Reunião da OMC: disposição de diálogo

Após a abertura ao Exterior e a globalização, que marcaram os anos 90, os países em desenvolvimento começam a reagir, conscientes de que estas têm servido muito mais aos países ricos. As barreiras tarifárias, sanitárias e ambientais, bem como os subsídios aos produtores dos países ricos, têm limitado as exportações das nações em desenvolvimento, especialmente de produtos agrícolas. Isso não afeta apenas a balança comercial dos países prejudicados. Também ceifa milhões de empregos e afeta suas rendas internas. Por isso, os países em desenvolvimento têm aumentado suas reivindicações junto à OMC.

A reunião de Doha, em novembro, teve avanços, ainda que tênues, para os países menos desenvolvidos. Obteve-se a inclusão da agricultura — antes tratada em um acordo em separado —no sistema multilateral de comércio da OMC. Os europeus também aceitaram discutir futuramente seu sistema de subsídios e protecionismo, o que antes se recusavam a fazer.

De uma forma geral, os países desenvolvidos procuraram demonstrar maior disposição a negociar. O quadro recessivo que atinge os Estados Unidos, a Europa e o Japão fazia esperar desses países uma firme defesa do protecionismo, em Doha. Entretanto prevaleceu uma posição mais flexível, que pode ser atribuída à busca de legitimidade e ao apoio internacional na guerra ao terrorismo.

Ainda é cedo para se avaliarem os resultados do que foi acertado em Doha, mas tudo indica que melhoraram as condições para que os países em desenvolvimento obtenham avanços em suas reivindicações.

Reunião da OMC disposição de diálogo

Compartilhe