Trajetória do movimento grevista no Rio Grande do Sul: 1990-05

No Rio Grande do Sul, tal como no resto do Brasil, o movimento grevista entrou em uma fase de declínio desde o início dos anos 90. De acordo com o DIEESE, do total de 300 greves registradas no Estado, entre 1990 e 2005, cerca de 88% ocorreram no período 1990-99 e apenas 12% no 2000-05. Isso corresponde a uma média anual de 26,5 greves na década de 90 e de 5,8 paralisações entre 2000 e 2005. Esse declínio se expressa igualmente no número médio anual de grevistas e no número de horas de trabalho perdidas em conseqüência das greves. A média anual de grevistas passou de 91,8 mil entre 1990 e 1999 para 13,0 mil entre 2000 e 2005, enquanto o número médio anual de horas perdidas passou de 20,3 milhões para 2,6 milhões. O ano 2000, a despeito de ter registrado apenas cinco greves, foi o mais expressivo da última década, envolvendo cerca de 64,3 mil grevistas, o que correspondeu a uma perda de 15,6 milhões de horas de trabalho. A diminuição da intensidade do movimento grevista pode ser atribuída à redução das taxas de inflação, à introdução de novas tecnologias e estratégias gerenciais nas empresas e, sobretudo, aos elevados índices de desemprego.

Cabe destacar que o número de greves aumentou na esfera pública comparativamente à esfera privada. No RS, a participação da esfera pública passou de cerca de 51,9% do total de greves entre 1990 e 1999 para 71,1% entre 2000 e 2005. Nos dois últimos anos, apenas uma, de um total de 12 paralisações, ocorreu no setor privado. É possível que a grande incidência de greves na esfera pública esteja associada à crise fiscal do Estado e à contenção salarial que prevalece nesse setor.

Trajetória do movimento grevista no Rio Grande do Sul 1990 05

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