Petróleo, obstáculo à vista

Em janeiro, os preços do barril tipo Brent estavam cotados a US$ 18,03. Em abril, os preços avançaram para o patamar de US$ 27,00 por causa do agravamento da crise entre Israel e Palestina. A tentativa de golpe na Venezuela provocou novo impacto na cotação dos combustíveis, e, em setembro, quando houve o ataque das forças norte-americanas e britânicas ao Iraque, os preços do petróleo superaram a cotação de US$ 30,00 o barril.

Petróleo, obstáculo à vista

A evidência de uma nova guerra no Golfo Pérsico criará turbulência adicional ao cenário econômico internacional. Esse ambiente externo passa a ser uma preocupação maior à medida que Saddam Hussein almeja uma retaliação árabe e Bush busca no apoio do Congresso norte-americano a sustentação que não obteve, até o momento, junto ao Conselho de Segurança da ONU. Haverá pressões inflacionárias no Primeiro Mundo e necessidade de elevar as taxas de juros, quando a opção racional atual sinaliza para a redução desse instrumento de política monetária, dada a desaceleração vigente na economia mundial.

O Brasil produz, em média, 1,45 milhão de barris de petróleo por dia, o que representa 80,55% do consumo do produto em âmbito nacional. A Petrobrás desenvolve um programa de investimentos da ordem de US$ 31,2 bilhões até 2006 — em torno de US$ 7 bilhões em 2002 —, que contém, inclusive, a construção de plataformas gigantes. No plano interno, a guerra pressionaria os preços dos derivados do petróleo, as metas da inflação e a realização de investimentos no setor e retardaria a diminuição das taxas de juros brasileiras, caso o FED viesse a alterar a orientação, adotada até aqui, de manter os juros norte-americanos em níveis extremamente reduzidos.

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