Taxa de desistência no ensino superior gaúcho atinge 64,1%

Os Indicadores de Fluxo da Educação Superior, publicados em janeiro deste ano pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), permitem um mapeamento da trajetória acadêmica do aluno brasileiro do ensino superior no período de 2010 a 2015, o chamado acompanhamento longitudinal. A construção dos indicadores é feita a partir dos dados do Censo da Educação Superior, pesquisa estatística que coleta informações de instituições, cursos, alunos e docentes, além de outros dados que permitem mensurar as características da educação superior no Brasil.

Os principais indicadores divulgados são: taxa de permanência, taxa de conclusão acumulada e taxa de desistência acumulada dos cursos oferecidos nas instituições de ensino superior brasileiras, construídos de forma a desconsiderar o número de estudantes falecidos no período. A taxa de permanência é o percentual de alunos com vínculo ativo, cursando ou trancado, em relação ao número de estudantes ingressantes no curso em 2010. A taxa de conclusão acumulada é o percentual de alunos que se formaram no curso, em relação ao número de ingressantes em 2010. A taxa de desistência acumulada é o percentual de estudantes que, ingressando em 2010, desistiram do curso. A soma dos três indicadores é de 100% em cada ano do período analisado, visto que todos os alunos do estudo se encaixam em uma das três situações em cada ano da trajetória.
Na trajetória 2010-15, as instituições de ensino superior do Rio Grande do Sul apresentaram uma taxa de conclusão acumulada de 24,5% e uma taxa de desistência acumulada de 64,1%. Em relação à modalidade de ensino, no mesmo período, enquanto os cursos presenciais apresentaram as maiores taxas de permanência (15,6% em 2015), os cursos à distância exibem as maiores taxas de conclusão acumulada (26,1%) e também de desistência acumulada (73,1%).

Os cursos de ensino superior foram classificados em grandes áreas a partir de uma adaptação da metodologia internacional de classificação Eurostat/Unesco/OCDE. No RS, os cursos da área de serviços (ciência aeronáutica, gastronomia, gestão ambiental, turismo, hotelaria, transportes, saúde e segurança no trabalho, etc.) aparecem com as mais elevadas taxas de conclusão acumulada em 2010-15, enquanto os cursos das áreas de engenharia, produção e construção apresentam as mais baixas. As menores taxas de desistência acumulada foram registradas nos cursos ligados à agricultura e veterinária, já as mais elevadas, em ciências, matemática e computação, nesse mesmo período.

As maiores diferenças encontradas entre os indicadores de trajetória acadêmica do ensino superior gaúcho estão na categoria administrativa das instituições de ensino. Na comparação entre instituições de ensino públicas e privadas, na trajetória 2010-15, as taxas de conclusão acumuladas das públicas foram 63% maiores do que as privadas, ao mesmo tempo em que as taxas de desistência acumulada das privadas foram 37% maiores do que as públicas.

O estudo dividiu a organização acadêmica das instituições em: universidade; centro universitário; faculdade; instituto federal de educação, ciência e tecnologia; e centro federal de educação tecnológica. No RS, as universidades apresentaram a maior taxa de desistência acumulada 2010-15 (65,6%), enquanto os institutos federais de educação, ciência e tecnologia registraram a menor (50,9%). A taxa de conclusão acumulada, no mesmo período, dos centros universitários foi a menor (20,1%), ao mesmo tempo em que a dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia foi a maior (32,5%).

Quanto ao grau acadêmico, os cursos foram classificados em: bacharelado, licenciatura e tecnológico. Na trajetória em análise, no RS, o bacharelado apresenta a maior taxa de permanência (15,4%); a licenciatura, a maior taxa de conclusão acumulada (31,6%); e o tecnológico, a maior taxa de desistência acumulada (66,7%).

A viabilização do cálculo de indicadores de trajetória acadêmica representa um grande avanço para os estudos na área da educação. O mapeamento dos indicadores de trajetória dos alunos no ensino superior possibilita a compilação de uma base de dados longitudinal dos estudantes, conferindo precisão às informações e ampliando as possibilidades de análise, que podem tanto revelar importantes evidências a respeito da eficiência do sistema de ensino, quanto apontar os meios para se reduzirem as taxas de desistência escolar e se elevarem as taxas de conclusão dos cursos nas instituições de ensino brasileiras.

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