Safras crescentes acentuam a precariedade da logística

Safras crescentes acentuam a precariedade da logística

Mais um recorde de safra agrícola e os mesmos gargalos logísticos repetem-se no País. De acordo com o oitavo levantamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o País deverá colher cerca de 185 milhões de toneladas de grãos, um aumento de 11% relativamente à safra passada. Os técnicos da Companhia anunciam que esse salto se refere principalmente às produções de soja e milho, com acréscimos de 22,8% e 10,4%, respectivamente, sobre a colheita anterior. Aqui no Estado, como reflexo da quebra de safra, a produção de grãos terá um crescimento aproximado de 34%, e somente a soja terá um acréscimo de 87%, quase o dobro do volume colhido no ano passado, segundo essa mesma fonte.

Grandes fabricantes de máquinas e implementos agrícolas, como John Deere, Massey Ferguson, Volvo e outros, bem como empresários ligados à agroindústria, salientaram na 20ª Agrishow, em São Paulo, que a agricultura brasileira tem tudo para dar continuidade ao seu processo de crescimento, uma vez que tem demonstrado desempenho positivo a cada ano. No entanto, eles lamentam que, embora os produtores rurais possam alcançar novos recordes de produção, persistam os gargalos logísticos nas operações de transporte e armazenagem das safras.

Estudos da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) e de especialistas em logística apontam uma perda aproximada de R$ 8 bilhões por ano somente com as culturas de soja e milho, em virtude da precária infraestrutura, tanto para escoamento e armazenagem, quanto pela falta de investimentos nos terminais de carga. Dado que o preço desses produtos é definido no mercado internacional, os custos adicionais em logística são descontados dos preços recebidos pelo produtor, enxugando, dessa forma, a renda líquida da agricultura.

Já é de conhecimento geral a recorrência de filas formadas por caminhões cada vez maiores, parecendo trens sobre o asfalto. E, nas proximidades dos portos, as longas esperas ocasionam, muitas vezes, cancelamentos de contrato e desperdício de grãos. Em março de 2013, o grupo chinês Sunrise desistiu da compra de dois milhões de toneladas de soja, sob alegação de quebra de contrato decorrente do atraso no embarque, notícia que foi amplamente divulgada pela mídia naquela ocasião.

A armazenagem, também deficitária, agrava esse cenário. A proposta de redução no ritmo dos agronegócios feita pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) é temerosa, já que produtores que não possuem silos e ainda não venderam a produção podem ser pressionados a fazê-lo por receio de perda dos grãos. Como alento, o Governo Federal sinaliza investimentos da ordem de R$ 730 milhões para duplicação da atual rede de armazéns da Conab, o que já é um começo para saneamento desse déficit

 

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