RS lidera geração de emprego industrial entre 1996 e 2000

O IBGE divulgou recentemente os resultados da Pesquisa Industrial Anual (PIA) de 2000, que vêm confirmar a continuidade de um processo de desconcentração regional da atividade industrial no Brasil. Nesse sentido, entre 1996 e 2000, a Região Sudeste viu reduzir-se de 68,1% para 66,1% sua parcela relativa no Valor da Transformação Industrial (VTI) do País; no emprego industrial, o recuo foi ainda mais acentuado: de 61,1% para 57,2%. A queda na participação dessa região se deveu, fundamentalmente, ao comportamento de São Paulo, que apresentou recuo de 49,5% para 45,3% em sua parcela no VTI nacional e de 41,9% para 38,6% na do pessoal ocupado. O Rio de Janeiro perdeu participação no emprego, de 7,9% para 6,7%, mas o VTI evidenciou comportamento discrepante, elevando-se de 8,2% para 9,4% no período. Minas Gerais, por sua vez, apresentou um pequeno avanço em sua participação, tanto no VTI (de 9,1% para 9,5%) quanto no emprego (de 10,0% para 10,4%).

No VTI, a perda de participação da Região Sudeste associou-se a um reforço relativo das parcelas das Regiões Nordeste e Sul — proporcionalmente mais significativo para a primeira —, enquanto a Norte e a Centro-Oeste mantiveram suas participações inalteradas. Quanto ao pessoal ocupado, apenas na Sudeste houve retração. No agregado nacional, entre 1996 e 2000, a variação do emprego industrial foi de 3,6%, equivalente a 180,6 mil postos. A maior expansão em contingente, dentre as regiões, verificou-se na Região Sul, que gerou 142,5 mil empregos. Seguiram-se a Nordeste e a Centro-Oeste, com variações absolutas bastante semelhantes entre si (57,9 mil e 55,6 mil respectivamente). Por fim, na Região Norte foram gerados 20,4 mil novos postos industriais. Tomadas as variações percentuais do contingente empregado na indústria, a Região Sul teve a terceira posição, com 12,5%, resultado bastante inferior ao da Centro-Oeste (35,5%) e um pouco menos expressivo do que o da Norte (15,2%).

Nesse processo de desconcentração da atividade industrial do País, o Rio Grande do Sul obteve ganho de participação: o VTI do Estado elevou-se de 7,8% do total nacional em 1996 para 8,3% em 2000; no emprego industrial, sua parcela passou de 9,6% para 10,6% no mesmo período. Se, por um lado, o Estado manteve a quarta colocação no Valor da Transformação Industrial do País, por outro, avançou sua posição no emprego industrial, conquistando, de Minas Gerais, o segundo lugar. Entre 1996 e 2000, o Rio Grande do Sul teve um crescimento de 13,8% no contingente ocupado na indústria e foi a unidade da Federação com maior variação  absoluta do emprego industrial: 67,3 mil postos, o correspondente a 37,2% do total de empregos que foram gerados no setor em todo o País.

Observa-se que a participação do Rio Grande do Sul no total do País teve maior avanço relativo no pessoal ocupado do que no Valor da Transformação Industrial. A associação dessas duas variáveis evoca a questão da produtividade. Aplicado em um nível tão agregado — o total da indústria, desconsiderada sua composição em gêneros ou segmentos —, esse indicador é pouco adequado para apreender diferenciais de eficiência produtiva. No caso específico da evolução recente da indústria gaúcha — considerando-se o dinamismo verificado tanto no emprego quanto no VTI —, o que se constata é que o setor tem se expandido com o reforço de segmentos produtivos mais intensivos em mão-de-obra, vinculados aos gêneros tradicionais, que têm, historicamente, forte presença em nossa estrutura industrial.

RS lidera geração de emprego industrial

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