Racionalidade microeconômica e transgenia na lavoura gaúcha

Os produtores gaúchos estão colhendo uma safra de 19 milhões de toneladas de grãos, quase três milhões de toneladas a mais com relação à precedente, as quais correspondem a 28% do aumento da produção nacional em 2003. Nenhum outro estado registrou tal performance em termos absolutos. Esses números explicam-se pelo aumento da produtividade da lavoura, uma vez que a área cresceu 2,6%, e a tonelagem produzida, 18%.

Tais resultados, extremamente auspiciosos, foram obscurecidos pela polêmica surgida em torno da comercialização da safra de soja de origem transgênica. Mas também, não é para menos. Estima-se que, em 60% ou 65% da área plantada com soja colhida em 2003, foram utilizadas sementes modificadas, originalmente contrabandeadas da Argentina.

Cabe indagar as razões que levaram os produtores gaúchos a desafiarem a lei que proíbe a comercialização da soja transgênica e assumirem tal risco.

Benami Bacaltchuk, da Embrapa de Passo Fundo, dá indicações a respeito. A opção por essa semente reduziria significativamente o custo de produção de várias maneiras. Primeiro, no plantio convencional da soja, o produtor utilizava cerca de 30% de sementes próprias e comprava 70% de sementes certificadas no mercado. No plantio com sementes modificadas, ele praticamente inverteu a relação em favor da semente própria, transgênica, prática que reduz o custo das sementes no custo total. Em segundo lugar, a semente  transgênica utilizada está associada a um herbicida que pode diminuir para a metade o número de aplicações de defensivos na lavoura. Em terceiro lugar, o herbicida em questão custaria 30% a menos que os demais. Embora essa redução de custo beneficie a todos os produtores, é, no entanto, vital para os que exploram commodities em pequenas e médias escalas, onde se inclui grande parte dos produtores gaúchos.

Racionalidade microeconômica e transgenia na lavoura gaúcha

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