Produção, emprego e salário na indústria gaúcha

A indústria de transformação do Rio Grande do Sul apresentou, nos oito primeiros meses de 2008, um crescimento de 4,5% na sua produção física, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Tal desempenho esteve bem abaixo da sua congênere brasileira, a qual cresceu 6,0% nesse mesmo período.

Sobre esse desempenho, convém destacar-se que, em primeiro lugar, ele representa uma desaceleração do ritmo de crescimento, quando comparado ao verificado em 2007 (7,4%). Essa tendência de desaceleração, diga-se de passagem, tem-se manifestado ao longo de todo o ano de 2008, o que sinaliza uma expansão ainda menor no fechamento do ano. Em segundo, verifica-se que esse acréscimo na produção física se concentrou em dois setores: produção de máquinas e equipamentos (25,9%) e veículos automotores (19,2%). Como resultado do desempenho desses setores, podem-se observar, também, expressivas taxas de crescimento dos setores de metalurgia básica (9,5%) e produtos de metal (6,8%). Em contrapartida, setores mais tradicionais da indústria gaúcha têm apresentado taxas negativas de variação na produção. Esse é o caso dos setores produtores de bebidas (-7,2%), fumo (-9,8%) e calçados (-4,7%). Exceção a essa regra tem sido o desempenho do setor produtor de alimentos, que apresentou uma taxa de (8,4%), puxado pela recuperação da economia gaúcha e pelo aquecimento do mercado interno nestes dois últimos anos

Pode-se observar, no entanto, que o crescimento da produção não tem apresentado correspondência com a absorção de mão-de-obra por parte da indústria. Assim, se, em 2007, o crescimento do emprego foi praticamente nulo, nos oito primeiros meses de 2008 ele foi de 2,4%. De forma semelhante ao que ocorre com a produção física, observa-se que os setores produtores de máquinas e equipamentos e de veículos automotores estão entre os maiores responsáveis pelo crescimento do emprego. No agregado, no entanto, observa-se que a perda de vagas na indústria de transformação resultante da crise dos anos de 2005 e 2006 ainda não foi recuperada. O resultado conjugado do desempenho da produção e da absorção de mão-de-obra tem sido um significativo aumento da produtividade do parque industrial gaúcho.

Por outro lado, quando se observam os índices da folha de pagamento real da indústria gaúcha, verifica-se que eles têm apresentado um crescimento significativo, conforme pode ser visto no gráfico. De fato, observa-se que, nos dois últimos anos, enquanto a produtividade apresentou um crescimento de 9,6%, a folha de pagamento real cresceu 13,8%. Os indíces demonstram, ainda, uma estreita correlação entre produção física e folha de pagamento. O desempenho conjunto das variáveis folha de pagamento e emprego, portanto, reflete o aumento no salário real do trabalhador empregado na indústria de transformação

Por fim, convém destacar-se que a desaceleração da economia mundial, já em andamento, em conjunto com a queda no preço das commodities, com a crise financeira e com a conseqüente restrição ao crédito, irá afetar, em grande escala, os investimentos e, em grau menor, o consumo das famílias. Com isso, é de se esperar que os setores que vêm liderando o crescimento da indústria gaúcha, mencionados anteriormente, apresentem significativa desaceleração em 2009, impactando o desempenho da indústria e da economia como um todo.

Produção, emprego e salário na indústria gaúcha

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