Queda expressiva no rendimento médio dos ocupados

Analisando os dados de rendimento médio real para os ocupados nas regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), pode-se observar uma queda contínua do rendimento no período de janeiro de 1999 até agosto de 2004, independentemente da região metropolitana analisada. As quedas do rendimento experimentadas pelos ocupados das regiões metropolitanas, por certo, foram de intensidades distintas, porém todas se mostraram muito significativas.

O rendimento médio dos ocupados na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) reduziu-se de R$ 1.415 para R$
1.003 (-29,1%); intensidade idêntica obtiveram os ocupados da Região Metropolitana de Recife (RMR), que, não obstante já terem a menor renda em janeiro de 1999, apresentaram o pior índice de evolução, juntamente com São Paulo. A seguir, no ranking dos ocupados que tiveram maior perda de rendimento, vêm os do Distrito Federal, com uma queda da ordem de quase R$ 300 no rendimento médio real, o que representa uma perda de mais de 19%. A Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) foi a que apresentou a menor queda dentre as regiões analisadas; apesar de ser bastante significativa (-14,8%), ela é quase a metade da experimentada pela Região Metropolitana de São Paulo. A diferença dos percentuais de retração no rendimento entre a RMPA e a RMSP foi tão importante que, em janeiro de 1999, um trabalhador da Região Metropolitana de Porto Alegre recebia, em média, 70,6% do rendimento de um trabalhador da RMSP, passando, em agosto de 2004, para cerca de 85%.

A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) apresentou queda pouco superior à da Região Metropolitana de Salvador (RMS) — 16,7% contra 15,6% respectivamente. Em janeiro de 1999, um ocupado da Região Metropolitana de Salvador recebia, em média, 91,6% do rendimento de um ocupado da RMBH. Esse percentual sofreu pequena alteração e, hoje, é de 92,8%.

O que chama atenção nos dados de rendimento das seis regiões é o fato de as posições iniciais de ordem em momento algum terem se alterado pelo menor período possível, o que mostra um forte componente estrutural operando sobre os rendimentos médios dos ocupados nas regiões metropolitanas.

Analisando os desempenhos da RMPA e da RMSP, é possível observar que o movimento na distribuição por posição na ocupação foi muito pequeno, porém muito semelhante nas duas regiões: pequena elevação no assalariamento, explicada, quase totalmente, por uma elevação do assalariamento privado sem carteira de trabalho. As quedas nos rendimentos aconteceram para todos os ocupados indiscriminadamente, tanto para os do setor formal como para os do informal, ou seja, a queda da renda dos ocupados nas regiões não pode ser explicada por uma mudança no perfil de distribuição dos ocupados por posição, mas, sim, por uma queda de poder aquisitivo em todos os níveis de ocupados, queda esta sempre maior para os ocupados da Região Metropolitana de São Paulo em relação aos da de Porto Alegre.

Queda expressiva no rendimento médio dos ocupados

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