Rio Grande do Sul: novo pólo de desenvolvimento florestal

Um fato econômico novo e gerador de novas perspectivas para a economia estadual é a sua inserção no processo recente de reorganização espacial das indústrias de papel e celulose nos âmbitos mundial e nacional. A tendência aponta o deslocamento relativo da indústria do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul e, internamente, do eixo São Paulo-Espírito Santo em direção a outros estados.

Em meio a uma importante controvérsia sobre os impactos ambientais do processo, o fato é que o RS — especialmente sua região sul — vem se constituindo em uma área privilegiada de expansão de novos empreendimentos voltados à produção de celulose, processo liderado por importantes grupos empresariais, estrangeiros e nacionais, atuantes no mercado da pasta celulósica e do papel.

A realocação das atividades florestais em âmbito mundial vem privilegiando o Brasil e incluindo, também, o Uruguai e a Argentina.Tendo em vista a instalação e/ou expansão desses investimentos concomitantemente às dos direcionados à região sul do RS, poder-se-ia, até, ir mais além e supor que a convergência geográfica dos projetos corresponderia a estratégias empresariais de formação de um único e novo pólo de desenvolvimento florestal no Cone Sul. Não sendo o pressuposto verdadeiro, então, movimentos independentes dos operadores entre si terminariam significando a constituição do eixo. De todas as maneiras, um movimento dessa natureza só vem reforçar a posição do Estado como área atrativa para investimentos.

A cadeia de base florestal brasileira é internacionalizada, considerando-se a presença de grandes grupos estrangeiros no setor, a profunda integração dos grupos nacionais ao comércio internacional da produção madeireira e, ainda, a imbricação dos interesses de ambos, expressa em associações econômicas de variados tipos (participação no capital, troca de ativos, joint ventures).

Todos esses operadores — os recém-chegados e os estabelecidos, independentemente de sua nacionalidade — haviam concentrado as atividades no polígono São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Paraná e Minas Gerais, relegando o Rio Grande do Sul a uma posição marginal. Tanto é assim, que se observa que, em todos os elos da cadeia de celulose e papel, é inexpressiva a presença do Estado, com uma importância relativa que diminui à medida que se avança na cadeia de agregação de valor (tabela).

Considerando a natureza internacional das empresas que lideram o processo de dispersão geográfica dos investimentos em direção ao RS, tem-se, naturalmente, a integração da nova base produtiva estadual ao mercado global.

Do ponto de vista puramente econômico, a reorganização espacial da indústria de celulose e papel em âmbito mundial está associada, de forma importante, à preservação da rentabilidade, que vem sendo ameaçada por custos crescentes da matéria-prima (madeira) em regiões tradicionalmente produtoras do Hemisfério Norte. Certas áreas do Hemisfério Sul apresentam vantagens comparativas nesse particular. Considere-se o Brasil. No País, os índices registrados na produção de madeira de eucalipto, em 2006, atingiam de 38 a 41m3/ha/ano, enquanto, em outros importantes centros produtores — Austrália e região sul dos EUA, como exemplos —, os rendimentos eram bem inferiores, situando-se em 25m3/ha/ano e 6m3/ha/ano respectivamente. São essas vantagens que permitem apostar que o processo de dispersão dos investimentos continuará beneficiando o Brasil.

Os projetos previstos para a cadeia produtiva florestal, uma vez executados e maturados plenamente, significam a estruturação de uma importante cadeia de produção de celulose no setor do agronegócio do RS, competitiva mundialmente, subtraindo o Estado de sua condição de produtor marginal.

Podem-se esperar profundos desdobramentos dos novos investimentos, principalmente sobre a matriz produtiva da região sul do Estado, sobre o desempenho da balança de comércio externo e sobre a infra-estrutura de transporte. Cabem estudos aprofundados sobre, pelo menos, esses grandes temas, cujos resultados, ajuntados a uma base maior de informações — relacionadas estas aos impactos ambientais e sociais dos projetos —, possam subsidiar o Governo na formulação de um marco regulatório para essa que será uma expansão em grande escala do setor florestal.

Rio Grande do Sul novo pólo de desenvolvimento florestal

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