Recuperação econômica e produtividade na indústria brasileira

A retomada da atividade industrial no País, desde julho de 2003, é a chave da recuperação econômica em curso. Essa realidade leva ao questionamento de sua sustentabilidade. Afinal, nos últimos 14 anos, foram quatro ciclos de crescimento efêmero, nenhum ultrapassando mais de 12 meses continuados de taxas ascendentes. Uma maneira de auferir o fôlego da recuperação ora em curso é a verificação de seus efeitos sobre o desenvolvimento das forças produtivas. O gráfico faz essa averiguação através da variação da produtividade do trabalho, medida pela relação entre os índices da produção física e das horas trabalhadas.

Iniciando no pico de um ciclo, dezembro de 2000, vê-se que a produtividade declinou e voltou a crescer no ciclo seguinte, de janeiro a dezembro de 2001, perdendo fôlego em seguida, a ponto de a fase ascendente, até outubro de 2002, não apresentar variação significativa do índice. Na fase em curso, o movimento parece ser outro, uma clara tendência de elevação da produtividade continuada por 13 meses, embora desacelerando desde o começo de 2004.

A questão que permanece em aberto é até que ponto esses resultados vão além de uma mera eliminação de porosidades no processo de trabalho — que naturalmente crescem em fases de recessão, resolvidas por maior intensificação e eficiência produtivas — e podem ser creditados a avanços tecnológicos decorrentes de investimento e inovação. Nesse caso, os ganhos de produtividade sinalizariam um fôlego maior ao presente ciclo, levando, inclusive, a uma recuperação do emprego. A questão em aberto é se esse processo terá força para superar os sinais negativos da política econômica e garantir sua continuidade nos próximos meses.

Recuperação econômica e produtividade na indústria brasileira

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