Os polos regionais sul-rio-grandenses: 1999-2009

Uma economia obtém ganhos com a concentração da atividade em alguns locais no espaço, através de polos que se destacam como centros urbanos industriais e de serviços, exercendo forte impacto sobre seu entorno. Busca-se aqui traçar um panorama das principais centralidades do Rio Grande do Sul entre 1999 e 2009.

No livro Três Décadas de Economia Gaúcha: o Ambiente Regional (2010), publicado pela FEE, Paiva, Alonso e Tartaruga identificam os principais polos econômicos estaduais. O polo de primeira ordem é o de Porto Alegre, que, além da Capital, envolve 11 municípios de seu entorno. São polos de segunda ordem o de São Leopoldo-Novo Hamburgo (SL-NH, 11 municípios) e o de Caxias do Sul (cinco municípios). Na terceira ordem, Passo Fundo-Marau (PF-Mar), Pelotas-Rio Grande (Pel-RG) e Santa Maria. As centralidades de ordem um e dois estão na região nordeste do Estado, e as de terceiro nível, nas regiões norte, sul e central. Juntos, os seis centros (33 municípios) respondem por 50,4% da população e 63,4% do VAB estadual não agropecuário em 2009.

Entre 1999 e 2009, a indústria sul-rio-grandense cresceu 12,6%, os serviços, 28,9%, e a agropecuária, 49%, sendo os setores ligados às centralidades aqueles de pior desempenho. Porém os polos regionais apresentaram crescimento industrial positivo, com exceção de SL-NH, atingido pela crise do setor coureiro-calçadista, que perdeu 33,1% da produção industrial. Desconsiderando SL-NH, a indústria nos outros polos somados cresceu 22,8%, e, no resto do Estado, 12,9%; apenas PF-Mar cresceu menos, 7,3%. Os serviços tiveram maior crescimento fora dos grandes centros, 32,1% contra 28,3%.

A expansão agropecuária gera uma demanda dispersa por serviços, fazendo com que o papel dos principais centros não tenha sido tão decisivo. A indústria, entretanto, continua tendo sua dinâmica ditada pelo desempenho das principais centralidades. Na soma de indústria e serviços, todos os polos, com exceção de SL-NH, cresceram em torno da média do resto do Estado (25,5%), com destaque para Porto Alegre, Caxias do Sul e Santa Maria.

A disponibilidade de empregos, os melhores salários e serviços urbanos fazem dos polos locais de atração. E a população sul-rio-grandense segue concentrando-se naqueles da região nordeste, inclusive em SL-NH, cujo desempenho econômico foi fraco. PF-Mar aumenta sua parcela na população estadual, enquanto Pel-RG perde, e Santa Maria mantém participação. As regiões noroeste e sudoeste não apresentam centralidades de grande importância e registraram perdas relativas (a participação somada dessas duas mesorregiões na população estadual recuou de 26,8% para 24,9% no período).

A estagnação ou perda relativa de população em locais de natureza polarizadora, nas regiões menos desenvolvidas, deve preocupar: a concentração populacional nos centros mais ricos faz convergir a renda per capita entre regiões, mas seu efeito dinâmico diminui o potencial de crescimento produtivo da centralidade que perde população, e, consequentemente, da sua área de influência.

Em período de grande crescimento agropecuário, cuja tendência é dispersiva, os centros regionais do Estado perderam espaço no setor de serviços, mas mantiveram a dianteira da indústria sul-rio-grandense. Mesmo com um deles em forte crise, continuam sendo aqueles da região nordeste os que mais crescem em população e produto, indicando a necessidade de fortalecimento dos polos das outras regiões, caso se pretenda desconcentrar a produção em benefício de locais menos desenvolvidos.

Os polos regionais sul-rio-grandenses 1999-2009

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