Por que o desemprego se mantém em queda na RMPA?

A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), em outubro de 2013, atingiu o menor valor da série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA), iniciada em junho de 1992, situando-se em 6,1% da População Economicamente Ativa (PEA). Uma questão instigante que se coloca a respeito é a de por que essa taxa vem decrescendo, uma vez que, desde 2011, está-se arrefecendo o ritmo de geração de oportunidades ocupacionais no mercado de trabalho.

Para tentar responder a essa questão, são examinadas as evidências empíricas expostas no gráfico, no qual constam as taxas de variação da PEA, dos contingentes de ocupados e de desempregados, de jan./08 a out./13. Conforme se constata, após o desempenho vigoroso do nível ocupacional em 2008 e 2010 — interrompido em 2009 pela recessão econômica advin-da da crise internacional —, desde 2011 a geração de oportuni-dades de trabalho na RMPA foi mostrando perda de dinamis-mo, manifesta em uma trajetória que se tornou descendente. Para se ilustrar esse fato, comparando-se o mês de outubro com o mesmo mês do ano anterior, o nível de ocupação cres-ceu 6,9% em out./08, 3,4% em 2010, 1,5% em 2011, reduziu-se 1,1% em 2012 e registrou leve recuperação, de 1,1%, em out./13. Todavia, apesar dessa diminuição na capacidade de absorção de mão de obra pelo mercado de trabalho, o desem-prego manteve o processo de descenso entre 2011 e 2013.

Um aspecto que se considera central para a compreensão dessa continuidade da queda do desemprego está associado ao comportamento da PEA. A esse respeito, observa-se uma tendência de declínio do crescimento da força de trabalho, o que indica que a mesma vem pressionando relativamente menos o mercado de trabalho. Nesse sentido, a PEA, após crescer 4,7% em out./08, apresentou pequena variação positiva em out./10 (1,0%) e 2011 (0,3%), teve redução em out./09 (-1,4%) e 2012 (-1,2%) e ficou praticamente estável em out./2013. Dessa forma, a trajetória de descenso no crescimento da PEA, em uma conjuntura de diminuição do ritmo de absorção de mão de obra, contribuiu para a continuidade da tendência de queda do desemprego.

Devido ao papel que a PEA está exercendo nesse contexto, seria interessante avançar na compreensão das causas da redução do seu crescimento. A mais importante delas é demográfica, sendo apreendida pela evolução da População em Idade Ativa (PIA) — indivíduos com 10 anos ou mais de idade. Tomando-se as médias anuais da PED-RMPA, constata-se que a taxa média anual de crescimento da PIA, no período 1993-2000, foi de 2,2% e, em 2001-12, de 1,1% — ou seja, uma retração pela metade no ritmo de expansão desse indicador. Um dos aspectos que contribuiu para tanto foi o fato de que a população jovem de 16 a 24 anos passou a diminuir a partir de 2005: esse grupo populacional atingiu 615 mil indivíduos em 2004, para posteriormente ingressar em um processo de descenso, situando-se em 552 mil indivíduos em 2012.

Recortando-se a PIA, os seguintes elementos também influenciaram a redução do crescimento da PEA: (a) a proporção de jovens que somente estuda passou de 18,4% em 2000 para 22,8% em 2012, constituindo-se em um fator adicional a atenuar a pressão desse grupo populacional por oportunidades ocupacionais; e (b) no que diz respeito à segmentação da PIA por sexo, identificam-se mudanças nas trajetórias evolutivas de mulheres e de homens — por um lado, enquanto, de 1993 a 2000, aumentou a taxa de participação feminina (de 44,5% para 49,7%), no período 2001-12 essa tendência foi interrompida, mantendo-se esse indicador praticamente no mesmo patamar; por outro, a taxa de participação dos homens evidenciou um processo nítido de descenso a partir de 2001, passando de 68,5% naquele ano para 65,7% em 2012, o que revela redução do engajamento da PIA masculina em atividades laborais.

Não obstante o comportamento do nível de ocupação ser o fator de maior impacto sobre o desemprego, a situação presente do mercado de trabalho da RMPA abre espaço para que, nas ações voltadas à geração de oportunidades de trabalho, seja mais pertinente colocar ênfase no avanço na qualidade do emprego que está sendo criado do que na sua quantidade.

Por que o desemprego se mantém em queda na RMPA

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