Queda das exportações brasileiras de manufaturados

A pauta de exportações brasileiras vem sendo afetada recentemente por um aumento da participação de produtos básicos e por uma redução dos produtos de maior valor agregado. De 2007 a 2011, a composição das exportações por fator agregado mostrou um crescimento em todos os tipos de produtos, mas os produtos de baixo valor agregado demonstraram um desempenho bem acima do dos demais. O valor dos produtos básicos exportados teve um forte crescimento de 137,4% nesse período. Assim, a participação desse segmento nas exportações totais passou de 32,1% em 2007 para 47,8% em 2011. Por outro lado, as exportações de produtos manufaturados registraram um baixo crescimento, de apenas 9,7%. Enquanto, em 2007, o valor exportado de manufaturados representava um pouco mais da metade (52,4%) das exportações brasileiras, em 2011, a participação caiu para um pouco mais de um terço (36,1%). Já os produtos semimanufaturados mantiveram a participação quase inalterada, ficando em 14,1%, em 2011.

Um dos motivos dessa forte expansão dos produtos básicos é a crescente participação da China nas exportações brasileiras. Como a maior parte da demanda chinesa tem sido por produtos básicos (85% em 2011), à medida que ela ganha participação nas exportações brasileiras, os produtos de baixo valor agregado também ganham importância. Em 2011, 30,8% do que o Brasil exportou de produtos básicos foi para a China. Cabe ressaltar que o crescimento da demanda chinesa também ajudou no crescimento das exportações de produtos de maior valor agregado. De 2007 a 2011, as exportações de manufaturados para a China aumentaram US$ 1,1 bilhão.

A queda da participação dos manufaturados atingiu todos os principais destinos das exportações brasileiras. Alguns desses países, que representam importantes destinos dos manufaturados brasileiros, tiveram queda também em termos absolutos. É o caso dos Estados Unidos, no qual, em 2007, os manufaturados representavam 63,4% das exportações brasileiras para esse país. Já em 2011, essa participação diminuiu para 45,5%. Essa queda foi devida a uma forte retração no valor exportado de manufaturados para o país, que diminuiu fortemente, em 2009, com o desenrolar da crise, caindo 41,9% em relação a 2008. Nos anos seguintes, a recuperação dos manufaturados foi mais lenta que a dos demais produtos, e ainda não se atingiram os valores de exportação de antes da crise. Em 2011, o valor exportado de manufaturados ainda registrava uma variação negativa de 26,1% em relação a 2007. Os produtos manufaturados que tiveram maior queda em valor foram aviões, derivados de petróleo e calçados.

A América Latina tem-se mantido como um importante destino dos manufaturados brasileiros. Do total de manufaturados exportado pelo Brasil em 2011, 45,4% tiveram como destino o bloco. Entretanto a fatia de manufaturados nas exportações para o bloco caiu de 87,1% em 2007 para 81,6% em 2011. Essa queda ocorreu nos principais países de destino, no bloco. No caso da Argentina e do Chile, a queda deveu-se a um forte crescimento do valor exportado de produtos básicos, acima do crescimento dos manufaturados. Já para a Venezuela e para o México, além do crescimento dos produtos básicos, houve uma queda em termos absolutos do valor exportado de produtos manufaturados. Entre 2007 e 2011, a exportação de manufaturados caiu 37,3% para a Venezuela e 11,1% para o México. Tanto para a Venezuela quanto para o México, o setor anufatureiro mais afetado foi o de automóveis.

Para a União Europeia, a participação dos manufaturados, em 2011, foi de 32,5%, contra 40,4% em 2007. Houve um crescimento de 50,8% nas exportações de produtos básicos para o bloco, contra um crescimento de apenas 5,3% de produtos manufaturados. Dentro do bloco, alguns importantes países de destino registraram uma queda absoluta no valor de manufaturados entre 2007 e 2011. Foi o caso da Alemanha, da Itália e do Reino Unido, que tiveram perdas de 11,1%, 9,6% e 11,8% respectivamente. A principal mercadoria manufaturada afetada nas exportações para a Alemanha e para a Itália foi o automóvel. Já para o Reino Unido, as mais afetadas foram aviões e calçados.

Parte desse crescimento do valor exportado dos produtos básicos pode ser explicada pela elevação do preço de algumas commodities ocorrida nos últimos anos. Em muitos casos, mesmo que um determinado país continue demandando a mesma quantidade de produtos básicos, a fatia desses produtos aumenta, devido ao maior preço frente aos demais produtos. Além disso, a crise que afetou fortemente o desempenho das exportações em 2009 ainda prejudica a demanda de alguns países, que não recuperaram o nível de consumo por produtos manufaturados brasileiros que tinham antes.

Queda das exportações brasileiras de manufaturados

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