Principais grãos com preços em queda

A recuperação da renda agrícola, após dois anos seguidos com perdas em razão das adversidades climáticas, frustrou- se, devido ao aprofundamento da tendência de queda dos preços. Comparando-se os preços dos principais grãos, recebidos pelos produtores em jan./2003 e jan./2006, no Estado, constata-se que houve redução nos preços do feijão, de 11%, do arroz, de 38%, do milho, de 41%, do trigo, de 48%, e da soja, de 50%.

Os preços internacionais da soja têm apresentado uma trajetória declinante, após um período com cotação muito elevada — de US$ 364 a tonelada em abr./04, sua cotação internacional passou para US$ 211 em abr./06 —, ao que se soma a valorização do real, fazendo com que os preços em reais recebidos pelos produtores fiquem ainda mais baixos. Nos casos do arroz, do feijão e do milho, o aumento dos estoques internos depreciou os preços, o que foi agravado, no caso do milho, devido à queda das exportações de frango, visto que esse grão é usado para a produção de ração. No caso do trigo, a maior parte da oferta é garantida através de importações; como a valorização cambial barateia as importações e dificulta as exportações, os preços são pressionados para baixo.

O ciclo baixista dos preços agrícolas, ao mesmo tempo em que contribui para a manutenção da inflação baixa, provoca uma crise de rentabilidade na agricultura, com o crescente distanciamento entre os custos de produção e os preços recebidos pelos produtores. Esse quadro adverso tem provocado o aumento da inadimplência e, provavelmente, ocasionará a redução no plantio da próxima safra. Os efeitos dessa crise já começaram a ser sentidos por outros setores, como é o caso das indústrias produtoras de máquinas e implementos agrícolas.

Diante da pressão dos produtores rurais, que organizaram protestos em todo o País, durante o mês de maio, o Governo antecipou a divulgação do Plano Agrícola e Pecuário 2006/07 e anunciou um conjunto de medidas emergenciais. O Plano apresenta um acréscimo de 12,5% nos recursos disponibilizados, em relação ao Plano 2005/06, e eleva o volume de recursos a taxas controladas na linha de crédito para custeio. As linhas de crédito para investimento Finame Agrícola Especial, Prodecoop e Moderfrota tiveram suas taxas de juros reduzidas.

Às medidas emergenciais, somam-se as de menor escopo, estabelecidas em abr./06 e voltadas para o equacionamento do problema das dívidas dos agricultores. Através das primeiras, parte dos créditos de custeio da safra 2005/2006 será prorrogada automaticamente, com carência de 12 meses; parcelas dos programas de renegociação PESA, Securitização e Recoop, vencidas em 2005/06 ou vincendas em 2006, de produtores adimplentes até 31.12.04 serão refinanciadas com juros de 8,75% a.a. e carência de até dois anos; será ampliado o prazo de cobrança administrativa da dívida vencida e ainda não inscrita no Cadin dos programas PESA e Securitização, e a Linha FAT Giro Rural contará com mais recursos. O Governo também está propondo a reformulação da política de garantia de preços mínimos e do seguro rural — que depende de projeto de lei.

Principais grãos com preços em queda

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