Perfil sociodemográfico do desempregado em 2015, na RMPA

O mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), em 2015, apresentou desempenho muito adverso em comparação com o do ano anterior. O nível ocupacional retraiu-se em 1,7%, com a perda de 31 mil postos de trabalho, e o estoque de desempregados teve aumento de 56 mil pessoas, tendo sido estimado em 169 mil indivíduos. A taxa de desemprego total aumentou de 5,9% em 2014 para 8,7% da População Economicamente Ativa (PEA) em 2015, interrompendo a tendência de declínio iniciada em 2004. Esse crescimento de 47,5% da taxa de desemprego no período de um ano é a maior elevação da série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da RMPA, cuja primeira média anual é de 1993.

Os setores de atividade econômica, com exceção dos serviços, apresentaram, em 2015, variações negativas na comparação com 2014. O setor de serviços cresceu 0,6% (6 mil pessoas). Os outros setores tiveram queda: indústria de transformação, de 3,6% (-11 mil pessoas), comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, de 6,2% (-22 mil pessoas) e construção, de 2,1% (-6 mil pessoas). Assim, o setor do comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas foi o que apresentou a maior perda no número de empregos.

No exame do comportamento do perfil sociodemográfico do contingente de desempregados, analisaram-se as variáveis sexo, idade, posição no domicílio, raça/cor e nível de escolaridade.

Com relação ao sexo, embora a taxa de desemprego entre as mulheres, em 2015, apresentasse um patamar mais elevado do que para a população masculina, foram os homens que sofreram o maior aumento da taxa de desemprego, em comparação com o ano anterior. De fato, a taxa de desemprego masculino apresentou uma variação anual de 55,6% e elevou-se de 5,4% em 2014 para 8,4% em 2015. A taxa de desemprego  das mulheres teve um crescimento menor (37,9%) e passou de 6,6% para 9,1% no mesmo período.

No atributo idade, os mais atingidos pelo desemprego foram  os adultos maiores de 40 anos. O crescimento foi de 73,5% na faixa etária de 40 a 49 anos e de 87,5% na de 50 a 59 anos de idade. Já entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, a taxa de desemprego passou de 14,4% em 2014 para 19,7% em 2015, com uma variação anual de 36,8%, a menor variação por faixa etária, em que pese existir entre os jovens a maior taxa de desemprego.

Quanto à posição no domicílio, os chefes foram os que mais tiveram aumento na taxa de desemprego, embora apresentassem a menor taxa, passando de 3,3% em 2014 para 5,9% em 2015, uma variação anual de 78,8%. Portanto, a crise econômica atingiu a posição mais importante no domicílio para o sustento das famílias. Em segundo lugar, vêm os cônjuges, representados principalmente por mulheres, cujas taxas de desemprego passaram de 4,7% em 2014 para 6,5% em 2015, com variação anual de 40,4%.

A população negra foi um pouco mais afetada do que a população não negra. Enquanto os primeiros tiveram uma variação anual de 48,2%, os segundos apresentaram uma variação anual de 47,3%. Contudo, o desemprego foi maior e mais estrutural entre os negros, saltando de 8,5% em 2014 para 12,6% em 2015. Já entre os não negros, a taxa de desemprego, que era de 5,5% em 2014, passou a 8,1% em 2015.

Com relação ao nível de escolaridade, a elevação do desemprego foi maior para os indivíduos com ensino fundamental incompleto e entre aqueles com o ensino superior completo. A taxa de desemprego aumentou de 7,5% em 2014 para 11,0% em 2015 (variação de 58,6%) para aqueles com o ensino fundamental incompleto. Já para os indivíduos com o ensino superior completo, a taxa de desemprego passou de 2,3% em 2014 para 3,6% em 2015 (variação de 56,5%). Assim, a crise econômica atingiu tanto as pessoas com baixa escolaridade quanto aquelas com maior nível de instrução.

Enfim, pelo fato de o ano de 2015 ser marcado por uma recessão econômica, todos os segmentos da PEA foram atingidos pelo desemprego, destacando-se as parcelas mais representativas do mercado de trabalho, dentre elas, os homens, os trabalhadores maduros com 40 anos ou mais e os chefes de domicílio. Um fator novo nessa crise é o impacto maior do desemprego entre a população mais madura, ao contrário de outras crises anteriores, em que os jovens eram mais atingidos, apesar de a taxa entre eles ainda ser muito alta.

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