Passados os efeitos da estiagem, a recuperação do PIB concentra-se nos serviços

Após dois períodos seguidos apresentando queda, a economia gaúcha voltou a crescer no terceiro trimestre de 2012. De acordo com as informações do PIB trimestral, divulgado pela FEE em dezembro, o aumento foi de 7,6% na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Dados mensais já mostravam a volta do crescimento ainda em maio. O Índice de Atividade Econômica Regional do Rio Grande do Sul (IBCR-RS), calculado pelo Banco Central, indicou crescimento de 9,5% naquele mês, após uma sucessão de quatro quedas. Essa retomada do crescimento, entretanto, possui certas especificidades, que serão melhor entendidas com a análise desagregada dos três setores

Os serviços mantiveram sua rota de crescimento, sem grandes alterações. O principal destaque seguiu sendo o comércio. Ao contrário de outros anos, a influência negativa da estiagem de 2012 não foi sentida no desempenho da atividade. A sequência dos estímulos vindos da maior oferta de crédito, dos juros mais baixos, da expansão contínua da massa salarial, e, contrabalançando a queda da produção primária, do aumento dos preços agrícolas acabou por sustentar o crescimento do consumo no Estado, inclusive a taxas superiores à nacional.

Na indústria, o destaque positivo continuou a ser a atividade da construção civil, que manteve o ritmo de crescimento verificado ao longo dos períodos anteriores. A indústria de transformação, por outro lado, apresentou queda pelo terceiro trimestre seguido, na série com ajuste sazonal da FEE. A retomada tão aguardada da atividade, alvo de incentivos por parte do Governo Federal, não se confirmou. Da mesma forma que a indústria nacional, a do Rio Grande do Sul manteve-se em queda ao longo de todo o ano. Dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE mostram perda de fôlego de setores importantes no Estado. As atividades de alimentos e fumo aceleraram suas perdas, diretamente impactadas pela menor oferta de produtos primários; as atividades ligadas ao setor automotivo, embora tenham apresentado certa recuperação, ainda mostraram sinais negativos, em linha com a menor produção nacional; calçados e produtos químicos enfrentaram problemas com as restrições impostas pela Argentina às exportações gaúchas. Das 14 atividades pesquisadas pelo IBGE, apenas quatro, com destaque para refino de petróleo e máquinas e equipamentos, expandiram-se no terceiro trimestre do ano.

O retorno da expansão econômica esteve, portanto, diretamente relacionado ao desempenho da agropecuária, uma vez que a indústria e os serviços não alteraram profundamente seus ritmos de crescimento ao longo dos meses de 2012. O desempenho negativo da agricultura, que freou a economia gaúcha durante os primeiros meses do ano, perdeu força a partir de maio. Como a colheita da safra degrãos do Estado concentra-se temporalmente nos primeiros meses do ano, especificamente entre janeiro e abril, já eraesperado que, passada a colheita desses produtos, a economia gaúcha voltasse a crescer, já praticamente livre do peso dasperdas com a agropecuária. Diminuída a importância do Setor Primário no cálculo do PIB trimestral e do IBCR-RS, o desempenho da economia gaúcha passa a depender mais do comportamento da indústria e dos serviços.

Dado o maior peso que os serviços têm no PIB do Estado, na comparação com a indústria, a agregação das taxas de variação dos setores resultou na volta do crescimento. Tal retomada, como já salientado, possui especificidades que devem ser ressaltadas. Em primeiro lugar, porque é consequência da concentração das perdas da agricultura no começo do ano, não significando que esse setor se tenha recuperado nos últimos meses, até porque sua produção só voltará a ser contabilizada com significância em 2013. E, em segundo lugar, porque não representa uma recuperação mais abrangente. Se, por um lado, o comércio e a construção civil continuam a expandir-se, a indústria de transformação ainda não deu sinais consistentes de retomada.

Passados os efeitos da estiagem, a recuperação do PIB

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