e a falta de infraestrutura do continente africano estimularam as exportações brasileiras tanto dos produtos agropecuários e minerais — açúcar, carnes bovina e de aves, milho e minério de ferro — como daqueles de maior valor agregado — tratores, veículos para transporte de mercadorias, óleo de soja, aviões e partes e acessórios de veículos. Já o RS concentrou suas vendas externas nos produtos agropecuários — carne de aves, tabaco, arroz, trigo e derivados de carne — e nos da indústria metal-mecânica — tratores, partes e acessórios de veículos, outras máquinas agrícolas e reboques e semirreboques.

Para o RS, foi muito significativa a expansão das vendas de arroz, tratores e demais máquinas agrícolas para o mercado africano. No caso do cereal, porque, no Brasil, o arroz gaúcho vem sofrendo forte concorrência da produção dos outros países do Mercosul. E, no caso das máquinas agrícolas, porque, ultimamente, a instalação de novas plantas desses bens na Argentina vem não só encurtando o tamanho daquele mercado para os produtos gaúchos, como também capacitando empresas do país vizinho a competirem em terceiros mercados.

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A crise internacional e o destino das exportações gaúchas

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Edição: Ano 22 nº 07 - 2013

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A crise econômica internacional, que eclodiu no final de 2008 e cujos reflexos se fazem sentir até hoje, repercutiu mais fortemente, no comércio mundial de mercadorias, no ano de 2009. Em dólares correntes, a queda do valor das exportações mundiais entre esses dois anos foi de 22%. A tabela abaixo traz a participação percentual de blocos econômicos selecionados nas exportações gaúchas, entre 2005 e 2008 e entre 2009 e 2012, ou seja, os quatro anos anteriores e os quatro posteriores à eclosão da crise. Para esses cálculos, foram considerados valores constantes — dólares de 2012.

Observando-se os dois subperíodos apresentados na tabela, destaca-se a inversão na representatividade dos blocos liderados pela China e pelos EUA nas vendas externas do RS. Enquanto o primeiro eleva sua participação de 10,12% para 18,26%, a do NAFTA cai de 16,11% para 9,72%. Ainda que envolvendo valores bem menores, observa- se, entre a Liga Árabe e a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), um comportamento semelhante ao dos dois blocos citados anteriormente: enquanto a Liga Árabe elevou sua representatividade nas vendas externas do RS de 5,36% para 7,14%, a CEI a reduziu de 5,41% para 3,19%. Os demais blocos econômicos apresentaram pequenas variações, para cima, de suas participações nas exportações do Estado. O conjunto desses mercados, por sua vez, aumentou sua representatividade entre 2005 e 2008 e 2009 e 2012: de 83,21% para 85,89%.

Cada um desses blocos compra, numa maior proporção, determinados produtos do RS: por exemplo, considerando o subperíodo 2005-08, vê-se que a China importou, principalmente, soja em grão; a União Europeia, tabaco e calçados; o Mercosul e o restante da América Latina, produtos da indústria metal-mecânica (máquinas agrícolas e veículos e suas partes); o NAFTA, calçados e tabaco; a Liga Árabe, carne de frango; a África Subsahariana, arroz e tratores; e a CEI, carne suína.

A redução nas participações do NAFTA e da CEI esteve atrelada a diversos fatores. No caso do NAFTA, eles refletiram no comércio de vários produtos, enquanto, no caso da CEI, basicamente no de um só, o da carne suína, que teve redução de vendas, não só pela crise nos países da região, como também pelo embargo russo, imposto em meados de 2011. Já nas exportações para o NAFTA, chama atenção a continuidade na queda das vendas de calçados: a preços de 2012, as exportações de calçados para esse bloco econômico caíram de US$ 877 milhões em 2005 para US$ 74 milhões em 2012.

Por outro lado, à exceção do Mercosul e do restante da América do Sul — concentrados na aquisição de bens da indústria metal-mecânica —, todos os demais blocos que tiveram acréscimos de participação nas exportações do Estado o fizeram, fundamentalmente, pelo crescimento na compra de produtos agropecuários. Entre 2009 e 2012, de tudo que a China comprou do Estado, 58% foi em grãos de soja. A participação de farelo de soja e tabaco nas compras da União Europeia foi de 43%. Já, do que a Liga Árabe e a África Subsahariana importaram, respectivamente, 52% foi carne de aves e 30% foi gasto com arroz.

