Recuperação adiada para 2013

A passagem de ano sempre inspira reflexões: de um lado, repassamos o que foi realizado ao longo do ano anterior e, de outro, projetamos o que deve ser feito no ano que se inicia. Seguindo essa perspectiva, 2012 pode ser considerado o ano em que a recuperação econômica não ocorreu. Isto porque a desaceleração, que se apresentava já em 2011, tomou contornos mais expressivos ao longo doúltimo ano. Aguardamos uma recuperação econômica que, de acordo com o que mostram os dados divulgados até o momento, ainda não tomou forma. Contudo, ainda mais importante que analisar esse comportamento será avaliar a sua possível projeção sobre o ano de 2013.

Conforme podemos acompanhar na tabela, o consumo das famílias, que apresentou seu 36º crescimento consecutivo, continua sendo o principal componente a contribuir para o PIB. Esse resultado reflete a manutenção do emprego durante o período, bem como o contínuo crescimento do crédito, mesmo que arrefecido. O consumo do Governo, após reduzir sua contribuição ao fim de 2011, voltou a crescer em 2012, mantendo uma contribuição média de 0,6 p.p. para o crescimento total do PIB em cada trimestre. Esses dois componentes mantêm-se positivos e, apesar de apresentarem alguma flutuação, são relativamente estáveis ao longo do tempo.

Analisando-se a participação dos demais componentes, é válido observar a significativa alteração ocorrida ao longo de 2012. As exportações líquidas — que representam a soma das contribuições das exportações, descontadas as importações — reverteram sua influência para o crescimento do PIB no 3º trimestre de 2012, tornando positiva a sua contribuição. O que ocorreu, na verdade, foiuma retração no comércio com o exterior, sendo que a queda das importações foi maior que a queda dasexportações. No acumulado até o terceiro trimestre de 2012, a contribuição das exportações líquidas é nula.

Os componentes analisados até o momento acabaram sendo neutralizados pelo comportamento descendente da Formação Bruta de Capital Fixo, que, no acumulado do ano, contribuiu negativamente com 0,7 p.p. para o crescimento do PIB. O resultado inspira preocupações, mas também aponta os rumos para a correção no ano que se inicia. Algumas medidas nesse sentido já foram iniciadas. Devido ao mau resultado das Contas Nacionais, o Governo providenciou uma série de pacotes para incentivar o investimento no País: PAC 2, continuação do Programa Minha Casa Minha Vida, ‘PAC Logística’, aprofundamento do Programa de Sustentação do Investimento e redução da Taxa de Juros de Longo Prazo. O difícil, até o momento, tem sido instigar o setor privado a acompanhar o movimento do Governo, algo que tem sido buscado através de desonerações fiscais e, principalmente, da redução da taxa Selic, juntamente com uma pressão para a redução do spread bancário, o que reduziria o custo financeiro dos investimentos.

O fato é que essas medidas ainda não surtiram efeito, seja pelo tempo natural que exigem para ser maturadas, seja pela dificuldade do Governo em tocar seus projetos, ou pela perspectiva de que o consumo das famílias tenha chegado ao seu limite, representado pelo endividamento aliado ao crescimento da inadimplência. Não resta dúvida, no entanto, que o desempenho econômico no ano de 2013 dependerá da reação das empresas aos novos incentivos, uma vez que o Governo não poderá arcar sozinho com os investimentos necessários para a retomada do crescimento em um ritmo mais elevado.

Recuperação adiada para 2013

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=nwC2FN0SIqs]

Compartilhe