Regionalização e caracterização da pobreza no Estado

Em novembro deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados definitivos do Censo Demográfico 2010. Com a utilização desses dados e a definição de pobreza extrema adotada pelo Governo Federal — a população residente em domicílios particulares permanentes com rendimento mensal domiciliar per capita de até R$ 70,00 —, procurou-se examinar a dispersão espacial da pobreza extrema no RS. No Estado, cerca de 198.000 pessoas vivem nessa situação, o que representa aproximadamente 1,9% da população gaúcha. Essa proporção de extremamente pobres, no entanto, é bastante diversa entre os municípios. O líder no ranking de pobreza, em termos percentuais, é o Município de Redentora, com 23,45% da população em situação de pobreza extrema. Outra disparidade importante diz respeito à desigualdade entre as proporções de extremamente pobres que vivem em zonas rurais e urbanas. Enquanto, na população urbana, observa-se 1,4% das pessoas nessa situação, na zona rural essa proporção é de 4,7%.

Com o objetivo de analisar a multidimensionalidade da pobreza, utiliza-se a técnica de análise de cluster, que permite agrupar municípios com características semelhantes. Os clusters são construídos agrupando-se informações municipais dos seguintes indicadores: percentual de extremamente pobres, percentual da população rural extremamente pobre, taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais, taxa de mortalidade infantil, rendimento médio per capita e percentual de domicílios com condições inadequadas de saneamento (aqueles que não têm nem abastecimento de água por rede geral, nem esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica e nem coleta de lixo direta ou indireta).

Com as informações citadas, foram definidos três clusters de municípios para o Rio Grande do Sul. O cluster 1 reúne os municípios com melhores médias para todos os indicadores, seguido pelo 2, com valores intermediários, e, por fim, pelo cluster 3, com as piores médias. Em geral, municípios com um alto desempenho em um indicador tendem a ter alto desempenho nos demais, assim como os intermediários e os de desempenho baixo. Outro resultado importante é a associação dos piores indicadores com a porcentagem de extremamente pobres da população rural.

No mapa, pode-se visualizar um padrão regional para os clusters. Percebe-se que os municípios pertencentes ao cluster 1 (indicadores de alto desempenho) se encontram principalmente na Região Metropolitana de Porto Alegre e na Serra, bem como na região de Cruz Alta e Passo Fundo. Além dessas regiões, encontram-se nesse grupo alguns municípios que são polos regionais, como Pelotas, Rio Grande, Santa Maria e Santa Rosa.

Com relação ao cluster 2 (indicadores intermediários), verifica-se que grande parte dos seus municípios está localizada na região sudoeste, mais especificamente na região da Campanha, e na região central do Estado. Já os municípios pertencentes ao cluster 3 (indicadores de baixo desempenho) encontram-se principalmente no extremo norte e em alguns municípios do sul do Estado. Na região norte e pertencente a esse grupo, por exemplo, encontra-se o Município de Redentora, que, como dito anteriormente, tem a maior proporção de população em pobreza extrema do Estado. Como parte desse grupo, encontra-se, na região sul, o Município de Canguçu.

Como visto nos dados, existe, em média, uma relação forte entre municípios com altos percentuais de população abaixo da linha de pobreza, baixa educação e condições de saúde e de saneamento precárias. Essa regionalização é um exercício importante para subsidiar políticas públicas.

Regionalização e caracterização da pobreza no Estado

Regionalização e caracterização da pobreza no Estado 2

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