Primeiros efeitos da crise no mercado de trabalho da RMPA

Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA), a partir de agosto de 2008, quando se intensificou a crise financeira internacional, observa-se queda acentuada na proporção de ocupados com jornada acima de 44 horas. Em fevereiro de 2009, a parcela de ocupados com jornada acima da legal atingiu a menor dimensão (32,8%), quando comparada com a de idêntico mês dos anos anteriores a partir de 2000. Levando-se em consideração os setores econômicos, todos apresentaram redução, sendo a mais acentuada na indústria, onde 22,5% trabalharam mais do que 44 horas, face a 32,2% nos serviços e 50,9% no comércio.

Ao lado dessa redução, observa-se que o crescimento do desemprego, no mês de fevereiro, foi o mais intenso (4,0%), quando comparado com o do mesmo período de anos anteriores a partir de 2000, apesar de apresentar, nesse mês, a menor taxa de desemprego (10,4%) desde 1995.

Esses resultados indicariam que as primeiras ações de ajuste do nível de atividade das empresas frente ao arrefecimento da demanda causada pela crise internacional podem ter sido a redução da jornada de trabalho e a concessão de férias coletivas. Face às incertezas quanto ao desdobramento dessa crise, coloca-se a possibilidade de um cenário de deterioração do mercado de trabalho, no qual o esgotamento de tais estratégias pode dar lugar à elevação do desemprego.

Primeiros efeitos da crise no mercado de trabalho da RMPA

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