Vulnerabilidade do trabalho sem carteira na crise

A atividade econômica do Rio Grande do Sul sofreu uma considerável redução em função do impacto da crise financeira internacional. De acordo com a FEE, o Índice Trimestral de Atividade Produtiva (ITAP) estadual caiu 5,0% no quarto trimestre de 2008 e 8,9% no primeiro trimestre de 2009, relativamente ao mesmo período do ano anterior. Esse recuo na atividade produtiva provocou uma forte desaceleração na geração de postos de trabalho: entre julho de 2008 e julho de 2009, verificou-se um aumento de 1,7% apenas. No mesmo período do ano anterior, o número de ocupados na RMPA aumentou 7,9%. Considerando apenas o período de dezembro de 2008 a julho de 2009, verificou-se queda de 1,3% no contingente de ocupados da RMPA, ao passo que, entre dezembro de 2007 e julho de 2008, foi registrado um aumento de 1,9%.

Evidências empíricas mostram que a desaceleração econômica afetou mais fortemente o segmento dos trabalhadores com inserção mais frágil no mercado de trabalho (os assalariados sem carteira de trabalho assinada) do que o grupo dos mais protegidos (os assalariados com carteira de trabalho assinada). Entre julho de 2008 e julho de 2009, o emprego com carteira no setor privado da RMPA elevou-se 3,6%, ao passo que o emprego sem carteira caiu 8,1%. Esse processo não ocorreu de modo uniforme nos diversos setores de atividade econômica da RMPA. No comércio, na construção civil e nos serviços, o contingente dos assalariados com carteira aumentou significativamente – 13,8%, 9,4% e 7,0% respectivamente -, enquanto o dos assalariados sem carteira experimentou queda. A indústria, mais atingida pela crise em função de seusnomia internacional, apresentou forte redução no total dos com carteira (-7,8%) e, especialmente, no dos sem carteira (-25,0%).

Vulnerabilidade do trabalho sem carteira na crise

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