Perspectivas para a economia brasileira em 2007

Os dados do PIB recentemente divulgados pelo IBGE demonstram que, no último trimestre de 2006, a economia brasileira manteve a tendência de recuperação iniciada no terceiro trimestre. Com isso, a taxa acumulada de crescimento no ano ficou em 3,7%. Essa recuperação foi liderada pela formação bruta de capital, a qual apresentou um crescimento de 8,7%. Embora esta última tenha perdido participação no PIB brasileiro de acordo com as novas estimativas, os investimentos têm, pelo seu efeito multiplicador, um papel determinante no crescimento. Outro aspecto significativo no desempenho da economia brasileira é a seqüência de taxas positivas de crescimento do consumo das famílias, observadas desde o último trimestre de 2003.

Em relação ao setor externo, o ano de 2006 apresentou uma inversão na tendência de comportamento do volume das exportações e das importações. Enquanto as primeiras apresentaram uma desaceleração significativa em suas taxas de crescimento, o volume das importações manteve taxas elevadas e crescentes, especialmente nos últimos três trimestres (gráfico). Com isso, em 2006, o setor externo teve um impacto líquido negativo sobre a taxa de crescimento do PIB. Tal mudança tem seu fundamento na valorização cambial, a qual tem diminuído a competitividade dos produtos brasileiros e favorecido a concorrência externa no mercado doméstico.

Uma análise retrospectiva da evolução do PIB trimestral do período 1991-06, porém, demonstra que a sua principal característica tem sido a oscilação nas taxas de crescimento, em torno de patamares relativamente baixos. No entanto, 2007 iniciou-se num cenário favorável sob diversos aspectos. A princípio, convém destacar que, nos últimos três anos, a oscilação nas taxas de crescimento diminuiu sua amplitude em torno de uma média de 4,1%. Em segundo lugar, as taxas de inflação estão estabilizadas e dentro das metas estabelecidas pelo Governo. Numa mesma trajetória declinante, estão as taxas nominais de juros, as quais se encontram no seu menor nível desde a implantação do Plano Real, embora num patamar ainda bastante elevado. Esses fatores sinalizam a continuidade da redução da taxa real de juros. Outro aspecto favorável seria a implementação dos investimentos do Governo com as obras anunciadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em seu conjunto, estes dois últimos fatores poderiam indicar a continuidade do crescimento dos investimentos. O principal limitador do crescimento em 2007, pelos fatores já mencionados anteriormente, deverá ser a taxa de câmbio. Convém destacar que a balança comercial brasileira continua tendo superávit, em virtude do alto preço de algumas commodities no mercado externo. Algum abalo na economia internacional poderia desmoronar esse cenário, uma vez que iria reduzir ainda mais a queda nas exportações, com um impacto negativo ainda maior sobre o PIB. Em seu conjunto, tal cenário aponta um crescimento acima de 4% em 2007. Fica, no entanto, a incógnita com relação à manutenção do crescimento para os próximos anos.

Perspectivas para a economia brasileira em 2007

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