PIB e população nas mesorregiões do Rio Grande do Sul: 2001-11

O desenvolvimento de uma região não ocorre uniformemente no território, tornando pertinente entender como cada localidade é impactada pelas transformações econômicas. De 2001 a 2011, a economia do RS sofreu diversas transformações: o boom das commodities agrícolas e da agroindústria; uma dificuldade da indústria tradicional em competir com a China e um câmbio valorizado; o sucesso das indústrias metal-mecânica e automotiva; e o surgimento do Polo Naval de Rio Grande.

São analisados a população, o Produto Interno Bruto (PIB) e o PIB per capita das sete mesorregiões do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Estado, nos anos de 2001 e 2011. A mesorregião Centro Ocidental engloba, dentre outros, os Municípios de Santa Maria e Santiago. A Centro Oriental engloba os Municípios de Cachoeira do Sul, Lajeado e Santa Cruz do Sul. A mesorregião Metropolitana inclui a Região Metropolitana de Porto Alegre, municípios de seu entorno e do Litoral Norte. A mesorregião Nordeste inclui municípios da Serra, como Caxias do Sul, Guaporé e Vacaria. O Planalto e o Alto Uruguai são representados na mesorregião Noroeste, cujos maiores municípios são Erechim, Ijuí e Passo Fundo. O Sul do Estado divide-se entre as mesorregiões Sudeste — Municípios de Jaguarão, Pelotas e Rio Grande — e Sudoeste, que abriga, dentre outros, os Municípios de Bagé e Uruguaiana.

O crescimento populacional seguiu a tendência das últimas décadas, com crescimento menor em todo o Estado (4,6% em 2001-11, após crescer 11,48% entre 1991 e 2000), abaixo da média nas mesorregiões mais a sul e oeste, e acima da média nas mesorregiões Metropolitana e Nordeste. Neste último período, no entanto, a Nordeste é que puxou o crescimento populacional, e não a Metropolitana, ao contrário das décadas anteriores; e a mesorregião Centro Oriental, que, nas décadas anteriores, cresceu abaixo da média estadual, agora também cresceu acima, indicando a expansão da área de atração populacional. Enquanto isso, Noroeste, com crescimento populacional pequeno nas décadas anteriores, teve perda absoluta de população nesse período.

Nas mesorregiões do Sul, após décadas de crescimento populacional similar e abaixo da média estadual, a população da Sudeste cresceu 1,7% entre 2001 e 2011, enquanto a mesorregião Sudoeste a viu cair em 3,1%. Reflete-se aí o efeito atrativo do Polo Naval de Rio Grande, cujo impacto tende a aumentar após 2011. Em relação ao PIB, a mesorregião Sudeste é, ao lado da Nordeste, aquela em que ele mais cresceu no período, enquanto a Sudoeste está entre as de menor crescimento. Esse descolamento recente nas tendências de PIB e população torna difícil tratar ambas as regiões como uma “metade sul”, em que pesem as semelhanças históricas.

A mesorregião Metropolitana teve menor crescimento do PIB no período, devido à crise estrutural do setor coureiro-calçadista e de outros setores da indústria tradicional do Estado, afetados pelo câmbio valorizado e pela concorrência chinesa. A região continuou responsável, no entanto, por quase a metade do PIB estadual. Afora essa e a região Sudoeste, todas as outras cresceram acima da média estadual, com destaque para Noroeste, Sudeste e Nordeste. A primeira beneficia-se do bom desempenho da soja no Estado e no País, em especial com crescimento expressivo na indústria de máquinas e equipamentos agrícolas. A mesorregião Sudeste também se beneficiou do momento favorável para as commodities agrícolas e do surgimento do Polo Naval de Rio Grande. A Nordeste cresceu a partir da indústria metal-mecânica e automotiva.

Em relação ao PIB per capita, destacam-se as mesorregiões Sudeste e Noroeste, pelo bom desempenho produtivo combinado a um baixo crescimento populacional. Nordeste e Centro Oriental, com acréscimos populacionais acima da média estadual, tiveram crescimento do PIB per capita mais baixo, mesmo com o bom desempenho do PIB, e a mesorregião Metropolitana, com crescimento baixo do PIB e expansão populacional, apresentou a menor variação do PIB per capita no período. Preocupa, entretanto, a Sudoeste, com o menor PIB per capita entre as mesorregiões e cujo aumento está entre os menores, sendo puxado pela perda populacional significativa, indício de baixa dinâmica econômica.

Os dados indicam uma decadência relativa da mesorregião Metropolitana, mas que ainda atrai população e tem PIB e PIB per capita altos. A mesorregião Nordeste, encabeçada por Caxias do Sul, desponta como força econômica crescente e como polo de atração demográfica, enquanto Noroeste e Sudoeste têm decréscimo populacional e devem ser alvo de maior atenção no que tange às tendências de desenvolvimento para os próximos anos.

população, produto interno

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