Trigo: a busca por um novo equilíbrio

A cultura do trigo, tanto no Rio Grande do Sul como no Brasil, passou por forte crise durante os anos 90, com redução da área cultivada em função de preços não remuneradores. No início do novo século, entretanto, preços novamente atrativos estimularam o aumento da área de cultivo do cereal. Entre 2000 e 2004, a área plantada de trigo, no Estado, cresceu 100,7%, alcançando 1,1 milhão de hectares, o que representou 40,1% da área nacional daquele ano.

O conseqüente aumento da produção doméstica gerou diminuição das importações de trigo, que chegaram a representar, em 2000, 80% da oferta interna do cereal segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O grande aumento da produção ocorreu na safra de 2003, ano em que foram colhidos 6,2 milhões de toneladas do produto. Mas, como as importações alcançaram 6,6 milhões de toneladas e o consumo interno não passou de 10,2 milhões de toneladas, originou-se um excesso de oferta. Como forma de resolver parte do problema, foi exportado 1,3 milhão de toneladas, resultando em um breve período de aumento dos preços internos, pois, já em julho de 2003, os mesmos voltaram a cair.

O sinal não foi percebido pelos produtores, pois a safra de 2004 apresentou novo crescimento da área plantada, com a produção atingindo mais de 5,7 milhões de toneladas no Brasil (2,1 milhões só no Rio Grande do Sul). Como o País não produz trigo de boa qualidade em quantidade suficiente para atender à indústria alimentícia, o volume de importações permaneceu alto, redundando em novo excesso de oferta interna. A saída pelas exportações não se concretizou, e o aumento dos estoques domésticos, juntamente com o barateamento do cereal importado em razão do câmbio valorizado, determinou que os preços internos, no começo de 2005, atingissem o menor patamar em seis anos.

Para a safra de 2005, os sinais do mercado foram plenamente observados, com os produtores reduzindo a área plantada tanto no Brasil quanto no Estado. As estimativas do IBGEde outubro de 2005 indicam, para o País, uma diminuição de 15,5% da área plantada, o que se traduziria em uma redução de 11,0% na produção. No Rio Grande do Sul, os decréscimos serão ainda maiores, uma vez que, aos preços baixos, se soma o baixo nível tecnológico empregado nas lavouras, em função das perdas com a estiagem na safra de verão. Foram plantados, no Estado, 844,4 mil hectares (redução de 24,9% em relação à safra passada), devendo ser colhido 1,62 milhão de toneladas (menos 21,4%).

A diminuição da produção, entretanto, ainda não é capaz de assegurar um equilíbrio que gere remuneração adequada aos produtores, ainda mais porque o trigo colhido na safra atual, tanto no Estado como no Paraná, o outro grande estado produtor, é de baixa qualidade em razão do excesso de chuva durante a colheita, fazendo com que as necessidades de importações continuem altas. Ademais, o real valorizado impõe uma barreira ao preço interno, ao mesmo tempo em que cria dificuldades às exportações do trigo de baixa qualidade, saída que novamente está sendo tentada.

Trigo a busca por um novo equilíbrio

Compartilhe