Ocorrência de eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul

A ocorrência de eventos climáticos extremos — secas, tempestades, enchentes, furacões, ondas de calor e de frio — aumentou muito, em frequência e intensidade, no mundo todo, nos últimos anos, ocasionando impactos negativos para a economia, a sociedade e o meio ambiente. Para os pesquisadores do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a elevação das temperaturas no planeta já é uma evidência comprovada: cerca de 0,7ºC no último século e previsão de aumento entre 1,6ºC e 4ºC até 2100. Com isso, as mudanças no clima tornam-se cada vez mais perceptíveis. Dentre as tendências para o Rio Grande do Sul, uma é de alteração significativa no regime de precipitação, com períodos prolongados de estiagem, intercalados com outros de grandes volumes de chuvas em um curto espaço de tempo. O déficit hídrico nos períodos de precipitação escassa e os problemas ocasionados pela precipitação intensa (enxurradas, enchentes, alagamentos, deslizamentos e erosão) têm impactos negativos nas áreas tanto urbanas como rurais.

Nos últimos oito anos (2003 a 2010), a Defesa Civil do Rio Grande do Sul registrou a ocorrência de eventos climáticos extremos relacionados à falta ou ao excesso de chuvas, com algum tipo de prejuízo, em 458 municípios do Estado, o que representa mais de 90% do total de municípios gaúchos. Dos municípios atingidos, 20 registraram apenas eventos relacionados ao excesso de chuvas (inundação, enchente, enxurrada e/ou alagamento), 262, somente eventos associados à falta de chuvas (estiagem e/ou exaurimento dos recursos hídricos), e 176 (cerca de 40% do total dos municípios atingidos) apresentaram pelo menos uma ocorrência de cada tipo (mapa).

Dentre os 438 municípios que apresentaram ocorrências de falta de chuvas, 351 tiveram registros em, pelo menos, dois anos, e sete municípios (Aratiba, Fontoura Xavier, Marcelino Ramos, Mariano Moro, Pinhal, Seberi e Severiano de Almeida), todos localizados no norte do Estado, em cinco anos do período. No caso dos 196 municípios atingidos por eventos relacionados ao excesso de chuvas, 49 tiveram registros em, pelo menos, dois anos, e dois (Colinas e Fontoura Xavier), em cinco anos. O Município de Fontoura Xavier foi o que apresentou o maior número de eventos relacionados tanto à falta como ao excesso de chuvas.

Nos anos sob influência do El Niño, o esperado para o Rio Grande do Sul são precipitações bem distribuídas ao longo do ano e com volumes acima da média histórica. Embora sob efeito desse fenômeno, o Estado apresentou, em 2004 e 2005, os maiores números de municípios com ocorrência de falta de chuvas, 384 e 372 respectivamente, sendo que o período sem registros de precipitação chegou a quatro meses em alguns municípios. Já o ano de 2010, também sob influência do El Niño, foi o que apresentou a maior quantidade de municípios (135) com registro de ocorrências relacionadas ao excesso de chuvas.

Embora a série temporal estudada não contemple os 30 anos recomendados pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM) para estudos do clima, a perspectiva identificada de mudanças acentuadas na dinâmica climática global é preocupante, na medida em que já se verifica, no cenário atual, um quadro de intensa manifestação de eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul.

Ocorrência de eventos climáticos extremos

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