Perspectivas para as exportações do Brasil e do RS em 2016

A despeito da deterioração dos principais indicadores macroeconômicos brasileiros em 2015 e da piora das expectativas para 2016, a balança comercial do País apresentou o maior superávit desde 2011 (US$ 19,7 bilhões). Ainda que essa melhora resida mais no intenso recuo das importações do que propriamente pelo desempenho das exportações, estas últimas se manifestam como um alento para a economia nacional em 2016. Mesmo com o ano de 2015 tendo sido marcado pelo agravamento da recessão, as exportações nacionais e gaúchas cresceram em volume (talvez como uma própria consequência do desaquecimento da demanda interna e, por sua vez, da acumulação de estoques ao longo de 2015), resultando no maior volume embarcado da história do comércio exterior brasileiro e gaúcho e na maior rentabilidade nacional em reais dos últimos 11 anos.

Nesse sentido, um primeiro fator que pode contribuir para a ampliação desse resultado em 2016 é o movimento de depreciação do real frente ao dólar (que se iniciou em 2011 e ganhou intensidade em 2015), o qual exibe uma tendência de continuidade e se apresenta como o principal fator de expectativas favoráveis para as exportações. Enquanto, em alguns setores (como os de metalurgia, celulose, calçados e têxteis), já se percebem alguns indícios de substituição de parte dos importados por produção nacional, a expectativa é de que os efeitos do câmbio mais competitivo (a R$/US$ 4,20 em 2016, chegando a R$/US$ 4,36 no fim do ano, contra uma média de R$/US$ 3,33 em 2015) comecem a serem sentidos com mais intensidade no decorrer de 2016. Isso por conta de sua defasagem sobre as exportações, a partir da negociação de novos contratos com o câmbio no patamar atual e da reativação de canais de exportação antes fechados no período de sobrevalorização do real e de quando a indústria se voltou mais fortemente ao mercado interno. Em especial, o setor exportador espera uma reação mais vigorosa das exportações de manufaturados ao realinhamento cambial.

Um segundo fator consiste na estabilidade dos preços internacionais das commodities, com tendência à valorização das agrícolas, embora ainda persistam incertezas em relação ao comportamento das minerais e metálicas. O arrefecimento dos preços de commodities tradicionais, como soja, petróleo e minério de ferro, iniciado em meados de 2014 e que perdurou ao longo de todo o ano de 2015, foi o grande responsável pela redução em valor das exportações brasileiras e gaúchas no ano passado. Apesar da queda vertiginosa em preços, o volume embarcado dessas mercadorias ao exterior cresceu, indicando que, com preços mais estáveis, estas podem contribuir positivamente com as exportações em 2016.

Nesse particular, outro fator decisivo decorre dos desdobramentos da mudança de modelo de crescimento da economia chinesa (da manufatura/investimento para serviços/consumo). Pelo perfil de consumo das commodities importadas pela China, a quantidade de soja não deve ser muito afetada, diferentemente da de petróleo e de minério. Aqui, o RS sairia mais beneficiado do que o País, dado que o gigante asiático é o principal importador de produtos brasileiros (soja, minério, petróleo, celulose e açúcar) e gaúchos (basicamente, soja) e que a sua demanda por alimentos não deve ser prejudicada pela transformação em marcha.

O desempenho de outros parceiros comerciais estratégicos também será decisivo para as nossas exportações. As recentes medidas de afrouxamento nas restrições ao comércio internacional anunciadas pelo Governo Macri na Argentina — como as reduções e extinções de impostos de exportação e a revogação do imposto de importação — podem contribuir para o crescimento das exportações gaúchas e brasileiras, sobretudo de manufaturados, mesmo que não tão a curto prazo. Nos EUA, outro importante mercado para os nossos produtos industrializados, vislumbra-se a manutenção do satisfatório ritmo de crescimento verificado nos últimos anos, o que deve acarretar o aumento de suas importações.

Para além dos três principais parceiros comerciais do Brasil e do RS, houve o reposicionamento da política comercial brasileira (fortalecimento de relações comerciais com parceiros já tradicionais e abertura de novos mercados) com o lançamento do Plano Nacional de Exportações (PNE) em junho de 2015. De acordo com o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 1.100 companhias voltaram ou começaram a exportar no ano passado, com estimativa de mais de 2.000 empresas entrarem na lista de exportadores nesse ano. Também segundo o Ministério, espera-se a ampliação da base exportadora do RS em 20%, a partir da difusão do Plano Nacional da Cultura Exportadora. Na esteira do PNE, diversos acordos comerciais foram celebrados ou renegociados em 2015, bem como foram adotadas várias medidas de facilitação ao comércio, através de mecanismos e regimes tributários e de financiamento e garantia às exportações.

Na área da agropecuária, medidas consagradas em 2015 também podem ser elencadas: recuperação de diversos mercados embargados, inclusive de 100% dos embargados em 2012 de carne bovina; acesso aos maiores importadores de lácteos, como China, Rússia e Japão; abertura, reabertura ou ampliação de mercados para produtos brasileiros e gaúchos relevantes, como carnes, lácteos e alimentos para animais; acordos sanitários e fitossanitários; combate a práticas ilegais no comércio internacional; e ampliação da atuação dos adidos agrícolas. Tais medidas oferecem ainda mais fôlego à previsão de crescimento em 2016 da produção de soja, carnes e celulose no RS, além de café e açúcar no Brasil.

Em suma, os fatores aqui discutidos, em maior ou menor grau, oferecem perspectivas favoráveis para as exportações do Brasil e do RS em 2016, mesmo em um cenário permeado de incertezas macroeconômicas, menor crescimento do comércio mundial e acirramento da concorrência externa. No entanto, ressalta-se que a baixa participação das exportações no PIB limita a capacidade de reação das economias brasileira e gaúcha por meio desse vetor apenas.

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