Dessa forma, analisando-se as exportações gaúchas, antes e depois da crise do final de 2008, pode-se perceber um redirecionamento das vendas para a Ásia e para a África, com significativa preponderância de produtos intensivos em recursos naturais (soja, carne de frango, tabaco e arroz). Aconteceu o que seria de se esperar: dada a sua baixa elasticidade-renda da demanda nos países desenvolvidos, essas commodities possuem a vantagem de resistir melhor a crises internacionais. Por outro lado, a urbanização e o crescimento da renda em regiões menos desenvolvidas, como a China e a África, acentua a demanda por alimentos.

Embora agregando pouco valor ao produto, a expansão da atividade agrícola tem gerado estímulos importantes em outros setores, como o de biotecnologia e o de maquinas de precisão. Dado que, no RS, a fronteira agrícola está esgotada, a continuidade das exportações depende, em boa medida, da evolução tecnológica em toda a cadeia agroindustrial, inclusive na capacidade de armazenagem de recursos hídricos, tão necessária nos frequentes períodos de estiagem verificados no Estado. Ademais, o desenvolvimento da cadeia como um todo não só garante a oferta de produtos agropecuários ao resto do mundo, como também facilita a venda de outros bens. Destaca-se aqui a venda de máquinas e implementos agrícolas para a África, região onde a agricultura comercial está em expansão.

A crise internacional e o destino das exportações gaúchas

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As exportações e o espaço para o crescimento

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Edição: Ano 22 nº 06 - 2013

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Assim como os demais países da América Latina, o Brasil tem apresentado uma situação relativamente confortável do ponto de vista de suas contas externas, mesmo após a crise financeira de 2008. As reservas cambiais, que, atualmente, ultrapassam US$ 370 bilhões (montante 11 vezes superior ao estoque de dívida externa de curto prazo), configuram uma robusta posição em termos de liquidez externa. Apesar de registrar déficits em transações correntes (TC) desde o final de 2007, até meados de 2012 estes vinham oscilando em torno de 20% do valor das exportações de bens e serviços, caracterizando uma posição relativamente tranquila também sob o ponto de vista das condições de solvência externa. Pelo lado do movimento de capitais, desde o terceiro trimestre de 2010, a entrada de investimento direto externo (IDE) vinha sendo suficiente para financiar sozinha o déficit em transações correntes.

Os dados relativos ao primeiro trimestre de 2013 mostram, entretanto, uma deterioração relativamente rápida do saldo em transações correntes. O déficit próximo a US$ 25 bilhões implicou uma piora significativa na posição de solvência, uma vez que corresponde a cerca de 40% das exportações de bens e serviços. Nesse mesmo trimestre, o saldo positivo do IDE financiou apenas 40% do saldo negativo em TC. No imediato, essa modificação não implicou maiores problemas, visto que o restante do déficit foi financiado pela entrada líquida de investimento em carteira e pelo saldo positivo na conta “outros investimentos”, resultando em um saldo positivo de aproximadamente US$ 6 bilhões no balanço de pagamentos global.

Desagregando o resultado das transações correntes, pode-se observar que a referida deterioração não resultou do movimento das importações de bens e serviços, nem do saldo do balanço de rendas, mas do comportamento das exportações. Após atingir um pico superior a US$ 80 bilhões no terceiro trimestre de 2011, a receita com bens e serviços exportados passou a apresentar uma tendência declinante, atingindo pouco mais de US$ 60 bilhões no primeiro trimestre de 2013. De acordo com os índices de preços e volumes exportados divulgados pela FEE, o movimento de redução do valor exportado pela economia brasileira deveu-se, sobretudo, à retração dos volumes exportados, ainda que tenha havido também um movimento desfavorável dos preços das exportações.

A análise dos componentes do crescimento da demanda agregada mostra que não se pode atribuir a este movimento das exportações o papel decisivo na desaceleração do crescimento do PIB, em curso desde 2011. Como é recorrente na economia brasileira, o desempenho medíocre do crescimento em 2012 deve-se fundamentalmente à dinâmica do mercado doméstico. No que diz respeito ao equacionamento das contas externas, entretanto, o movimento das exportações tem sempre um papel muito mais decisivo.

