O menor desemprego da RMPA: a melhor fase do mercado de trabalho?

A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), em 2014, foi de 5,9% da População Economicamente Ativa (PEA), a menor média anual em 22 anos da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA), iniciada em junho de 1992. Todavia outros indicadores não tiveram comportamento favorável: o nível de ocupação teve queda de 2,1% — a maior da série histórica da pesquisa —, e o rendimento médio real dos ocupados registrou relativa estabilidade, após elevação contínua desde 2005. Esses resultados interrompem o desempenho positivo dos indicadores do mercado de trabalho regional, observado nos 10 anos anteriores. Nesse contexto, será que a menor taxa de desemprego em 2014 pode representar a melhor fase do mercado de trabalho?

A taxa de desemprego é determinada no mercado de trabalho a partir do confronto entre a demanda por trabalho — dependente do nível de produção  da  economia — e a oferta de trabalho, que é dada pelos movimentos da PEA, de forma que seu aumento ou sua redução terá reflexo direto sobre a taxa de desemprego.

Quanto à demanda por trabalho, há indicativos de que a fase de crescimento contínuo do emprego, que foi o principal determinante para a redução da taxa de desemprego no período de 2004 a 2013, ficou para trás. De fato, o nível ocupacional, já em desaceleração desde 2011, contabilizou queda em 2014. Como a economia não cresceu, a maioria dos setores demitiu mais do que contratou. O rendimento médio real dos ocupados, por sua vez, registrou relativa estabilidade, e os assalariados obtiveram queda de 0,5%. A massa de rendimentos reais teve retração de 2,0% para os ocupados e 2,7% para os assalariados em decorrência da queda na ocupação. Esses dados tornaram o ano de 2014 singular para o mercado de trabalho regional, pois, pela primeira vez, tem-se a menor taxa anual de desemprego e a maior taxa anual de retração da ocupação.

Para entender 2014, é necessário analisar o que está acontecendo no lado da oferta de trabalho. Verifica-se uma redução no ritmo de crescimento da força de trabalho de 2009 a 2012, relativa estabilidade em 2013 e retração de 2,7% em 2014, refletindo a saída de 51 mil trabalhadores do mercado de trabalho. Essa redução da PEA, sendo de maior magnitude do que a retração da ocupação (menos 38 mil ocupados), possibilitou a diminuição de 13 mil no contingente de desempregados e a consequente queda na taxa de desemprego, de 6,4% para 5,9%. Se não houvesse esse declínio da PEA e mantida a queda da ocupação, o resultado seria uma elevação na taxa de desemprego para 8,4% em 2014.

Uma questão que se apresenta é até quando o aumento do desemprego será contido pela saída de pessoas do mercado de trabalho. Os dados de 2014 sugerem que fatores socioeconômicos passaram a influenciar o comportamento da PEA com maior intensidade do que as mudanças demográficas. Com base nas informações da PED-RMPA, comparando 2013 a 2014, em números absolutos, observa-se que a saída do mercado de trabalho ocorreu entre os jovens de 16 a 24 anos (menos 30 mil ou -8,6%) e adultos de 25 a 39 anos (menos 27 mil ou -3,7%), pois houve aumento de 6 mil entre os que possuem 40 anos e mais. Quanto à escolaridade dos que saíram, destaca-se que 43 mil possuíam, no máximo, o fundamental completo, e 11 mil tinham concluído o ensino médio ou estavam cursando o ensino superior. Ademais, verifica-se que a proporção de jovens de 16 a 24 anos que somente estudam, na RMPA, aumentou de 23,9% (127 mil) em 2013 para 26% (133 mil) em 2014, o mesmo ocorrendo entre os jovens dessa faixa etária que nem estudam e nem trabalham (nem-nem), cuja proporção subiu de 11,2% (60 mil) em 2013 para 12,6% (65 mil) em 2014.

O bom desempenho dos últimos 10 anos do mercado de trabalho e das políticas sociais parece ter proporcionado condições mais favoráveis para a permanência dos jovens na escola e o adiamento do ingresso no mercado de trabalho, apesar de não ter reduzido os “nem-nem”. No âmbito da família, destacam-se o crescimento do rendimento médio real dos ocupados e o baixo índice de desemprego para os chefes de domicílio (3,3% em 2014), e, no âmbito das políticas sociais, destacam-se os programas de incentivo à formação superior, como o financiamento estudantil (Fies), o Prouni e o Ciência sem Fronteiras. Esse fenômeno pode ser considerado como positivo para a sociedade gaúcha, mas questiona-se a continuidade desse processo, dado que o cenário da economia brasileira e da gaúcha para 2015 não é de otimismo. Nessa situação, uma menor renda no âmbito familiar poderá desencadear o movimento de retorno desses jovens e de outros membros da família ao mercado de trabalho. Portanto, após atingir a menor taxa de desemprego da série PED-RMPA, a análise do mercado de trabalho permite concluir que 2014 de fato não retrata a sua melhor fase, assim como dá indícios de que a taxa de desemprego poderá voltar a crescer a partir de 2015.

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