Produção de trigo no Brasil: longe da estabilidade

O Brasil, que havia chegado perto da auto-suficiência na produção de trigo, na década de 80 — em 1987, foram colhidas no País mais de 6 milhões de toneladas —, tem assistido, desde lá, a bruscas e significativas variações do volume produzido. Os dois últimos anos daquela década já apresentavam queda na produção, mas foi com a abertura da economia no Governo Collor, com o setor passando a enfrentar a concorrência internacional, e com a retirada dos subsídios à produção nacional de trigo nesse mesmo governo, que ocorreram as maiores quedas no volume produzido. A importação de trigo de qualidade superior e a preços menores do que o nacional foi um dos fatores que desencadearam o movimento de redução da produção no Brasil. A cultura apresentou queda de produção até 1995, quando atingiu seu menor volume — 1,5 milhão de toneladas. A desvalorização cambial de 1999, que poderia ter revertido a curva descendente da produção nacional através da inibição das importações, teve efeito reduzido, já que ocorreu em um período de retração dos preços internacionais. Foi assim que a produção brasileira de trigo se manteve no patamar de 2 a 3 milhões de toneladas anuais até os primeiros anos da década atual. Somente em 2003, num cenário externo de preços em alta, houve incentivo à produção do grão, assim como para toda a produção agrícola brasileira. A alta dos preços no mercado internacional deu novo fôlego à cultura, que atingiu novamente, nessa safra, uma produção de 6 milhões de toneladas, repetindo, em 2004, volume semelhante — 5,8 milhões de toneladas. No entanto, a safra de 2005, 20% menor do que a de 2004, foi reflexo da valorização da moeda brasileira, e as previsões para 2006 sinalizam nova queda — as estimativas indicam uma redução de 45% em relação ao total produzido no País, em 2005.

Apesar de a produção de trigo do Rio Grande do Sul ter demonstrado uma instabilidade maior que a nacional em função de problemas climáticos, ela tem acompanhado, grosso modo, a tendência nacional. O trigo gaúcho manteve, na década de 80, uma participação em torno de 30% do total produzido no País, aumentando essa participação no início dos anos 90, chegando, em 1993, a ser responsável por uma produção de quase 42% do total. Em 1994, apresentou um pequeno recuo, com uma participação instável até 1999. A partir daí, a produção gaúcha apresenta um crescimento consistente, atingindo, em 2003, o ápice em termos de volume. Desde lá, alinha-se com os movimentos ocorridos na produção nacional, mantendo, em linhas gerais, a mesma participação na produção total. No entanto, em 2005, a queda na produção gaúcha de trigo foi superior à nacional — o volume produzido no Estado, em 2005, foi 33% menor do que o obtido em 2004. As previsões para 2006 indicam uma redução semelhante à anterior — 32% a menos do que o colhido em 2005.

Produção de trigo no Brasil longe da estabilidade

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