Os desafios econômicos de Porto Alegre

Um dos grandes desafios contemporâneos de cidades como Porto Alegre é impedir o seu relativo “esvaziamento” econômico, imposto, de um lado, pelo crescimento espacialmente concentrado, típico das grandes metrópoles, e, de outro, pelos mecanismos da reestruturação produtiva que atingem as áreas mais desenvolvidas do território. O primeiro movimento provoca, depois de um certo tamanho urbano, a formação de deseconomias de aglomeração (localização e urbanização), que elevam os custos de produzir, distribuir, consumir e viver em grandes cidades. O segundo movimento traz consigo atributos que levam os agentes econômicos a viabilizarem as suas localizações com um certo grau de dispersão espacial, valendo-se dos avanços tecnológicos proporcionados pelas comunicações e pela informática.

Esses dois movimentos combinados levaram Porto Alegre a um processo de desindustrialização relativa no âmbito do Estado, nas últimas três décadas. Em 1970, a Capital gerava 25,88% da produção industrial do Estado, que veio caindo continuadamente, até atingir 7,67% em 2004, uma queda expressiva e “sem volta”.

A dinâmica econômica de Porto Alegre vem sendo, progressivamente, comandada pelo moderno complexo de serviços que nela se estabeleceu ao longo da história. Veja-se que essa é uma característica das metrópoles contemporâneas, onde os serviços ampliaram seu papel e passaram também a exercer, nesses espaços, a função de indutores do desenvolvimento econômico.

Todavia, nos últimos anos, constata-se uma tendência de crescimento menor em Porto Alegre do que no resto da RMPA e no resto do Estado, tanto do VAB dos serviços (1999-04) quanto do emprego dos serviços produtivos (1995-05), e que se reflete no comportamento das respectivas participações relativas. A tabela mostra que o declínio e o crescimento são suaves, mas consistentes, ao longo do período, revelando mudanças nas preferências locacionais das atividades terciárias no Rio Grande do Sul. Tais mudanças podem significar, como ocorreu com a indústria, um efeito de transbordamento para fora dos limites de Porto Alegre de determinados serviços, que passaram a encontrar ambientes mais favoráveis à sua reprodução em outros centros da rede urbana metropolitana. É provável que o custo do solo (aluguéis) urbano e as vantagens tributárias (ISSQN e IPTU), além da proximidade com a demanda, tenham sido fatores decisivos nesse movimento.

Outra face dessa mudança é a emergência de “novos” centros de serviços, que, no passado recente, eram principalmente tributários de Porto Alegre, mas também de Novo Hamburgo e São Leopoldo. Os centros emergentes são Canoas, Gravataí, Cachoeirinha, Viamão e Esteio, que podem ser considerados centros complementares a Porto Alegre.

Esse fenômeno não implica, no curto prazo, perda de hegemonia da economia de Porto Alegre. Todavia, em uma perspectiva de prazo mais longo, é necessário observar com mais atenção o comportamento locacional da imensa gama de serviços que constituem o Setor Terciário de Porto Alegre. É preciso saber se essa tendência levará o Município a uma trajetória de “esvaziamento” econômico, ou se estamos assistindo apenas a um ajuste estrutural, cujo resultado será assegurar à Capital o domínio de um conjunto de serviços com maior densidade tecnológica e com maior capacidade de geração de renda e de empregos de melhor qualidade.

Os desafios econômicos de Porto Alegre

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