O mercado do petróleo e os preços do barril nas duas últimas décadas

As reservas mundiais comprovadas de petróleo, que eram de 1.006,4 bilhões de barris em 1989, avançaram para 1.333,1 bilhões de barris em 2009, conforme BP Statistical Review of World Energy June 2010. Nessa oportunidade, o Oriente Médio detinha 56,6% das reservas globais, seguido pelo bloco das Américas do Sul e Central, com 14,9%. O Brasil detinha 1,0% das reservas mundiais em 2009.

A produção mundial de petróleo cresceu de 72,325 milhões de barris diários em 1999 para 79,948 milhões de barris diários em 2009. O Oriente Médio era responsável por 30,3% do total no final da década, seguido por Europa e Eurásia, com 22,4% do total, e América do Norte, com 16,5% do total. As Américas do Sul e Central produziam 8,9% do total, onde está incluído o Brasil, com a produção de 2,6% do total em 2009.

Durante esse período — em que as reservas cresceram em 326 bilhões de barris, e a produção mundial avançou em 7,623 milhões de barris diários —, a cotação do Brent, ou seja, o preço do barril do petróleo do Mar do Norte, apresentou um comportamento que pode ser dividido em quatro períodos: estabilidade, ascensão, queda e recuperação.

A primeira fase, a estabilidade (1989-2003), ocorreu durante um longo período em que os preços estiveram estabilizados. Fatos determinantes do surgimento de uma nova ordem econômica internacional ocorreram ao longo dos anos 90. Em 09.11.1989, dia da queda do muro de Berlim, a cotação do Brent, segundo a U.S. Energy Information Administration, encontrava-se no patamar de US$ 18,85. A economia internacional convivia com a fase da transição, que resultou no fim da União Soviética e na criação da Comunidade de Estados Independentes (CEI) em 21.12.1991, oportunidade em que o preço do Brent mantinha-se em US$ 18,55. Em 20.12.1994, quando eclodiu a crise do México, que afetou o peso asteca, a cotação do petróleo do Mar do Norte alcançava US$ 15,73, avançando até US$ 18,18 em 02.07.1997, na crise da Tailândia, que derrubou o baht. A crise seguiu em efeito dominó sobre as moedas da Coreia, da Rússia, do Brasil, da Argentina, do Uruguai e sobre a lira da Turquia em 2001, ano em que o Brent fechou em US$ 19,35. À época, a crise das empresas da internet, da Nova Economia nos Estados Unidos, já havia provocado a recessão norte-americana. George W. Bush e o Grand Old Party (GOP) haviam chegado ao poder e puseram em prática políticas conservadoras. As oscilações do PIB em taxas anualizadas, a cada trimestre, levavam ora os democratas a diagnosticarem a possibilidade de uma nova recessão, ora os republicanos a pregarem a retomada do crescimento. Em 23.02.2002, o preço do Brent situava-se em US$ 19,95.

A segunda fase, a ascensão (2004-07), aconteceu com o fim da crise da Nova Economia, a aliança sino-americana passou a liderar o desempenho global. Em 31.12.2003, a cotação do Brent situava-se em US$ 30,30. A partir daí, o mundo passou a conviver com um período (2004-07) de intenso crescimento, em que o PIB global avançou, em média, a taxas de 5,0% ao ano. O preço do barril de petróleo registrou um incremento extraordinário e, em 31.12.2007, estava cotado em US$ 93,68.

A demanda crescente por petróleo, aliada à oferta dada do ouro negro, elevou as cotações sob grande pressão especulativa. Em 3 de julho de 2008, o barril atingiu a cotação de US$ 143,95. Os analistas econômicos projetavam que o preço chegaria a US$ 200,00, no fim do exercício.

A terceira fase, a queda (2008-09), ocorreu a partir do momento em que a crise das subprimes contagiou a economia global e causou a recessão mundial de 2009. Houve uma diminuição abrupta dos preços do Brent, que recuaram a US$ 42,19 em 12.03.2009.

Uma quarta fase, a recuperação (2010-11), pode ser identificada a partir do momento em que foi diagnosticado o fim da recessão dos Estados Unidos em julho de 2009. Os preços das commodities voltaram a subir, e o petróleo chegou a estar cotado em US$ 126,59, em 28.04.2011.

No final de junho de 2011, as projeções sinalizavam uma oferta global de 89,4 milhões de barris diários, dos quais a OPEP era responsável por 35,7 milhões de barris da origem, e os demais produtores, pelo complemento de 53,6 milhões de barris diários. A demanda global igualava-se à oferta, em 89,4 milhões de barris, dos quais as economias avançadas eram o destino de 45,6 milhões de barris, e as economias emergentes, pelo complemento de 43,8 milhões de barris diários. O total equilíbrio entre demanda e oferta explicava a razão de a Agência Internacional de Energia ter coordenado uma oferta adicional de petróleo a partir de utilização de reservas de diversos Países-membros.

O preço do barril de petróleo, em 29.06.2011, estava cotado em US$ 111,95. A crise do endividamento na Europa, o desemprego nos Estados Unidos, a recessão no Japão e o recrudescimento da inflação na China, na Índia e no Brasil mantêm a recuperação da economia global em stand-by, reduzindo, dessa forma, a pressão sobre o preço do barril do Brent no mercado do petróleo. Nesse contexto, entende-se o significado do pré-sal para a economia brasileira e a sua importância para atender à demanda externa em um mercado sem muitas margens.

O mercado do petróleo e os preços do barril

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