Os preços das commodities e a balança comercial brasileira em 2013

Os preços das commodities, com exceção dos cereais, têm apresentado tendência de queda em 2013. De dezembro de 2012 a maio de 2013, o índice geral de commodities do FMI recuou 2,0%, assim como o índice de petróleo, enquanto o de metais caiu 8,5%. O índice de alimentos apresentou elevação de 2,0% no mesmo período e alta de 7,6% em maio deste ano, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. Apesar disso, o índice de alimentos está 4,9% abaixo do pico atingido em abril de 2011 e 1,7% aquém do valor máximo de 2012, atingido no mês de agosto.

Em maio de 2013, em relação ao mesmo mês do ano passado, as quedas foram de 3,3% no índice geral, de 8,8% no índice de metais e de 4,7% no índice de petróleo. Os produtos em destaque, por seu comportamento negativo, são: o arroz, o açúcar, o café e o minério de ferro, com quedas de 9,9%, 15,1%, 14,4% e 9% respectivamente. Já os produtos com alta no período são: a soja, o trigo e o milho, com elevações de 4,1%, 20,7% e 9,9%, nessa ordem.

Dada a sensibilidade das contas externas brasileiras com relação ao comportamento desses preços, justifica-se a análise desse impacto. O déficit comercial acumulado de janeiro a abril de 2013 alcançou US$ 6.151 milhões, enquanto, no mesmo período de 2012, houve um superávit de US$ 3.299 milhões. Em 2013, no acumulado até abril, as exportações somaram US$ 71.468 milhões, uma redução de 4,3% em relação ao mesmo período do anterior; e as importações, US$ 77.619 milhões, uma elevação de 8,79%. Já no primeiro semestre de 2013, o déficit comercial é de US$ 3.000 milhões, resultado das exportações acumuladas de US$ 114.500 milhões e importações de US$ 117.500 milhões. O déficit do semestre é inferior ao do quadrimestre, uma vez que, em maio e junho, foram alcançados superávits de US$ 759 milhões e de US$ 2.394 milhões respectivamente. Ou seja, o pior resultado ocorreu no primeiro quadrimestre, sendo janeiro o pior mês, com déficit comercial de US$ 4.040 milhões.

Nos primeiros quatro meses de 2013, as exportações de produtos básicos caíram 4,8% em relação a igual período de 2012, enquanto as de produtos semimanufaturados ficaram estáveis. Já os artigos manufaturados tiveram resultado semelhante ao primeiro grupo. No que concerne aos preços das exportações, os preços de produtos básicos apresentaram elevação de 2,8%, ou seja, o movimento de retração de alguns preços das commodities ainda não se refletiu de forma consistente no comportamento dessa classe de produtos. Já os preços dos semimanufaturados tiveram queda de 9,6%, e os dos manufaturados caíram 3,7%. O índice de quantum apresentou queda de 7,1% para o primeiro grupo, elevação de 11,1% para o segundo e retração de 1,3% para o último. Ao analisarem-se as exportações através das categorias de uso, o destaque negativo é a performance das vendas externas de combustíveis. Apesar da queda de 9,1% nos preços, a variação no quantum foi superior: -43,0%.

Sob a ótica das importações, destacam-se as compras externas de bens de consumo não duráveis, com elevação no valor das exportações de 12,5%, e as compras de combustíveis, com alta de 21,2% no quantum, arrefecida pela redução nos preços de 3,1%. Examinando-se somente a conta de combustíveis, o déficit é de US$ 9.665 milhões, superior ao déficit da balança comercial. Se estivesse em equilíbrio, o resultado comercial seria um superávit de US$ 3.514 milhões, superior ao resultado do primeiro quadrimestre de 2012.

Portanto, a queda nas vendas externas de combustíveis, somada ao aumento nas importações desse produto, explica a maior parcela do desempenho da balança comercial nos primeiros quatro meses de 2013. Algumas análises atribuem esse resultado ao crescimento no consumo de combustíveis no País, ou seja, parte da produção antes destinada ao exterior foi deslocada para suprir a demanda interna. Outro fator é a redução planejada da produção na Petrobras, devido à necessidade de atividades de manutenção em campos de exploração. É preciso lembrar a inclusão nas contas externas de 2013 de parte das importações realizadas em 2012 por causa de alterações na forma de registro na Receita Federal.

Em suma, a performance, em quantidade, tanto das importações quanto das exportações de combustíveis, parece ter tido o maior efeito no saldo negativo da balança comercial no primeiro quadrimestre de 2013. Apesar de a maior parte do desempenho da balança comercial brasileira ser atribuída a acontecimentos pontuais, a esperada perda de fôlego dos preços commodities ainda não afetou, de forma significativa, as contas externas. Por esse motivo, é preciso estar em alerta para a possibilidade de essa tendência de enfraquecimento nos preços de commodities continuar e, em algum momento, sensibilizar o valor das exportações. Nesse cenário, há a possibilidade de redução não somente no preço das exportações de produtos básicos, mas também de redução do quantum das vendas externas de manufaturados. Isto porque importantes países compradores desses produtos são predominantemente exportadores de commodities, principalmente os parceiros comerciais latino-americanos, os quais têm sua capacidade para importar influenciada pelo seu desempenho exportador.

Os preços das commodities e a balança comercial brasileira em 2013

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