Uma “bolha imobiliária” ameaça a economia norte-americana?

Após a queda do preço das ações nas principais bolsas norte-americanas, nos anos 2000 e 2001, a retomada do crescimento da economia dos EUA, a partir de 2002, foi marcada por um fenômeno peculiar de aumentos do investimento na construção e no valor dos imóveis (32% até abril de 2005). Uma “bolha” especulativa no setor imobiliário teria substituído a especulação com as ações das empresas de alta tecnologia. Um indicador desse comportamento é o fato de 23% dos imóveis adquiridos naquele país, em 2004, estarem ligados à motivação “investimento”, conforme pesquisa da associação de corretores dos EUA.

Esse movimento altista tem sido impulsionado pelas baixas taxas de juros, que deram liquidez à economia após o choque nas bolsas, e por novas modalidades de financiamento, que permitem o início do pagamento da amortização dos valores devidos apenas cinco anos após a assinatura do contrato (durante esse período, apenas os juros são pagos). Além disso, o refinanciamento dos imóveis a juros menores, bem como a elevação dos seus preços, possibilitou novo endividamento das famílias com base em hipotecas (cerca de US$ 200 bilhões em 2004). Esse é um dos elementos essenciais para o aumento do consumo das famílias que marca a débil retomada do crescimento nos EUA.

Nesse contexto, uma reversão cíclica que levasse à queda abrupta dos preços dos imóveis atingiria tanto a capacidade de consumo como a de endividamento das famílias. Isso seria tanto mais grave quanto maiores fossem as pressões concomitantes para o aumento das taxas de juros, sendo que grande parte dos novos contratos foram estabelecidos com base em taxas flutuantes de remuneração.

Uma “bolha imobiliária” ameaça a economia norte-americana

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