Rio Grande do Sul: trocas migratórias interestaduais entre 2005 e 2010

De acordo com o Censo Demográfico de 2010, o Rio Grande do Sul apresentou um incremento de apenas 5% em sua população residente, na comparação com o ano 2000, o que representou um acréscimo de 506.131 habitantes. Esse crescimento tem perdido o ritmo desde a década de 60, período em que o aumento foi de cerca de 1,3 milhão de pessoas. Para entender esse fenômeno, é necessário consi-derar a contribuição de dois fatores: o crescimento vegeta-tivo e o saldo migratório.

O crescimento vegetativo reflete a diferença entre nascimentos e óbitos. Dentre esses dois componentes, o nível de fecundidade tem desempenhado um papel decisivo na diminuição do ritmo de crescimento populacional, uma vez que essa variável apresentou uma queda significativa nas últimas décadas. A taxa de fecundidade das gaúchas passou de 5,11 filhos por mulher, em média, em 1960 para 1,75 filho em 2010, valor este que já se situa abaixo do nível de reposição da população.

O saldo migratório do Rio Grande do Sul ― a diferença entre o número de imigrantes e o de emigrantes ― tem sido, historicamente, negativo, isto é, o Estado tem sido expulsor de população. O saldo migratório anual vinha diminuindo desde a década de 70, quando o Estado perdia cerca de 20 mil pessoas por ano; nos anos 80, caiu para 10 mil; e, na década de 90, reduziu-se mais ainda, pois foi de menos de 3 mil. No Censo de 2010, a análise é feita considerando onde as pessoas declararam que residiam em 2005. Assim, percebe-se que houve uma interrupção da tendência de igualdade entre o número de imigrantes e emigrantes, pois 102.613 residentes no Estado declararam residir, em 2005, em outras unidades da Federação, e 177.263 pessoas residentes em outros estados declararam morar, em 2005, no Rio Grande do Sul, valores que indicam uma redução líquida de 74.650 pessoas no período.

As unidades da Federação que mais atraíram os gaúchos foram os estados da Região Sul: para Santa Cata-rina, emigraram 91.953 pessoas, mais da metade dos emi-grantes gaúchos; enquanto, para o Paraná, se deslocaram 21.853 pessoas, fazendo esses dois destinos responsáveis por 64,2% do total de emigrantes do Estado. São Paulo e Rio de Janeiro são os próximos destinos preferidos, com 14,1% dos emigrantes gaúchos. Assim, esses quatro estados atraíram mais de 78% dos gaúchos que se deslocaram para outra unidade da Federação. Por outro lado, nota-se que as trocas populacionais entre essas unidades da Federação e o Estado são intensas. Os imigrantes de Santa Catarina são os de maior número no Rio Grande do Sul, 31.902, sendo 31,1% do total de imigrantes no período. O Paraná está em segundo lugar, com entrada de 16.997 pessoas, sendo 16,6% dos imigrantes; enquanto São Paulo e Rio de Janeiro representaram em torno de 22% dos que se deslocaram para o Estado. Essas quatro unidades da Federação são origem de 70% dos imigrantes no período.

O saldo migratório dos três destinos principais é negativo, sendo de 60.051 para Santa Catarina, 4.857 para o Paraná e 2.893 para São Paulo. Já para o Rio de Janeiro, as trocas populacionais foram positivas, o número de imi-grantes superou o de emigrantes em 863 pessoas. Essa situação ocorre com apenas outras sete unidades da Fede-ração: Ceará, com saldo positivo de 798 pessoas; Minas Gerais, com saldo de 200; Maranhão, com saldo de 149; Rio Grande do Norte, com saldo de 141; Pará, com saldo de 123; Amapá e Paraíba, com saldo inferior a 10 pessoas

Apesar de o saldo migratório não ser suficiente para influenciar significativamente as taxas de crescimento da população do Estado, ele pode ser determinante em regiões menores, como municípios. Além disso, a migração tem um papel importante na modificação da estrutura de uma popu-lação, em vários aspectos socioeconômicos e demográficos, pois a população que migra é selecionada por certas caracte-rísticas, modificando tanto o lugar de origem como o de destino. Portanto, o estudo dessa componente demográfica não deve ser descartado, sendo interessante considerarem-se as fronteiras transpostas: municipais, regionais, estaduais ou internacionais.

Rio Grande do Sul trocas migratórias interestaduais entre 2005 e 2010

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