O RS no contexto do Plano Nacional de Exportações

Lançado em 24 de junho de 2015, o Plano Nacional de Exportações 2015-18 (PNE) objetiva promover a competitividade exportadora e alavancar o crescimento econômico do País. Segundo o Governo Federal, o PNE consiste em um esforço de conferir um novo status ao comércio exterior brasileiro, entendendo a atividade exportadora como estratégica para gerar renda e emprego, fomentar investimentos produtivos, estimular a inovação e, consequentemente, dinamizar a economia nacional.

Particularmente, essa visão torna-se ainda mais relevante no atual cenário global — caracterizado por baixa atividade econômica, acirramento da concorrência internacional e acomodação dos preços das commodities em níveis inferiores aos observados nos últimos anos — e no contexto de baixas taxas de crescimento, verificadas nas últimas décadas pela economia brasileira.

Dessa maneira, o Plano tem como propósito fomentar as vendas de bens e serviços brasileiros ao exterior, com foco em sua ampliação, diversificação, consolidação e agregação de valor e de intensidade tecnológica. Para tanto, os esforços do PNE incidirão sobre três dimensões das vendas externas, a saber: (a) a composição da pauta exportadora; (b) os mercados de destino; e (c) a origem das exportações brasileiras (maior diversificação regional da base exportadora).

Por seu turno, a Fundação de Economia e Estatística (FEE) lançou, no dia 18 de agosto de 2015, o Sistema de Exportações FEE (SisExp), uma ferramenta que contribui para compreender a dinâmica das exportações de qualquer unidade da Federação, por diferentes classificações, para qualquer país de destino, o que se alinha com os objetivos e as necessidades do PNE. Assim, a partir de consultas ao SisExp, torna-se possível avaliar alguns dos eixos definidos pelo PNE, contribuindo para orientar diversas iniciativas do Plano e monitorando o cenário das atividades exportadoras nacional e regional.

Assim sendo, avaliando a participação percentual do valor exportado por fator agregado pelo RS, observa-se uma expansão dos produtos básicos em detrimento da redução dos produtos manufaturados e semimanufaturados ao longo do período 2007-14. No caso dos produtos básicos, a participação relativa no total exportado pelo Estado, que era de 38,2% em 2007, passou para 52,6% em 2014. Já os produtos manufaturados apresentaram uma tendência oposta, passando de 50,7% em 2007 para 39,4% em 2014. Os produtos semimanufaturados, mesmo em menor intensidade, também tiveram sua participação reduzida nas exportações gaúchas: passaram de 10,0% em 2007 para 6,8% em 2014.

Quanto aos mesmos dados, agora classificados por intensidade tecnológica, a partir da construção de um indicador que atribui pesos crescentes quanto maior for a intensidade tecnológica e que sintetiza todas as classes tecnológicas em um único resultado para um determinado ano, verifica-se o baixo conteúdo tecnológico da pauta exportadora do RS. Admitindo-se valores entre 1 e 16, o índice caiu de 3,74 em 2007 para 3,35 em 2014. A pauta exportadora do Estado, portanto, apresenta baixa complexidade e vem perdendo cada vez mais densidade industrial e tecnológica com o passar dos anos.

Ao se calcular um índice de concentração por destino das exportações gaúchas, constata-se que elas vêm concentrando-se cada vez mais em poucos mercados consumidores. Adicionalmente, na média do período 2007-14, 52% das exportações do RS destinaram-se aos oito principais mercados consumidores de cada ano.

Já no que se refere ao volume embarcado para o exterior, observando a taxa média anual de crescimento das exportações, os setores de média-baixa tecnologia (MBT), de produtos não industriais (PNI) e de alta tecnologia (AT) apresentaram crescimento (51,1%, 8,0%, e 2,0% respectivamente), e os setores de média-alta tecnologia (MAT) e de baixa tecnologia (BT) registraram retração (-0,3% e -3,6% respectivamente), resultando em um crescimento médio de 1,0% a.a. para o Estado.

Dado esse desempenho desfavorável, o PNE, transformando-se de intenção em ações práticas, pode ser bastante útil para ajudar a reverter essa dinâmica negativa, no que tange à composição da pauta, à agregação de valor, e à diversificação de mercados, isto é, estimulando a competitividade e a qualidade das exportações do Rio Grande do Sul.drop1-Composição do valor exportado, por conteúdo tecnológico pelo Rio Grande do Sul — 2007 e 2014

Compartilhe