De um modo geral, esse desempenho recente das exportações e a deterioração das transações correntes não modificaram uma posição ainda robusta da economia brasileira com respeito às suas condições externas. Convém, entretanto, seguir acompanhando com muita atenção os resultados das contas externas, em conjunto com as medidas de política econômica. O cenário que se desenha no plano doméstico, associado a uma persistência desse desempenho ruim das exportações, poderá implicar um padrão de crescente fragilidade das contas externas.

Devido ao calendário eleitoral e aos grandes eventos esportivos programados, pode-se esperar uma retomada dos gastos públicos e um crescimento mais intenso do mercado doméstico ao longo de 2013 e 2014. Em conjunto com um recém iniciado ciclo de elevação da taxa básica de juros, que poderá resultar em alguma revalorização da taxa de câmbio, o aquecimento do mercado doméstico tenderia a pressionar o resultado em transações correntes também pela via de um maior crescimento das importações.

Ainda que persista a ampla disponibilidade de acesso aos capitais externos, permitindo o financiamento de um déficit em transações correntes ainda maior, as exportações são, em última instância, a fonte de divisas estrangeiras que permite a cobertura dos serviços futuros do passivo externo acumulado. Considerando um prazo mais longo, portanto, a própria capacidade de absorver o capital externo depende do desempenho das exportações.

A crítica que parece mais importante e central com respeito à orientação da política econômica do Governo Dilma Rousseff está relacionada com a constatação de que este não aproveitou adequadamente as boas condições externas dos dois primeiros anos do mandato, no que diz respeito ao crescimento econômico. Teria sido possível, com uma política fiscal mais expansionista, manter uma taxa de crescimento mais elevada sem problemas significativos no plano externo. Se o desempenho recente das exportações se revelar apenas conjuntural, essa opção permanecerá aberta. Caso contrário, o espaço para uma política econômica mais comprometida com o crescimento da demanda doméstica será progressivamente reduzido.

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Exportações gaúchas no primeiro quadrimestre de 2013

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Edição: Ano 22 nº 06 - 2013

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O desempenho das exportações gaúchas no primeiro quadrimestre de 2013 foi semelhante, em volume, ao do mesmo período de 2012. Porém a composição desse resultado foi bastante diferente. Entre janeiro e abril de 2013, o valor exportado alcançou US$ 5,3 bilhões, 3,1% superior ao valor exportado em 2012, de U$ 5,1 bilhões. Em volume, houve uma redução de 0,5%, tendo o acréscimo de 3,5% nos preços tornado a variação em valor positiva.

Nota-se que a composição das exportações entre agropecuária e indústria de transformação mudou considerávelmente. A participação da agropecuária nas exportações totais durante o mesmo período de 2012 foi de 12,73%, com um valor exportado de US$ 650 milhões. A produção agrícola depende diretamente do clima favorável, e, em 2012, as exportações da agropecuária foram diretamente impactadas pela estiagem, que causou quebra de safra, reduzindo as exportações de soja em 2012, principal produto exportado pelo setor. Já em 2013, as exportações da agropecuária cresceram 63,8% em valor, sendo o crescimento de 46,5% no volume exportado o principal responsável por tal elevação. Com isso, a agropecuária alcançou 20,24% do total exportado no RS, com um valor de US$ 1,1 bilhão. A retomada das exportações de soja, com um crescimento de 50%, bem como a entrada do RS no mercado mundial de milho, com uma elevação de 771% do valor exportado, foram os responsáveis pela recuperação da importância da agropecuária em 2013.

Por outro lado, a indústria de transformação teve queda no quadrimestre, de 6,4% em valor, e redução na participação, e 85,7% para 77,83%. No subsetor de alimentos e bebidas, a estiagem de 2012 impactou negativamente as exportações de óleo e farelo de soja entre janeiro e abril de 2013, bem como o bom preço interno do arroz incentivou a redução nas exportações e a manutenção do produto internamente. Apesar do bom desempenho do subsetor de derivadosde petróleo (mais US$ 139,7 milhões), as quedas de US$ 258,5 milhões do subsetor de alimentos e bebidas e de US$ 164 milhões do subsetor de máquinas e equipamentos foram preponderantes no mau desempenho da indústria de transformação.

Até abril de 2013, o quadro delineado para as exportações é de uma recuperação da importância dos produtos agrícolas, semelhante à tendência observada de 2008 a 2011.

Exportações gaúchas no primeiro quadrimestre de 2013

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