Valor Adicionado e importação nas exportações do Rio Grande do Sul

As exportações do Rio Grande do Sul, para o mercado externo e para o resto do Brasil, representavam, com base na Matriz de Insumo-Produto (MIP), 73,1% do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho de 2008. Apesar da quebra da safra e da desaceleração decorrente da crise internacional, a elevada participação das exportações em relação à produção gaúcha, principalmente na demanda de produtos agropecuários e de transformação, não foi prejudicada.

Além de apresentar o valor das exportações a preços de mercado, a MIP pode ser usada para calcular o impacto das exportações no Valor Adicionado e nas importações, direta e indiretamente. O valor a preços de mercado é a soma do Valor Adicionado, dos insumos produzidos e matérias-primas locais, dos produtos importados, das margens de comércio e de transporte e dos impostos sobre os produtos que o compõem. Porém, para descobrir a participação efetiva de cada atividade nas exportações, é necessário decompor os preços de mercado. A MIP disponibiliza as informações para se redistribuírem, entre as atividades, o Valor Adicionado e as importações utilizadas, e para estimar o tamanho das atividades nos produtos exportados. Na tabela abaixo, são apresentadas as exportações de 2008 a preços de mercado agregadas em seis atividades e sua decomposição.

O Valor Adicionado pela agropecuária nas exportações foi 2,5 vezes maior que suas exportações a preços de mercado, o que significa que seus produtos são mais utilizados como matérias-primas na exportação da indústria de transformação que vendidos in natura. Quando o destino da exportação foi o resto do País, pode–se estimar que o uso dos produtos agropecuários como matéria-prima da transformação foi aproximadamente quatro vezes maior que quando destinado para o mercado externo. Dos insumos agropecuários utilizados pela indústria de transformação, em torno de um quinto foi originado da importação e utilizado como insumo para exportação.

Como a indústria extrativa do Estado é insignificante, foram importados mais de R$ 16 bilhões de produtos minerais para serem usados como insumo para exportações (correspondendo a 11,1% do valor das exportações). Já a indústria de transformação foi, por sua própria natureza, essencialmente usuária de insumos originados em outras atividades. As exportações a preços de mercado foram 4,8 vezes maiores que o Valor Adicionado, com os insumos importados correspondendo a algo como um pouco mais de um terço do valor, e o restante, aproximadamente 45%, repartindo-se entre insumos produzidos por outras atividades e impostos. A participação do Valor Adicionado na exportação para o resto do mundo foi maior (25,7%) que na destinada a outras unidades da Federação (19,3%). Já o uso dos insumos importados foi maior na exportação interna (36,5%) que na destinada ao mercado externo (31,2%).

Combinando a decomposição com os outros dados da MIP, observa-se que a maioria da importação foi usada como insumo para exportação (51,3%) e que, tanto na agropecuária quanto na transformação, a maior parte do Valor Adicionado, respectivamente, 68,9% e 78,8%, é demandada pela exportação. Todos esses dados, mesmo sem levar em conta os efeitos induzidos pela renda, reforçam a ideia de que, excetuando eventos climáticos que impactam a agropecuária, o desempenho econômico do Estado depende principalmente de seus nexos com a situação econômica nacional e internacional.

DROPE7

Compartilhe