Perspectivas da economia gaúcha em 2004

Conforme foi divulgado por esta instituição ao final do ano, a economia gaúcha cresceu 4,7% em 2003, comparativamente ao ano anterior. Esse crescimento, o maior dos últimos seis anos e muito superior ao desempenho da própria economia brasileira (-0,2%), teve como principais impulsionadores, pelo lado da oferta, a agroindústria e, pelo lado da demanda, o setor exportador. A dinâmica da economia estadual tem vínculos estreitos com esses dois segmentos, mais estreitos que os da economia nacional. Isso pode ser explicado, no caso da agroindústria, pelas próprias raízes agrícolas do Estado e, no caso do setor exportador, pelo maior coeficiente de abertura externa da economia gaúcha que o da brasileira.

A atividade genuinamente agrícola do agronegócio, a agropecuária, que tem uma participação em torno de 15% no PIB gaúcho, destacou-se no ano passado pelo excepcional crescimento da produção da lavoura (23,7%). Pelos levantamentos atuais de projeção da safra agrícola para 2004 (IBGE/LSPA), observa-se queda nas safras de soja (-41%) e milho (-29%), devido à severa estiagem do verão. Compensando essa perda, verifica-se o crescimento do arroz (29%), do fumo (43%), da uva (36%) e do feijão (25%), que concorrem para a safra agrícola ser positiva em 2004, embora não repetindo o excelente desempenho do ano anterior. Ainda não se dispõe de previsão para o trigo, que poderá alterar o quadro. No Brasil, foi expressivo o crescimento de 6,4% da agropecuária no primeiro trimestre do ano, também alavancado pela lavoura.

A indústria de transformação, cerca de 33% do PIB gaúcho, cresceu 3,5% no ano passado, impulsionada por aqueles gêneros industriais que se articulam com o setor agrícola e/ou com o mercado externo. As informações até abril deste ano sobre o comportamento da indústria (IBGE, Pesquisa Industrial Mensal) apresentam um crescimento acumulado de 3,7% no Rio Grande do Sul, salientando-se as mesmas atividades referidas acima, reforçando aqueles vínculos. Destaca-se que o desempenho da indústria de transformação brasileira para esse mesmo período foi bem superior (6,5%).

Há indícios de aquecimento no mercado interno neste ano, atenuando o cenário deprimido do ano passado, conforme demonstra o crescimento de 14,4% do comércio varejista no Estado, até o primeiro trimestre de 2004 (FEE/IMCV). Esse crescimento é decorrente da trajetória positiva de taxas mensais crescentes desde dezembro último.

Por último, cabe referência ao desempenho recente das exportações gaúchas, que, no ano passado, alcançaram o montante de US$ 8 bilhões e o segundo lugar no País. Foi excepcional também o desempenho das exportações brasileiras, US$ 73 bilhões, a maior cifra registrada até então. As informações até abril deste ano atestam a continuidade desse excelente desempenho: crescimento real acumulado de 20,9% no RS e de 19,7% no Brasil, conforme a tabela.

Concluindo, as perspectivas da economia gaúcha em 2004 são otimistas no sentido de uma taxa positiva. Considerando os indicativos acima, essa taxa, entretanto, deverá situar-se abaixo da nacional, cujas estimativas recentes (IPEA) apontam um crescimento de 3,5% do PIB brasileiro para este ano. Esse crescimento provavelmente menor da economia gaúcha contraria a tendência dos últimos cinco anos de taxa média da economia do Estado maior que a brasileira.

Perspectivas da economia gaúcha em 2004

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