Política cambial poderá alterar matriz industrial

A taxa de crescimento da indústria de transformação brasileira no mês de setembro (5,7%), em relação a igual mês de 2006, ainda que positiva, foi inferior à obtida no mês de agosto (6,6%). Embora isso não signifique uma reversão do crescimento iniciado no mês de janeiro, pode estar contribuindo para o desenvolvimento de uma dinâmica de expansão industrial irregular e desequilibrada.

No RS, a produção física da indústria de transformação sofreu uma desaceleração ainda maior no mês de setembro (1,0%), em relação ao mês de agosto (6,0%). Os principais responsáveis por essa desaceleração foram as indústrias de alimentos, fumo, calçados, metalúrgica básica e mobiliário, que obtiveram resultados negativos. Todas elas sofreram influência do câmbio desfavorável, seja por serem commodities, seja por serem exportadoras, seja por concorrerem com produtos importados.

Ainda assim, a elevada utilização da capacidade instalada da indústria de transformação (Sondagem Conjuntural da Fundação Getúlio Vargas) e o crescimento da produção brasileira de bens de capital indicam que a indústria deve continuar com resultados positivos, graças ao aquecimento do consumo interno. O fato significativo do ano em curso, decorrente da manutenção de uma relação cambial desfavorável às contas comerciais, é que a atividade industrial está cada vez mais dependente da importação de bens intermediários. Mesmo que as perspectivas para as indústrias brasileira e estadual sejam de expansão, o atendimento da demanda tende a se apoiar cada vez mais na importação de componentes, insumos e matérias-primas, o que viria a fragilizar ainda mais os elos das cadeias produtivas e a tornar a indústria excessivamente vulnerável às oscilações do mercado internacional.

Política cambial poderá alterar matriz industrial

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