Preços livres passam a subir mais que os preços monitorados

O índice que baliza o regime de metas de inflação, o IPCA, pode ser separado em dois grupos, segundo elaboração feita pelo Banco Central: preços monitorados, que são compostos por tarifas de serviços públicos e outros preços controlados, com peso aproximado de 30%; e preços livres, que são todos os outros preços do IPCA, com peso aproximado de 70%. Essa separação é funcional em termos de eficácia da política monetária no curto prazo. Os preços livres são mais sensíveis a esta do que os monitorados.

A partir de junho de 2007, houve um descolamento entre as variações dos preços livres e dos monitorados. Os primeiros subiram 4,6% de junho de 2007 até fevereiro de 2008, enquanto os segundos subiram 0,65%, para um IPCA geral de 3,4%. Foi a primeira vez,desde o Plano Real, que os preços livres subiram mais que os monitorados. Os preços livres aceleraram por conta de uma demanda interna aquecida, combinada com o reflexo dos aumentos no atacado.

A demanda aquecida é um efeito defasado da política de queda de juros iniciada em 2005 e interrompida em 2007, não acompanhada pelo aumento da capacidade produtiva. Já a principal contribuição para a desaceleração dos preços monitorados foi a queda nos preços da energia residencial, em alguns estados, além da estabilidade dos preços internos da gasolina e dos demais derivados do petróleo, que têm grande peso nos preços monitorados.

A alta dos preços livres foi determinante para a alta da taxa Selic em abril. O objetivo é antecipar-se e evitar um estouro da meta de inflação de 2008 e contaminações para 2009.

Preços livres passam a subir mais que os preçoos monitorados

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