Rendimentos do trabalho: persiste discriminação entre mulheres e homens

Ao se analisar a discriminação entre os sexos quanto à inserção no mercado de trabalho, os rendimentos têm-se destacado como um dos fatores que mais expressam a desigualdade entre homens e mulheres. Esse quadro é corroborado, quando se verificam os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre sobre o rendimento das mulheres. Em 1993, as mulheres ocupadas recebiam 65,2% do rendimento médio real dos homens (R$ 796,00 contra R$ 1.219,00 do contingente masculino); em 2000, essa proporção foi de 68,3%, iniciando uma trajetória mais virtuosa para as mulheres trabalhadoras. Num movimento oscilante, os anos seguintes indicaram uma tendência de redução da diferença entre os rendimentos médios femininos e os masculinos. A partir de 2000, a menor diferença foi registrada em 2004 (74,7%), tendo-se observado pequeno aumento da desigualdade em 2005 e 2006 e, novamente, uma redução dessa disparidade em 2007 (74,4%, equivalendo a um rendimento médio de R$ 864,00, enquanto o masculino foi de R$ 1.161,00).

Não obstante a redução da diferença entre os rendimentos femininos e os masculinos, a discriminação da mulher no mercado de trabalho ainda é nitidamente anunciada pelos rendimentos auferidos. A despeito da legislação sobre a igualdade de salários, as remunerações têm apresentado diferenças significativas entre os sexos, obedecendo, além da própria discriminação sexual, a critérios que contemplam atributos pessoais, como nível de escolaridade, idade e cor, sendo pouco determinadas pela natureza do trabalho e pela capacitação do indivíduo. Nível de escolaridade superior e situação familiar (estado civil, idade dos filhos), por exemplo, favorecem a inserção da mulher no mercado de trabalho, aproximando seus rendimentos aos recebidos pelos homens, embora, na média, ainda distantes da igualdade.

Rendimentos do trabalho persiste discriminação entre mulheres e homens

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