O petróleo e a balança comercial

A diferença entre exportações e importações brasileiras tem sido positiva desde o ano 2000. O saldo, porém, obteve seu auge em 2006 e, desde então, vem caindo. De janeiro a setembro de 2013, a diferença entre exportações e importações foi negativa em US$ 1,6 bilhão. Alguns elementos explicam esse fenômeno, tais como a redução dos preços de nossas exportações no mercado internacional, o contínuo aumento de importações, a manutenção do crescimento da demanda interna, a crise no front externo e uma taxa cambial valorizada, a despeito da recente depreciação. Ao se analisar as contas deste ano com mais profundidade, entretanto, é notório o saldo negativo na conta petróleo.

Considerando-se o petróleo e todos os seus derivados, o déficit comercial acumulado até setembro foi de US$ 15,1 bilhões. Segmentando os principais produtos dessa conta, têm-se os déficits de US$ 3,5 bilhões em petróleo bruto, de US$ 3,5 bilhões em nafta, de US$ 1,8 bilhão em gasolina, de US$ 1,1 bilhão em querosene e de US$ 1,0 bilhão em gás liquefeito de petróleo. Em fuel-oil, há superávit de US$ 2,6 bilhões. Parte dessa monta justifica-se na contabilização defasada de importações realizadas em 2012, US$ 4,6 bilhões, além da redução planejada da produção da Petrobras para manutenção de plataformas. Entretanto, o aumento da demanda de gasolina nos últimos anos é expressivo, derivado da elevação no preço do etanol e do crescimento na frota de veículos automotores.

Além do incremento no consumo, um elemento mais estrutural pode ser identificado. Em que pese à distinta caracterização de 2013, o País costuma ser um exportador líquido de petróleo bruto e importador de derivados. O saldo comercial de petróleo bruto, por exemplo, foi de US$ 6,9 bilhões em 2012 e de US$ 7,5 bilhões em 2011. Tal situação indica que não se consegue processar internamente todo o petróleo necessário para atender à necessidade do mercado. Desse modo, o País envia para o exterior a agregação de valor do processamento de petróleo. Esse fator é explicado pelos anos em que o Brasil ficou sem investir em refino — o País conta com 12 refinarias, sendo a mais recente de 1980.

No entanto, o alento para os anos vindouros está nas cinco novas edificações de refinarias. A primeira delas está prevista para ficar pronta em 2014, e a última, em 2018. Duas delas ainda estão em planejamento, incluindo a do Maranhão, que será uma das maiores do mundo. O processamento do petróleo ocorre também nos polos petroquímicos. Desses, o Brasil possui três, e mais dois estão em construção, um deles já parcialmente em operação, em Pernambuco, e o outro, no Rio de Janeiro, estará em funcionamento em 2014.

A exploração do pré-sal vai movimentar ainda mais a cadeia do petróleo. A depender da confirmação das reservas potenciais, o Brasil pode figurar entre as 10 maiores reservas de petróleo do planeta. Os investimentos já estão sendo efetuados e dinamizam a economia brasileira. O setor naval e o de navipeças obtiveram um crescimento significativo. No Rio Grande do Sul, o polo naval de Rio Grande revitalizou aquela região, e os rebatimentos já são sentidos nos números da cidade, que passou de sexto maior PIB municipal do Estado para o quarto em 10 anos.

Entre os anos de 2014 e de 2016, 11 novas plataformas entrarão em operação apenas nos blocos do pré-sal. De toda sorte, mais investimentos no setor fazem-se necessários. O campo de Libra, que pode ter 12 bilhões de barris recuperáveis, exigirá investimentos na ordem de US$ 180 bilhões, principalmente em plataformas e embarcações. Serão necessárias, aproximadamente, 12 plataformas e quatro embarcações para cada plataforma. O pré-sal como um todo exigirá mais de US$ 500 bilhões em investimento. Esse campo é o primeiro com o novo marco regulatório de partilha, em que as empresas dividem com o Governo o que for explorado, cedendo, no mínimo, 41,7% do que excede o custo. A mudança do marco regulatório visa ampliar a participação do Estado nos recursos advindos da exploração do petróleo.

Todos esses movimentos levarão o setor de petróleo e o naval a corresponderem a, aproximadamente, 20% da indústria de transformação nacional, segundo a revista Valor Econômico. Quando essas operações estiverem em plena maturidade, a conta do petróleo na balança comercial tenderá a apresentar um comportamento bastante distinto do de 2013.

O petróleo e a balança comercial

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