Os fluxos de investimentos diretos no Brasil, em 2006

Os investimentos brasileiros diretos (IBDs) líquidos, em países estrangeiros, em 2006, atingiram US$ 27,3 bilhões. A soma é altíssima, e, pela primeira vez, os IBDs suplantaram a entrada dos investimentos estrangeiros diretos (IEDs) líquidos, de US$ 18,8 bilhões. O montante dos IBDs, em larga medida, esteve ligado a aquisições de empresas siderúrgicas pela Vale do Rio Doce e pela Companhia Siderúrgica Nacional. A lógica faz acreditar que os fatores redutores dos custos da aquisição foram decisivos no ocorrido, ou seja, a elevada taxa nacional de câmbio e o reduzido Risco Brasil, que se reflete nos juros pagos aos empréstimos externos. À primeira vista, poder-se-ia pensar que investimentos tão vultosos poderiam colaborar para reduzir as reservas nacionais e a cotação do real frente ao dólar. Isso não ocorreu, tendo em vista que as aquisições em pauta, ou a quase-totalidade delas, tiveram financiamento externo. Segundo a imprensa, o financiamento tomou a forma de empréstimos sindicalizados, ou seja, empréstimos compartilhados por um consórcio de bancos formado com essa finalidade específica, para diluir seus riscos. Logo, as compras em pauta causaram uma saída de dólares na rubrica investimentos diretos e uma entrada de similar magnitude na rubrica outros investimentos, que registra empréstimos bancários, comerciais, etc. O fato em pauta, a despeito de sua importância, não é suficiente para transformar o Brasil de um importador de investimentos em um exportador de investimentos.

Os fluxos de investimentos diretos no Brasil, em 2006

Compartilhe