Repercussões da crise internacional sobre a economia brasileira

A grave crise financeira internacional revelada no terceiro trimestre de 2008 afetou forte e imediatamente o mercado internacional de bens, interrompendo a trajetória firme de expansão das exportações observada desde, pelo menos, o início do ano de 2005. Depois de haver crescido a 20,9% no quarto trimestre de 2007 e a 24,4%, 28,4% e 23,0% nos primeiros três trimestres de 2008, o valor das exportações caiu 11,8% no trimestre subsequente e despencou nos dois primeiros trimestres de 2009, na razão de 31,2% e 33,2% (considerando-se os respectivos trimestres dos anos anteriores). Nota-se uma pequena recuperação nos últimos meses de 2009, mas, no mês de janeiro de 2010, o valor das exportações voltou a reduzir-se.

Esse quadro geral reflete a situação do comércio internacional dos países em geral, independentemente de se caracterizarem como fornecedores de matérias-primas ou de bens manufaturados. Chile, Brasil e Argentina, enquadrados no primeiro caso, e Alemanha, Estados Unidos e Japão, no segundo, tiveram queda acentuada nas exportações. Não obstante isso, países desenvolvidos (USA e Japão) e em desenvolvimento (China, Índia e Coréia), mas que apresentam perfis exportadores concentrados em manufaturas, retomaram o crescimento das vendas mais rapidamente que os exportadores de básicos, ou de produtos intensivos em recursos naturais (Brasil e Argentina).

No que diz respeito ao Brasil, foram intensos os efeitos da retração da demanda externa sobre a balança comercial e o setor industrial.

A crise internacional levou à redução dos saldos da balança comercial do País, em um contexto, ressalte-se, de deterioração progressiva e acentuada dos mesmos, que já vinha ocorrendo desde julho de 2006. Tal situação esteve associada de forma importante ao crescimento das importações e, portanto, a fatores endógenos à economia brasileira (como a apreciação do real), de modo que as quedas dos saldos não podem ser atribuídas apenas à crise e à lenta recuperação da economia mundial após outubro de 2008.

Outro setor que foi fortemente impactado pela redução da demanda mundial foi a indústria brasileira. Dados o aumento de sua exposição ao mercado externo em períodos antecedentes à crise, o grau de encadeamento dos segmentos indus-triais exportadores aos produtores de matérias-primas e bens intermediários (verticalização da produção), bem como a elevada participação destes últimos na produção final exportada, a queda das vendas externas derrubou a produção industrial como um todo e vem dificultando a sua recuperação. Estima-se que, entre o terceiro trimestre de 2008 e o de 2009, a queda das exportações totais foi responsável por 63,2% da redução da produção industrial. Desse total, o impacto das exportações diretas foi de 37,2%, e o das indiretas, de 26% (BNDES, Visão do Desenvolvimento, n. 75).

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