O saldo cambial brasileiro em 2009

Diferentemente dos anos anteriores, quando o superávit comercial garantiu o saldo cambial total, em 2009 os principais responsáveis pela entrada de recursos no País foram as operações financeiras, as quais abrangem as operações com capitais (investimento direto, em Bolsa, renda fixa e empréstimos em moeda) e serviços (turismo, pagamento de juros e remessa de lucros).

No primeiro semestre do ano passado, ainda sob o efeito da fuga de capitais que assolou a economia brasileira no último trimestre de 2008, o saldo das operações financeiras foi negativo em mais de US$ 10 bilhões, enquanto o movimento do câmbio comercial aproximou-se dos US$ 13 bilhões positivos. A virada ocorreu no terceiro trimestre, quando o resultado comercial registrou um déficit de quase US$ 5 bilhões, e o superávit financeiro ultrapassou os US$ 10 bilhões.

Na tabela, é possível observar que, em 2009, houve um encolhimento em todas as contas do mercado de câmbio em relação a 2008. Pelo lado comercial, tanto as exportações quanto as importações e, pelo lado financeiro, tanto as compras quanto as vendas de dólares registraram queda, fruto da recessão mundial. Se os contratos cambiais de importação diminuíram, como resultado da menor atividade econômica e da redução nos financiamentos externos, os contratos cambiais de exporta ção caíram não só pelos mesmos motivos, mas também pelo fato de muitas empresas terem deixado parte dos dólares dessas operações fora do País para custear despesas com importação de insumos e pelo próprio preço do dólar, que voltou a cair em 2009, em relação às principais moedas, especialmente o euro e o iene.

Com a boa resposta da economia brasileira à crise internacional, dentro do clima de incertezas globais e poucas perspectivas de 2009, o capital estrangeiro buscou alternativas no País. A expectativa de melhor desempenho da atividade econ ômica local estimulou os estrangeiros a aqui fazerem investimentos diretos e a comprarem ações em Bolsa.

A partir de 2010, porém, o superavit no fluxo cambial deve diminuir. O País tenderá a registrar saldos comerciais cada vez menores, por causa do aumento das importações, fruto do maior crescimento econômico, mas o financeiro também será mais fraco, até porque a Bolsa se valorizou bastante, e outros mercados podem se mostrar mais atrativos que o Brasil. Muitos acreditam que a Bovespa já subiu muito e que, portanto, valeria a pena pensar em outras alternativas. Com as economias dos países desenvolvidos se recuperando, a tendência é de as taxas de juros subirem por lá, deslocando parte do capital que hoje migra para países emergentes como o Brasil.

A carta na manga do Brasil é que, atualmente, o País passou a depender menos dos empréstimos e a contar mais com investimentos diretos e em carteira. Além disso, o Bacen tem reservas suficientes (mais de US$ 240 bilhões) para bancar eventuais fugas de capital e as consequentes oscilações na taxa de câmbio, o que garante uma certa estabilidade no mercado cambial, inexistente há alguns anos.

O saldo cambial brasileiro em 2009

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